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TODODIA 15 de outubro de 2026
Cidades

Piorou

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A qualidade do ar piorou em Americana durante os meses de isolamento social. Apesar da produção industrial menor e da queda do número de veículos em circulação, a poluição não diminuiu. E por uma razão básica: a baixa umidade relativa do ar e o aumento das queimadas.

No período analisado – entre março e julho – houve dias em que o material particulado inalável fino atingiu uma concentração média no ar que superou em 50% o limite estipulado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A constatação foi feita pelo Cepapri da Unicamp (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura).

O estudo levou em consideração as condições climáticas de cinco polos geográficos importantes. Além de Americana, fizeram parte dos estudos as cidades de Campinas, Limeira, Piracicaba e Paulínia. A situação de todas elas é monitorada diariamente por estações ambientais da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Houve aumento significativo da concentração de poluentes entre março e julho.  O período de outono e inverno, como observaram, é o mais seco desde 1990, quando o Cepagri iniciou as medições. O volume de chuvas abaixo do esperado dificultou a dispersão das partículas, e os focos de incêndio complicaram ainda mais a situação. Foram 147 focos só dentro dos limites de Campinas.

De acordo com Bruno Bainy, meteorologista do Cepagri que encabeçou o estudo, o dia 1º de maio foi emblemático. “O material particulado inalável fino atingiu uma concentração média de 37 microgramas por metro cúbico. Para este material, a OMS estipula uma concentração média, para 24 horas, de 25 microgramas por metro cúbico”, disse.

Com a flexibilização da quarentena, a partir da entrada da região na fase amarela, Bainy aponta preocupação com uma piora do quadro, já que haverá um aumento dos veículos emissores de poluentes nas ruas.

SAÚDE

A péssima qualidade do ar traz um impacto negativo sobre a saúde das pessoas, o que é mais preocupante no período de circulação de um vírus com potencial de afetar o sistema respiratório. E estudos associam a gravidade e a mortalidade da Covid-19 à condição do ar.

“As pesquisas sinalizam um paralelo entre formas graves da doença e maior mortalidade e regiões com maiores índices de poluição”, afirma Bainy.

A pesquisadora Ana Maria Heuminski de Ávila, que também participou do estudo, diz que, para mudar essa situação, é preciso alterar a cultura da limpeza de terrenos com fogo, assim como o hábito da queima de lixo.

“Atear fogo é uma solução barata e simples, mas com impacto na saúde das pessoas”, diz.

As condições climáticas, explica, favorecem o espalhamento do fogo e expõem mais pessoas aos riscos.

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Rogerio Verzignasse TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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