Doria anuncia ministros de Temer para Educação e Cultura

Ao longo da campanha eleitoral, tucano usou a gestão do presidente para atacar rivais

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou ontem dois atuais ministros do governo Michel Temer (MDB) como futuros secretários de sua gestão no estado de São Paulo.

O tucano assumirá o cargo em 1º de janeiro, em substituição a Márcio França (PSB). Durante a campanha eleitoral, Doria usou a gestão Temer para atacar adversários. Em debates e programas de rádio e TV, por exemplo, buscou desgastar seu adversário na corrida estadual, Paulo Skaf (MDB), ao associá-lo ao presidente da República.

Para a educação estadual, Doria escalou Rossieli Soares da Silva, titular do Ministério da Educação desde abril passado, quando substituiu Mendonça Filho. Rossieli ocupava anteriormente a secretaria de educação básica do MEC. Ele já foi secretário de Educação do estado do Amazonas.

Já o titular da pasta de Cultura será o atual ministro da pasta federal, Sérgio Sá Leitão.

“A nossa qualificação [para a escolha] é pelo currículo de cada um deles e pela possibilidade de contribuir efetivamente com São Paulo”, disse Doria, ao ser questionado sobre a escolha por ministros de Temer. “Aqui, nós não vamos pensar pequeno. Ao formar um time, nós estamos qualificando o melhor time de secretários para o governo de São Paulo.”

Um dia antes, Doria já havia anunciado outro ministro de Temer para o seu governo. O ex-prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (PSD), atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, assumirá a Secretaria da Casa Civil.

Kassab tornou-se réu em setembro deste ano devido a ação do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) que o acusa de ter recebido via caixa dois o valor de R$ 21 milhões durante campanha para prefeito em 2008. Doria e Kassab disseram que as acusações não influenciarão em nada no mandato. ​

Questionado se Temer e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) podem integrar seu governo, Doria afirmou que são “dois grandes nomes”, mas que não foram convidados.

Após polarizar durante as eleições, o tucano assumiu um discurso mais conciliador. “Todas as escolhas de secretários tomam como referência capacidade, conhecimento e eficiência de gestão. A nenhum secretário perguntei e vou perguntar: qual é o partido, qual é a ideologia e se votou ou não votou em João Doria”, disse.

ESCOLA SEM PARTIDO

Doria e o novo secretário de Educação demonstraram ter visões diferentes em relação ao projeto Escola sem Partido.
Doria disse ser favorável ao projeto. “Escola é lugar de aprendizado, não é lugar para se fazer política. Política se faz fora da escola”, disse Doria, embora tenha abrandado o discurso, ao afirmar não saber se o veto a partidarização na escola será feito “com projeto [Escola sem Partido] ou sem projeto”.

Já o futuro secretário da Educação afirmou considerar a lei desnecessária. “A minha declaração é que falei que não precisamos de uma lei. Temos instrumentos para isso. Não pode ter partidarização na escola”, disse.

Mozart Neves Ramos, educador do Instituto Ayrton Senna, que era cotado para ocupar a pasta da Educação, atuará no conselho estadual na área de educação.

O ministro Sá Leitão assumirá a pasta sob outro nome: Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Doria também anunciou a extinção da Secretaria de Governo. Outras secretarias deixarão de existir para deixar a máquina pública mais enxuta.

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