Pai dedica vida para educar filhos surdos e garantir autonomia da família
Morador de Limeira morreu aos 88 anos e deixou legado de dedicação à família e à educação
Uma trajetória marcada pela dedicação à família, à educação e à inclusão é como parentes lembram Domingos Valdomiro Zovico, conhecido como Miro, que morreu no dia 17 de maio de 2026, aos 88 anos. Natural de Limeira, ele construiu a vida por meio do trabalho e da união familiar.
Filho caçula de uma família de descendentes italianos, Miro exerceu diferentes profissões até abrir um bar próximo à rodoviária da cidade. Ao lado da esposa, Therezinha, enfrentou um desafio que mudou os rumos da família após descobrir que os dois filhos, Nelson e Neivaldo, eram surdos.
Mudança em busca de educação
A busca por melhores condições de aprendizado levou a família a se mudar para São Paulo. Segundo o professor Neivaldo Zovico, filho de Miro, a decisão foi motivada pela preocupação constante do pai com o futuro dos filhos. “Meu pai estava sempre preocupado comigo e com o meu irmão por conta da nossa surdez. Eles decidiram mudar de Limeira. Eu lembro de uma viagem de trem que a gente fez até São Paulo. O meu pai se esforçou para que a gente pudesse ter uma evolução”, relembrou.
Para acompanhar os estudos, Miro vendeu o comércio da família e passou a dividir a rotina entre Limeira e a capital paulista. Em São Paulo, participou ativamente da vida escolar dos filhos no antigo Instituto de Educação para Crianças Excepcionais, atuando também como voluntário e conselheiro.
Exemplo que virou inspiração
A dedicação do pai influenciou diretamente a trajetória dos filhos. Neivaldo se formou em matemática e se tornou professor na mesma instituição onde estudou. “Hoje eu olho para o meu pai e enxergo ele como um herói, porque ele fez de tudo. Lutou, desbravou caminhos para conseguir que eu e meu irmão tivéssemos uma educação de qualidade”, afirmou. “Eu entrei na área da educação porque percebi que muitos surdos não tinham formação. Meu pai me ensinou matemática e despertou em mim esse interesse pelos estudos”, completou.
O irmão, Nelson, seguiu carreira na Companhia Energética de São Paulo, onde trabalhou até a aposentadoria.
Valores e legado
Além do incentivo aos estudos, Miro transmitiu valores ligados ao trabalho, respeito e autonomia. “Meu pai sempre dizia que eu precisava organizar minha vida, trabalhar e ser independente. Ele também ensinou muito sobre educação e respeito com as pessoas”, disse Neivaldo.
Torcedor do Palmeiras, também cultivava momentos em família ligados ao futebol. “Hoje eu sou palmeirense por causa do meu pai. Ele levava a gente ao estádio, comprava camisetas e incentivava a torcida pelo Palmeiras”, relembrou.
Para a família, o principal legado deixado por Miro está na valorização da educação e na inclusão de pessoas surdas. “O meu pai largou tudo o que tinha para dar atenção à educação dos filhos. O legado que ele deixa é o foco na educação. Se for preciso largar tudo para garantir uma boa educação para uma pessoa surda, que faça isso”, destacou.
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