Música na infância estimula habilidades e aproxima famílias em Cosmópolis
Alunos da Escola Municipal de Música Villa Musical relatam como os instrumentos e as aulas passaram a fazer parte de suas rotinas
Voz gerada por inteligência artificial

A música pode representar muito mais do que aprender a tocar um instrumento na infância. A prática também envolve habilidades como coordenação motora, concentração, memória e criatividade, além de favorecer a socialização. Em Cosmópolis, alunos da Escola Municipal de Música Villa Musical contam como ela entrou em suas histórias e na rotina familiar.
O professor de música Jonathan Santos explica que o contato com a musicalização desde os primeiros anos estimula diferentes aspectos do desenvolvimento. Os efeitos variam conforme o instrumento: a bateria trabalha a coordenação motora e a percepção espacial, enquanto o violino exige atenção e precisão nos movimentos. “É crucial porque a música desenvolve o ser humano com integralidade, em todos os aspectos, todos os tipos de percepção”, afirma o professor.

Uma revisão publicada em 2025 na revista Frontiers in Psychology analisou estudos com crianças de três a seis anos e identificou resultados positivos em habilidades como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Os pesquisadores ressaltam que os efeitos se referem a funções específicas e não garantem melhora no desempenho escolar nem aumento do quociente de inteligência.
Sonhos que começam com a música
Entre os alunos da Villa Musical está a família de Nilton César Azevedo. Pai de Miguel, de seis anos, e Mikaelly, de 11, ele acompanha o desenvolvimento musical dos filhos. Miguel toca bateria e Mikaelly estuda violino. Manuelly, de quatro anos, também participa das atividades de musicalização infantil.
O interesse de Miguel pela bateria começou cedo. Aos três anos, depois de assistir a vídeos na internet, ele passou a reproduzir ritmos em casa com objetos do cotidiano. “Eu pegava a panela e fazia barulho”, conta o menino, que frequenta aulas do instrumento há cerca de um ano.
Aos seis anos, Miguel já faz planos para o futuro: quer ser bombeiro e também sonha em se tornar baterista profissional e tocar em uma banda de rock. A irmã, Mikaelly, também se inspirou em vídeos na internet para começar a estudar música, após assistir a apresentações de violinistas.
“Eu comecei a ver uns vídeos assim, bem legais, de violinistas muito famosos tocando. Aí me deu uma vontade grande de tocar também violino”, relembra Mikaelly.
Aos 11 anos, a estudante pretende seguir carreira na música e na área veterinária. Um de seus objetivos é ocupar a posição de spalla em uma orquestra, função exercida pelo primeiro violinista da seção de cordas. Ela também relata mudanças na rotina desde que começou a estudar o instrumento. Questionada sobre os estudos, respondeu: “Melhorei nos estudos”.
Irmãs compartilham o aprendizado e fazem da música um momento de convivência em família. Foto: Reprodução
A música como experiência em família
A relação de Nilton com a música começou na infância, em uma família que mantinha contato frequente com atividades musicais. Em Cosmópolis, ele iniciou aulas de violão, integrou a orquestra de viola e, mais tarde, foi convidado a participar do Coral Municipal. “Então a música, pra mim, é desde a infância. Lá em casa somos quatro irmãos, eu e mais três. Desde quando a gente era pequeno, a gente já era envolvido com a música”, relata.
O pai conta que o interesse de Miguel pela bateria surgiu espontaneamente, nas brincadeiras em casa. O incentivo da família ajudou o menino a começar a estudar o instrumento. “O Miguel começou a dar umas batucadas em casa. Lá eu fiquei parado assim, pensando: ‘Esse moleque vai quieto com a bateria’. Compramos a bateria, os avós dele ajudaram a gente a comprar. Aí ele foi melhorando”, conta Nilton.
Na família de Yara Coelho Andrade, as três filhas — Emília, Helena e Lívia — também têm contato com diferentes instrumentos e atividades musicais. Segundo a mãe, as aulas entraram na rotina da casa e criaram momentos em que as meninas tocam juntas e convidam os familiares a participar. “Virou uma rotina, um compromisso e se tornou um momento a mais em família, pra gente se distrair também, brincar, se divertir. Então tem todo o sério, mas tem todo o divertimento junto”, afirma Yara.
A mãe também relata que a música é um momento de tranquilidade para Helena, que convive desde o nascimento com questões relacionadas à visão, além de dores de cabeça, cansaço e fadiga. Segundo Yara, a filha costuma sair das aulas mais relaxada e bem-humorada. O relato descreve a percepção da família sobre a experiência da menina.
Para Jonathan Santos, os alunos não precisam seguir carreira profissional na música para aproveitar os aprendizados da prática. Disciplina, responsabilidade, criatividade e respeito ao espaço do outro são aspectos que, segundo ele, podem acompanhá-los em diferentes áreas da vida. “Claro, nem todos se tornaram músicos, mas essa não é a questão principal da música. […] Para a vida, a parte de disciplina, responsabilidade, a parte de imaginação, criatividade, que é uma coisa que vai ajudar em qualquer área que ele vai trabalhar, que vai estudar”, conclui o professor.
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