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TODODIA 3 de novembro de 2026
ESPECIAL DE FINADOS

Cemitério da Saudade preserva histórias de quem construiu Americana

Roteiro guiado pelos Historiadores de Carioba resgata personagens que marcaram a formação de Americana

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No Dia de Finados, as visitas também podem ser uma oportunidade de conhecer as histórias de quem viveu em Americana e deixou marcas na formação do município. Foto: Ana Machado/TV TODODIA

No Dia de Finados, os cemitérios recebem pessoas que vão homenagear e recordar familiares e amigos que já partiram. Em Americana, o Cemitério da Saudade também convida a um olhar sobre o passado da cidade. Entre túmulos, mausoléus e monumentos, estão histórias de pessoas que participaram da formação do município e que nem sempre aparecem nos livros de história.

É justamente para recuperar essas memórias que os Historiadores Independentes de Carioba desenvolveram o roteiro Sepulturas que Falam. A iniciativa reúne pesquisas em jornais antigos, inventários, registros de terras e relatos orais para revelar personagens e acontecimentos ligados à história de Americana.

A historiadora independente de Carioba Mariana Spaulucci explica que o trabalho vai além da identificação de nomes e datas. “Para elaboração do roteiro histórico Sepulturas que Falam, nós pesquisamos vários jornais, inventários, registros de terras e também relatos orais. Tudo isso compõe a nossa pesquisa para a elaboração desse roteiro que considera o cemitério um museu a céu aberto.”

O próprio Cemitério da Saudade acompanha as transformações do município. O primeiro sepultamento ocorreu em 7 de setembro de 1904, quando o espaço ainda ficava distante da área urbana. Com o crescimento da cidade, a região foi ocupada e o cemitério acabou integrado à paisagem urbana.

Segundo o historiador independente de Carioba Jefferson Bocardi, a localização também revela a maneira como os espaços de sepultamento eram organizados no início do século 20. Naquele período, a separação entre a cidade dos vivos e a dos mortos era vista como uma medida de saneamento e prevenção de doenças.

Personagens que também construíram a cidade
Entre as histórias recuperadas pelos pesquisadores está a de Genésio de Campos. Os relatos orais indicam que ele teria sido escravizado na região. A família afirma que ele viveu mais de 100 anos, mas não possui documentos que comprovem sua idade. Na lápide, consta que teria chegado aos 130 anos.

A trajetória de Genésio ajuda a revelar uma parte da história de Americana que nem sempre recebeu espaço nos registros oficiais. Jefferson explica que a pesquisa também procura dar visibilidade a pessoas que participaram da construção da cidade, mas acabaram esquecidas.

“Durante as nossas pesquisas históricas, nós pensamos em como poderíamos contar a história de Americana e principalmente daqueles que não estavam citados nos livros de história”, afirma o historiador.

Outro exemplo é a família Miller, ligada à história de Carioba. O grupo teve participação na formação do município e doou parte do terreno onde foi construído o primeiro cemitério oficial de Americana. O mausoléu da família é um dos pontos observados durante o roteiro.

As descobertas também incluem episódios curiosos da vida de antigos moradores. Mariana conta que algumas histórias despertam o interesse dos visitantes justamente por revelarem relações pessoais e acontecimentos pouco conhecidos. Um dos casos envolve Delmira, Cândido e Flávio, personagens de um triângulo amoroso recuperado pelos pesquisadores a partir de documentos históricos.

“Então as fofocas históricas fazem muito sucesso aqui no cemitério”, comenta a historiadora.

Um retrato da sociedade americanense
Além das trajetórias individuais, os túmulos e monumentos ajudam a compreender os costumes, as manifestações religiosas e as diferenças sociais de outras épocas. O espaço reúne registros de ex-escravizados, mulheres, crianças, operários, imigrantes e famílias que participaram da construção da sociedade americanense.

Para Mariana, preservar essas histórias é também reconhecer a diversidade de pessoas que formaram a cidade. “É extremamente importante a gente cultuar a memória do cemitério e perpetuar as histórias que aqui estão justamente porque elas contam perspectivas de uma construção da cidade de Americana.”

Assim, o Cemitério da Saudade vai além de um espaço de despedida. No Dia de Finados, as visitas também podem ser uma oportunidade de conhecer as histórias de quem viveu em Americana e deixou marcas na formação do município.

Próxima edição do roteiro
Quem quiser conhecer essas histórias de perto poderá participar de uma nova edição do roteiro histórico Sepulturas que Falam, marcada para 14 de novembro, às 8h. A atividade exige inscrição. Os valores e as orientações para participar estão disponíveis nos canais dos Historiadores Independentes de Carioba no Facebook, Instagram e Google.

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Diego Rodrigues TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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