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TODODIA 15 de outubro de 2026
EXCLUSÃO SOCIAL

Casa de apoio às pessoas em situação de rua em Americana cobra apoio do poder público

Além da falta de recursos, os organizadores afirmam enfrentar a burocracia e falta de orientação por parte do poder público

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Foto:Reprodução/TV TodoDia

A CPA (Casa Projeto Americana) atua há pouco mais de dois anos no acolhimento de pessoas em situação de rua e vulnerabilidade. A instituição oferece refeições, roupas, cobertores e, sempre que possível, abrigo para cerca de 20 a 30 pessoas a cada final de semana.

Mantida com doações

Sem apoio fixo da Prefeitura ou do Fundo Social da cidade, a casa é mantida com doações de igrejas, empresas locais e cidadãos voluntários. “Se não fossem os voluntários, já teríamos fechado. A gente pede só o mínimo. Enquanto isso, outras ONGs recebem de tudo, e pra nós é só o resto”, relata Luciano Teixeira, vice-presidente da entidade.

O custo médio mensal para manter as atividades gira em torno de R$ 5 mil. A equipe da casa é formada por voluntários e pessoas da própria comunidade. Muitos dos assistidos também ajudam nas tarefas do dia a dia,“A gente vive de doações. Sou aposentado, tenho baixa visão e não trabalho. Mesmo assim, a gente faz o possível para continuar atendendo”, diz Claudio Vidotto, presidente da CPA.

Burocracia trava a ajuda

Além da falta de recursos, os organizadores apontam que enfrentam burocracia e falta de orientação por parte do poder público. Mesmo com CNPJ, ata, estatuto e inscrição municipal, eles relatam que sempre há exigências novas para conseguir se regularizar junto aos órgãos oficiais,“Ninguém explica direito. Um empurra pro outro. A gente corre atrás, mas a ajuda nunca vem”, desabafa Claudio.

Segundo Cláudio Vidotto, o custo médio mensal para manter as atividades gira em torno de R$ 5 mil. Foto: Reprodução/TV TodoDia
Prefeitura responde e afirma que processo está em análise

A Prefeitura de Americana, por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, informou por meio de nota que a entidade só entrou em contato recentemente e, após isso, uma reunião foi agendada com os representantes da CPA.

A prefeitura afirma que a entidade ainda não havia protocolado nenhum pedido formal de regularização junto à Política Municipal de Assistência Social e ao Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), órgãos responsáveis por autorizar serviços de acolhimento. “A organização foi orientada quanto aos procedimentos para se adequar às normas legais. O protocolo foi feito no último dia 28 de julho e agora está em tramitação”, informou a nota.

O texto destaca ainda que não há previsão legal de financiamento público a organizações não regularizadas, conforme prevê a Lei Federal nº 13.019/2014, que exige concorrência pública e estrutura técnica mínima.

Apesar da ausência de repasses públicos, a CPA continua funcionando com a força do voluntariado. Luciano afirma que a casa está em reforma, construindo novos espaços com ajuda de empresas locais que doam materiais como tijolo, cimento e tinta. “Tem gente que bate à porta de madrugada pedindo roupa, marmita ou cobertor. É uma casa 24 horas, mesmo sem apoio nenhum da prefeitura.”

Durante o inverno, a demanda cresce ainda mais. “Às vezes, um de nós dorme no chão para ceder o espaço. A fome e o frio não esperam papelada”, completa Luciano.

Luciano Teixeira afirma que a casa está em reforma, com a ajuda de empresas locais. Foto:Reprodução/TV TodoDia
Expectativa por reconhecimento

Com o protocolo agora em tramitação, a esperança dos responsáveis é que o trabalho da CPA passe a ser reconhecido oficialmente e que a casa possa contar com, pelo menos, apoio alimentar e estrutural básico. “Não queremos milhões. Só queremos o que é de direito para quem está ajudando quem o poder público deixou para trás”, finaliza Luciano.

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Andressa Oliveira TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba

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