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A cada 1h10, uma morte e 7 internados

Esse é o cenário da pandemia, nos últimos 15 dias, da cada vez mais crítica situação da região de Campinas
by Leon Botão

A Covid-19 tem provocado nos últimos 15 dias, a cada 1h10, uma morte e sete internações nas cidades do DRS (Departamento Regional de Saúde) 7, de Campinas, do qual fazem parte Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré. Os números são do governo do estado.

O cenário preocupante, que se replica em todo o estado, tem levado cidades a ficarem próximas de um colapso na saúde com a falta de leitos nos hospitais e motivou a regressão de todas as regiões para a Fase Vermelha do Plano São Paulo, que começa amanhã, como tentativa de conter a proliferação do vírus.

Conforme números Fundação Seade (Sistema Estadual de Dados), nos últimos 15 dias, período em que a segunda onda da pandemia se intensificou em todo o estado e também na região, provocando primeiro a volta à fase laranja e depois à vermelha, foram registradas 311 mortes na região de Campinas, ou seja, 20 mortes por dia, uma morte a cada 1h10.

Nesta mesma quinzena, a região teve uma média diária de 141 novas internações pela doença, somando-se leitos de enfermaria e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o que representa a entrada e permanência de um paciente a cada dez minutos em hospitais da região.

Nesse cenário, a região atingiu ontem, o maior índice de ocupação de leitos de UTI desde o início da pandemia, em março do ano passado, com a marca de 80,8% de leitos ocupados. Entre os leitos de enfermaria, a situação é melhor: 57,3%.

Conforme membros do Centro de Contingência da Covid-19 do estado têm relatado, nessa segunda onda, a necessidade maior é de leitos de UTI, uma vez que o vírus tem atingido pessoas mais jovens, que demoram mais para sentir os sintomas e quando procuram o atendimento médico, já apresentam grave evolução da doença e precisam do leito intensivo. Por isso, também, a estratégia de instalar hospitais de campanha, compostos principalmente por leitos de enfermaria, não tem sido adotada.

Diante do eminente colapso na saúde, as prefeituras têm reunido seus centros de contingência e feito campanha para que as pessoas que puderem fiquem em casa, não promovam aglomerações e, caso precisem sair, usem máscaras, façam higienização das mãos e mantenham a distância de 1,5 metro de outras pessoas.

Região tem 18 mortes

Somente ontem, as cidades da região de Americana confirmaram 18 óbitos pela Covid-19. As mortes não necessariamente ocorreram ontem ou nesta semana, mas tiveram as causas confirmadas nesta data.

O maior número de confirmações ocorreu em Santa Bárbara d’Oeste, com sete casos, seguida por Sumaré, com seis mortes. Destas seis pessoas, quatro tinham 60 anos ou menos, o que comprova que o vírus tem feito vítimas mais novas. Um dos mortos tinha 37 anos e não apresentava comorbidades.

Hortolândia registrou quatro óbitos pela doença. Americana e Nova Odessa tiveram um óbito cada, sendo, respectivamente, um homem de 57 anos e um idoso de 79.

Dos sete óbitos de Santa Bárbara, quatro ocorreram essa semana, dois em fevereiro e um em janeiro. Entre essas mortes, há a de um homem de 36 anos, na terça (2).

Santa Bárbara amplia leitos

O prefeito de Santa Bárbara d’Oeste, Rafael Piovezan (PV), anunciou ontem a instalação de mais oito leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Hospital Santa Bárbara (Santa Casa), sendo três destinados a pacientes com Covid-19 e cinco para pacientes que sofrerem de outras doenças.

Com esse incremento, a cidade passa a contar com 51 leitos com respiradores, sendo 23 públicos de UTI Covid-19, 15 públicos de UTI convencional, 13 semi-intensivos no hospital de campanha, além de outros 37 leitos clínicos, sem respiradores, também no hospital de campanha.

“Os 15 leitos de UTI convencionais são o dobro do que Santa Bárbara d’Oeste tinha em 2013, por exemplo. Em apenas 60 dias de governo aumentamos em 50% o número de leitos de UTI convencionais. Isso demonstra que o nosso foco continua sendo em proporcionar o melhor ao cidadão e ao município”, disse o prefeito.

Conforme informações da prefeitura, na tarde de ontem, 66% dos leitos com respiradores estavam ocupados. Já entre os leitos de enfermaria, a ocupação era de 30%.

Respiradores quebram e UTI fica lotada

O Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, atingiu ontem 100% da ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A média de ocupação na cidade é de 75%. Na região de Campinas, esse índice alcançou o maior pico desde o início da pandemia, com 80,8% leitos de UTI ocupados.

Conforme informações da Prefeitura de Americana, além dos 14 leitos de UTI ocupados, o HM tem taxa de ocupação de 78% nos leitos de enfermaria, sem respiradores.

A ala destinada ao tratamento dos casos de Covid dispõe de 15 leitos fixos de UTI com respiradores e dois leitos contingenciais, que podem ser convertidos em leitos de UTI, além de 18 leitos de enfermaria.

Três respiradores apresentaram problemas e foram encaminhados para manutenção, que é realizada apenas pelo fabricante. A reativação está prevista para ocorrer na próxima semana.

O hospital municipal ampliou ontem o quadro de profissionais que atuam na linha de frente da Covid-19. Foram contratados 11 técnicos de enfermagem e dois enfermeiros, por meio da empresa Hygea, que mantém um contrato de prestação de serviços, com a oferta de mão de obra especializada à instituição.

A ocupação de 100% dos leitos também foi registrada no Hospital Unimed, com 15 leitos ocupados. Na unidade, a ocupação da enfermaria é de 92%.

No Hospital São Lucas, a taxa de ocupação de leitos é de 80% com respiradores (de dez no total, oito ocupados) e 53% sem respiradores (de 17 no total, nove ocupados); no Hospital São Francisco a taxa é de 27% de leitos com respiradores (de 15 no total, quatro ocupados) e de 39% sem respiradores (de 18 no total, sete ocupados).

Já em Nova Odessa, conforme informações da prefeitura, as últimas duas semanas foram de alta de 28,5% na procura pela UR (Unidade Respiratória) do Jardim Alvorada. Foram atendidos 532 pacientes com sintomas respiratórios nos últimos 14 dias, contra 414 de 2 a 16 de fevereiro.

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