Com muita disputa, Aneel leiloou oito lotes de transmissão de energia
Investimentos previstos chegam a R$ 8,9 bilhões e 20,3 mil empregos
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A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizou nesta sexta-feira (30), na sede da B3, em São Paulo, o último leilão de transmissão de energia de 2026. O certame negociou oito lotes de empreendimentos, com previsão de R$ 8,9 bilhões em investimentos e geração de aproximadamente 20,3 mil empregos diretos e indiretos.
Os projetos contemplam a construção de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, além de intervenções em estruturas existentes e ampliação da capacidade de transformação do sistema elétrico em 12.694 MVA (megavolt-ampères).
As obras serão distribuídas por sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Os prazos para conclusão variam de 42 a 60 meses, a partir da assinatura dos contratos de concessão, que terão duração de 30 anos.
Disputa entre empresas
O leilão teve participação de diferentes grupos do setor elétrico e registrou descontos de até 57,08% em relação aos valores máximos estabelecidos pela Aneel. O lote 1 foi o mais disputado, com 150 ofertas durante a etapa de lances em viva-voz.
Entre as vencedoras, a Celeo conquistou os lotes 4 e 8, enquanto a Cymi ficou com os lotes 3 e 5. A Neoenergia venceu os lotes 1 e 7. Já a Cox Brasil arrematou o lote 6, e a EDP ficou com o lote 2.
O maior empreendimento foi o lote 4, que abrange Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. Vencido pela Celeo Redes Brasil, prevê R$ 4,1 bilhões em investimentos, 1.167 quilômetros de linhas e estimativa de 8.225 empregos. A proposta vencedora foi de R$ 377 milhões em RAP (Receita Anual Permitida), com deságio de 50,55%.
Em São Paulo, o lote 3 foi arrematado pela Cymi Construções e Participações, com desconto de 57,08%. O projeto prevê R$ 1,07 bilhão em investimentos, 45 quilômetros de linhas e aproximadamente 2.676 empregos. A iniciativa busca reforçar o fornecimento de energia na região metropolitana da capital paulista.
Na Bahia, o lote 1 ficou com a Neoenergia, após uma disputa de 150 lances em viva-voz. A empresa apresentou proposta de R$ 59,8 milhões, com deságio de 51,21%.
No Paraná, os lotes 5 e 6 somam R$ 1,46 bilhão em investimentos e previsão de 3.336 empregos. A Cymi venceu o lote 5, enquanto a Cox Brasil ficou com o lote 6.
A Neoenergia também conquistou o lote 7, na Paraíba, com deságio de 38,55%. Junto ao lote 1, na Bahia, o empreendimento representa R$ 1,16 bilhão em investimentos e previsão de 3.132 empregos.
Em Rondônia, o lote 8 foi vencido pela Celeo, com proposta de R$ 66,6 milhões. Estão previstos R$ 753,2 milhões em investimentos e 2.151 empregos, com obras na Subestação Coletora Porto Velho.
O último lote negociado foi o de número 2, com instalações em Goiás e na Bahia. A EDP venceu a disputa com proposta de R$ 26,5 milhões e deságio de 53,29%. O projeto prevê R$ 317 milhões em investimentos, 126 quilômetros de linhas e 792 empregos.
Investimentos no setor
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, os leilões de transmissão realizados entre 2023 e 2026 mobilizaram R$ 69,64 bilhões em investimentos estimados. Com a atualização pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o montante chega a R$ 77,54 bilhões.
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