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Barulho no prédio: fonte da discórdia

Pesquisa “Condomínios e Covid-19”, do SíndicoNet, diz que som alto gera 59% das reclamações na pandemia
by Folhapress

A concentração de pessoas nos condomínios durante a pandemia do novo coronavírus tem intensificado alguns conflitos. Barulho de obras, crianças brincando e até volume de lives podem ser motivo de incômodos entre vizinhos. Especialistas ressaltam a importância do bom senso e do diálogo para melhorar a convivência nos prédios. 

“Todo barulho incomoda, o problema é o momento em que ele é feito”, afirma Thiago Badaró, professor na Escola Superior de Advocacia-ESA/OAB. Ele explica que ruídos feitos durante o dia podem passar despercebidos devido à rotina. Já à noite, quando o silêncio deve predominar, o mesmo barulho gerará mais incômodos. 

Badaró ressalta a importância de ter bom senso. Ele explica que, ao viver em condomínio, é esperado que barulhos aconteçam eventualmente. Ao mesmo tempo, o barulho recorrente e alto não pode acontecer, pois interfere no sossego e nas regras do condomínio. 

Segundo a pesquisa “Condomínios e Covid-19”, realizada pelo SíndicoNet, o barulho foi o principal motivo de reclamações dos moradores nesta pandemia. Ele foi apontado por 59% dos mais de 2.000 participantes, entre síndicos e gestores. O levantamento foi publicado em julho. 

Gustavo Ribeiro, 48, recebeu algumas reclamações de moradores, principalmente no início da pandemia. Síndico de um prédio com 48 unidades na Vila Esperança (zona leste de São Paulo), ele afirma que tudo foi resolvido com conversa e não precisou aplicar multas. “Tudo que puder fazer na base do diálogo é válido. Sempre procurei ter uma convivência saudável com os moradores”, afirma. 

“Com mais pessoas no condomínio por mais tempo, o aumento de reclamações é exponencial”, afirma o advogado Alexandre Callé. Em seu escritório, a maioria das questões que aparecem está relacionada a barulho. Além disso, ele opina que este período pode ter gerado mais estresse e intensificado desavenças. “Os condôminos estão perdendo a paciência e indo para a Justiça por coisas que ninguém entraria com processo antes”, comenta. 

Callé recomenda que os vizinhos conversem, sem brigas. Caso não resolva, é necessário registrar uma reclamação formal e solicitar a ajuda do síndico. 

Segundo os profissionais, os moradores também podem adotar medidas para minimizar a sua própria produção de barulho, o que favorece o bem-estar geral. 

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(Arte | Folhapress)

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