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TODODIA 15 de outubro de 2026
Cidades

Homens representam 75% das indenizações por acidente, aponta DPVAT

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A aposentada Silvia Gioso Moraes, 65, moradora de Campinas, tem uma rotina agitada. Ela dirige para ir à meditação, fazer comprar, ir à academia, aulas de inglês e encontrar as amigas. “Não me imagino sem carro. Uso o dia inteiro nem consigo me imaginar sem dirigir”, confessa.
Ela é habilitada desde os 18 anos. “Mas na verdade eu aprendi a dirigir com o meu tio aos 10 anos. Naquela época era assim que a gente aprendia, em estradas de terra em Sumaré, Jaguariúna, no sítio. Hoje já não pode mais fazer isso”, comenta.
Desde cedo ela aprendeu que dirigir não podia ser de qualquer maneira. “Uma coisa que eu aprendi é que a gente não pode se distrair um segundo na direção. Saquei isso nas primeiras vezes que saí com o carro da minha mãe, quando eu tinha 18 anos. sabia que se me distraísse um segundo, algo poderia acontecer. Não podia confiar 10% no que os outros motoristas vão fazer,”, diz.
Ela afirma que faz questão de ser prudente e de respeitar a lei. “Acho importante respeitar a lei e isso inclui não falar no celular. Se estou numa via que o limite de velocidade é 40 km/h, algum motivo deve haver, então vamos respeitar o limite. Nem me importo se tem gente irritada atrás”, confessa.
A aposentada já dirigiu em países da Europa e nos Estados Unidos, onde sua filha mora. “Já dirigi muito nos Estados Unidos e lá não tem radar. São os guardas que multam. Tem um limite de velocidade, o motorista respeita. Na Europa também as pessoas têm mais consciência no trânsito. Se alguém comete alguma infração eles param tudo e fica olhando para a pessoa”, explica.
“Minha consciência sobre o trânsito mudou totalmente depois de dirigir por lá. Me tornei outra motorista”, afirma.
Ela conta que um dia um amigo alemão veio visitá-la e se chocou com as diferenças. “Ele ficou intrigado e me perguntando o que eram aqueles ‘montinhos’ nas ruas. Eu expliquei que era lombada para forçar os motoristas a reduzirem a velocidade. Ele então me perguntou por que as autoridades não colocavam placas informando o limite. Ele não compreendeu o motivo de as pessoas não respeitarem as regras”, lembra aos risos.
Graças a esse comportamento precavido e consciência no trânsito, a aposentada nunca sofreu ou causou nenhum acidente. “Graças a Deus e a esses cuidados eu nunca causei nenhum acidente e olha que eu já dirigi muito nessa minha vida”, comenta.
O comportamento de Silvia, exemplifica bem as diferenças entre os homens e as mulheres no trânsito e coloca em cheque a velha máxima “mulher no volante perigo constante”.
De acordo com a Seguradora Líder, responsável pela administração do Seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres) os homens são os principais causadores de acidentes de trânsito no país e também são as maiores vítimas.
Segundo os dados, 75% das indenizações pagas por acidentes de trânsito no Brasil são para vítimas do sexo masculino. Apenas no ano passado, foram quase 384 mil indenizações pagas pelo DPVAT. Destas, a maior parte foi para homens entre 18 e 34 anos. Eles também representaram 82% das vítimas nos casos de acidentes com mortes.
No Estado de São Paulo, no ano passado, 74% dos sinistros pagos foram para homens e 26% para mulheres.
De acordo com especialistas, normalmente, os homens se mostram mais impacientes ao volante e menos atentos às normas de trânsito. Assim, atitudes como o não uso dos equipamentos de segurança, abuso de ultrapassagens e utilização de aparelhos eletrônicos acabam se tornando frequentes causas de acidentes.

 
Carro é ‘fonte de poder’

Até hoje os homens enxergam o carro como uma fonte de poder (…) E esse é um fenômeno mundial

 

 

O especialista em trânsito, Creso de Franco Peixoto, professor da FEC (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo) da Unicamp, diz que os homens enxergam o carro como fonte de poder. “Existe esse comportamento, é do perfil dos homens e tem fortes traços culturais. Até hoje os homens enxergam o carro como uma fonte de poder. Até a paquera se potencializa na opinião deles, pelo fato de guiar, principalmente o homem mais jovem. E esse é um fenômeno mundial”, explica.
O professor ainda afirma que os homens causam e se envolvem em acidentes mais graves. “Os homens têm porcentagem maior de acidentes com maior gravidade, excesso de velocidade, beber e dirigir. A análise psicológica mostra que é uma questão cultural o carro envolve poder e esse empoderamento masculino existe há décadas e passou a exigir um culto à potência, que corresponde a maior velocidade”, diz.
Segundo ele, as estatísticas mostram que as mulheres têm um respeito maior ao código de trânsito e às leis. “O respeito delas ao código de trânsito é muito maior. Em Americana, santa Bárbara e Campinas, por exemplo, tem vias que não tem radar e a velocidade é 40 km/h, muitos não respeitam, mas quem mais respeita são as mulheres e quando estão respeitando os limites se você observar no retrovisor, os bravos e os irritados atrás são os homens”, afirma.
Ele diz que as mulheres ainda dirigem menos que os homens, mas que isso não influência nas estatísticas. “Levando em conta a porcentagem de desrespeito por parte dos motoristas com acidentes graves, multas e bebidas continua alto entre os homens, não é por conta de as mulheres ainda estarem em número menor entre os motoristas”, conclui.

Maior número de motoristas

Dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) mostram que, dos 45 milhões de motoristas no Brasil, quase 30 milhões são do sexo masculino. De acordo com os números, 71% dos acidentes no país são provocados pelos homens. Além disso, 70% das multas registradas são para motoristas do sexo masculino.
Ainda de acordo com os números da Seguradora Líder, no comparativo entre homens e mulheres, o maior risco associado ao volante também pode ser verificado pelas estatísticas referentes ao condutor do veículo. Em 2017, 42% das indenizações pagas para condutores dos veículos foram para o sexo masculino, contra apenas 7% para motoristas do sexo feminino.
Os números revelam ainda que a maior incidência de indenizações pagas foi para a faixa etária considerada economicamente ativa, de 18 a 34 anos, representando 37% dos indenizados (cerca de 142 mil).
No recorte de acidentes com motocicletas, também no ano passado, 88% das indenizações por morte e 79% por invalidez permanente também foram para homens. Já as indenizações por acidentes com os demais veículos representaram 65%. Isso demonstra que motociclistas do sexo masculino se envolvem em mais acidentes que condutores homens dos demais veículos.
Somente em 2018, de janeiro a maio, já foram pagas 148.164 indenizações por acidente de trânsito em todo o território nacional, sendo aproximadamente 111.123 sinistros pagos a vítimas do sexo masculino. | FLN

 

 

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Francisco Lima TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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