Home Cultura ‘Cabras da Peste’ adiciona ‘fuleiragem’ a filme policial

‘Cabras da Peste’ adiciona ‘fuleiragem’ a filme policial

Na trama, Celestina, considerada patrimônio de uma cidadezinha no interior do Ceará, é sequestrada
by Folhapress

As produções para cinema e TV protagonizadas por duplas de policiais são um clássico. Tanto que viraram um subgênero (o “buddy cop”) com representantes que vão de “Máquina Mortífera” (1987) a “Starsky e Hutch” (2004, inspirado na série de 1975).

A lista vai ser engrossada nesta quinta-feira (18) com o brasileiro “Cabras da Peste”, que estreia direto no catálogo da Netflix. O filme, dirigido por Vitor Brandt (“Copa de Elite”, 2014), aposta na sintonia entre Bruceuilis (Edmilson Filho) e Trindade (Matheus Nachtergaele), que têm personalidades opostas.

“É uma dupla de palhaços”, define Nachtergaele. “São dois brasileiros antagônicos, complementando suas qualidades e defeitos da forma mais carinhosa possível. É um encontro delicado, para afiarmos nossos equipamentos de palhaço, cada um com suas características próprias”. O ator diz que, mais que duplas de policiais, eles se inspiraram em duplas cômicas, como o Gordo e o Magro ou Didi e Dedé. “Tem sempre um mais instintivo e um mais medroso”, explica. “Isso está muito presente.”

Na trama, a cabra Celestina, considerada patrimônio de uma cidadezinha no interior do Ceará, é sequestrada. Seguindo a pista dos criminosos, Bruceuilis vai parar em São Paulo, onde conhece o atrapalhado Trindade, que prefere fazer serviços burocráticos a atuar nas ruas. Enquanto tentam resgatar o animal, os dois acabam descobrindo que os bandidos podem estar envolvidos em crimes muito maiores.

Edmilson Filho, que além de humorista é adepto de artes marciais como Kung Fu e Taekwondo, foi quem ficou com boa parte das cenas de luta. Ele conta qual é o principal diferencial do filme com relação aos correlatos americanos.

Em tempos de pandemia, a dupla comemora a estreia do filme direto no streaming. “Não é um filme que sofrerá por não estrear na tela grande”, afirma Nachtergaele. “É um grande trabalho sobre aceitação da diferença, sem ser um filme de ideologia. Acho um pedido bonito para esses tempos. Nossos personagens são policial ternos. Acho isso lindo, independente de qualquer julgamento estético”. Já Filho diz que, apesar do humor abrasileirado e com muitos toques regionais, o público dos cerca de 190 países onde a Netflix está, vai poder se divertir. “Não tenho dúvidas de que vai entender as piadas”, disse. Segundo os protagonistas, um dos principais motivadores para eles toparem fazer o filme por causa da vontade de continuarem trabalhando juntos, após uma experiência bem-sucedida na série “Cine Holliúdy” (Globo). Nela, enquanto Filho vive o cinéfilo apaixonado Francisgleydsson, Nachtergaele interpreta o prefeito Olegário. Ambos estão gravando a segunda temporada da produção no momento.

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