Rap, poesia e pertencimento marcam trajetória de Renan Inquérito, que lança álbum autobiográfico
Disco autobiográfico aborda trajetória do artista, incluindo enfrentamento de câncer, e reforça ligação entre rap, literatura e educação
O rapper e poeta Renan Inquérito, criador da Parada Poética, sarau mensal realizado em cidades como Nova Odessa e Hortolândia, lançou o décimo álbum de estúdio, intitulado Tireoide. O trabalho apresenta caráter autobiográfico e reúne experiências pessoais, incluindo o enfrentamento de um câncer.
Além da produção musical, a trajetória do artista é marcada pela relação entre o rap, a literatura e a educação. Segundo ele, o primeiro contato foi com o rap, enquanto o interesse pela poesia surgiu posteriormente, a partir da vivência dentro da cultura hip hop. “Com certeza foi o rap. Eu custei muito a gostar de poesia. Fui me interessar pela literatura depois, a partir do rap. Foi uma grande ponte para entender que poesia não é algo distante, é acessível.”
Do rap à descoberta da literatura
O primeiro contato com o gênero ocorreu ainda na infância, mas foi aos 13 anos, ao ouvir Racionais MCs, que o artista passou a se identificar com o rap. A partir desse momento, o gênero deixou de ser apenas entretenimento e passou a ocupar papel central em sua trajetória.
Referências como Câmbio Negro, Face da Morte e rádios comunitárias contribuíram para a formação inicial, consolidada durante a adolescência com maior aproximação da cultura hip hop.
A poesia como ferramenta de transformação
A aproximação com a poesia ocorreu durante uma oficina realizada na Fundação Casa. Inicialmente convidado para falar sobre rap, o artista adaptou o conteúdo diante da resistência ao gênero, passando a declamar letras em formato de poesia. “Eu comecei a declamar raps no formato de poesia. E ali entendi que funcionava e que o rap também é poesia, só que uma poesia do nosso tempo.”
A experiência marcou uma mudança na atuação do artista, que passou a utilizar a linguagem também como ferramenta de educação e transformação social. A partir desse trabalho, foi lançado o livro Poucas Palavras, em 2011, baseado nas vivências com jovens da Fundação Casa.
Do livro ao movimento cultural
O lançamento do livro deu origem à Parada Poética, inicialmente concebida como evento pontual e posteriormente consolidada como movimento contínuo. Há mais de 13 anos, o sarau reúne mensalmente manifestações culturais em diferentes cidades do interior paulista.
Um álbum que transforma vivência em música
No álbum Tireoide, o artista apresenta uma narrativa pessoal que dialoga com experiências coletivas. A proposta é estabelecer identificação entre diferentes trajetórias por meio das letras. “Eu escrevia a minha verdade sem saber que também era a história de outras pessoas. Só entendi isso quando comecei a me apresentar e ouvir que aquela música também representava outras vidas.”
De acordo com o artista, a identificação ocorre principalmente entre pessoas com vivências semelhantes, marcadas por contextos periféricos. Ao reunir rap, literatura e atuação social, o trabalho amplia o alcance das produções e reforça a circulação da arte em diferentes espaços.
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