quarta-feira, 23 setembro 2026

Lula e Ciro criticam política de preços

 Pré-candidatos à Presidência disparam artilharia contra governo Bolsonaro e Petrobras

CRÍTICA A BOLSONARO | O ex-presidente e pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Arquivo/TodoDia Imagem)

O anúncio de novos reajustes na gasolina e no óleo diesel foi alvo nesta sexta-feira (17) de manifestações de pré-candidatos à Presidência nas eleições de 2022. A postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à Petrobras virou ponto central de críticas de seus adversários.

Pela manhã, a estatal informou que o preço médio da gasolina nas refinarias será reajustado em 5,2% a partir deste sábado (18), e o valor do diesel, em 14,3%.

À frente nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais para criticar Bolsonaro e contestar a atual política de preços da Petrobras.

“Ele [Bolsonaro] inventou que a solução é reduzir o ICMS, mas tudo que ele vai fazer é diminuir o dinheiro da educação e da saúde nos estados”, escreveu Lula, em uma referência à intenção do governo de conter o peso do imposto sobre os combustíveis.

“A gente já provou que é possível lucrar com a Petrobras, vendendo a gasolina com o preço em real. Por que depois que viramos autossuficientes em petróleo começamos a importar? Por que impor um preço internacional a um produto nacional? Isso é perda de soberania”, continuou o petista.

A atual política de preços da companhia acompanha a variação do petróleo e da taxa de câmbio. Especialistas, contudo, dizem que os aumentos anunciados nesta sexta ainda não foram suficientes para zerar a defasagem frente a cotações internacionais.

Bolsonaro, por sua vez, chamou os reajustes da gasolina e do diesel de “traição com o povo brasileiro”. Ele afirmou que está articulando com a cúpula da Câmara dos Deputados a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a direção da Petrobras.

“Conversei agora há pouco com o Arthur Lira (PP-AL), ele está neste momento reunido com líderes partidários. A ideia nossa é propor uma CPI para investigarmos o presidente da Petrobras [José Mauro Ferreira Coelho], os seus diretores e também o conselho administrativo e fiscal”, declarou Bolsonaro, durante entrevista a uma rede no Rio Grande do Norte.

Antes do anúncio da estatal, ele escreveu nas redes sociais que a companhia “pode mergulhar o Brasil num caos”. “Seu presidente, diretores e conselheiros bem sabem do que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, e as consequências nefastas para a economia do Brasil e a vida do nosso povo”, emendou.

‘Banana e Frouxo’

O pré-candidato Ciro Gomes (PDT) classificou como “escárnio” o anúncio da Petrobras. Ele também é crítico à política de preços da estatal.
Ciro ainda fez ataques a Bolsonaro, a quem chamou de “banana” e “frouxo”.

“Temos uma empresa pública imperial e insensível ao sofrimento do povo. E um presidente banana que não se impõe”, disse nas redes sociais.

“A mentira de Bolsonaro foi desmascarada: ICMS não aumenta preços dos combustíveis. Sua frouxidão também: se esconde, tremendo, atrás de Lira para tentar resolver a crise da Petrobras. Fora, seu frouxo!”, emendou.

Já a pré-candidata Simone Tebet (MDB) defendeu a ideia de que é possível encontrar alternativas para o quadro de carestia dos combustíveis.

“Quem quer, resolve. Quem não quer, joga a culpa nos outros. A Constituição Federal dá saídas, no plural, para diminuir o preço dos combustíveis em situações excepcionais como agora, criando-se crédito extraordinário ou usando os dividendos da União”, afirmou nas redes sociais.

Ela ainda compartilhou um vídeo no qual diz que o Brasil precisa do “estado necessário”, não do “estado mínimo”, nem do “máximo”. “Sou contra a privatização da Petrobras, já disse isso várias vezes, mas sou liberal na economia e sou a favor de privatizações. Comigo não é 8 ou 80. Há um caminho do meio”, afirmou.

O pré-candidato André Janones (Avante) também questionou a atuação de Bolsonaro. Ele disse que o ataque do governo à Petrobras “é o primeiro caso de oposição a si mesmo registrado no país”.

“O teatro pra atacar a Petrobras, como se o governo não fosse o responsável pela mesma, não cola. Não tem coragem pra atuar na política de preços, vende nosso petróleo cru sem impostos, não gera interesse para investimento em refinarias no país e praticamente doa o nosso etanol”, escreveu.

“Um homem que berra por armas, não quer segurança, quer esconder a sua covardia. Desarmado, no campo das ideias, não tem coragem de assumir nem as responsabilidades do governo que exerce. Uma barata tem mais decência e é mais limpa que um Bolsonaro”, continuou.

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