segunda-feira, 5 outubro 2026

PCJ vai reivindicar aumento da vazão

A redação definitiva do Plano de Bacias – que norteia o planejamento hídrico das Bacias PCJ (Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) para atender metas a serem atingidas até 2035 – vai reivindicar a ampliação em 8% na vazão liberada pelo Sistema Cantareira para as cidades da região. Hoje, a vazão está em torno de 10 m³/s.

Se não houver a vazão adicional, existe o sério risco de colapso hídrico: as Bacias PCJ estão atualmente a 3 m³/s do consumo total de sua disponibilidade. O alerta foi feito pelo secretário executivo do PCJ (Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), Francisco Lahoz.

Em entrevista exclusiva ao TodoDia, ele afirmou que existe a projeção de um crescimento vegetativo anual de 160 mil habitantes nas cidades que compõem a bacia. “Sem a vazão adicional, será impossível manter o abastecimento público”, disse.

No relatório, que vai ser apresentado aos comitês estadual e nacional de Recursos Hídricos – e posteriormente transformado em lei – o PCJ estima um plano de ações que, segundo Lahoz, vão exigir investimentos de R$ 8 bilhões ao longo dos próximos 15 anos, que possam garantir o combate às perdas hídricas, a ampliação do tratamento de efluentes, aumento da disponibilidade hídrica e reenquadramento da qualidade dos rios da região.

No dia 20 de fevereiro aconteceu uma consulta pública em Jundiaí para atualização do Plano de Bacias, e no encontro os técnicos debateram alternativas imediatas de mudança do quadro. Como a construção dos novos reservatórios de Pedreira, Amparo e Salto; e o tratamento terciário de esgoto nas cidades que compõem a bacia. “Os reservatórios representam sustentabilidade hídrica”, disse Lahoz.

O tema, no entanto, é polêmico. Apesar de as obras já terem começado em Pedreira, grupos ambientalistas protestam, no interior, contra a inundação de glebas rurais.

“O fato é que, com as represas ou não, temos de alguma forma garantir vazão maior para nossa região”, resume Lahoz. A ele, juntam-se promotores públicos, que deixaram claro no encontro de Jundiaí que as Bacias PCJ precisam de vazões para garantia da sustentabilidade hídrica.

As contribuições feitas na audiência pública serão somadas às que já foram encaminhadas à CT-PB (Câmara Técnica de Plano de Bacias) para ajustes finais do relatório. E outras contribuições técnicas serão coletadas até a data.

“O Plano de Bacias é elaborado de forma democrática, e até o dia 28 nos propomos a ouvir apontamentos dos diversos setores interessados”, disse. “A água vai para a torneira das casas, mas também é essencial nas linhas de produção da indústria ou na irrigação das roças”.

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