A Polícia Federal de Campinas prendeu duas mulheres – uma em Hortolândia e outra em Indaiatuba – e cumpriu um mandado de busca e apreensão em Campinas, na Operação Caixa Forte 2, que apurou o pagamento de mesada a cerca de 200 integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que estão presos em presídios de segurança máxima. Considerada a maior operação contra a facção criminosa no Brasil, o comando coube à PF de Minas Gerais.
Foram expedidos 623 mandados judiciais (422 mandados de prisão preventiva e 201 mandados de busca e apreensão) em mais 76 cidades de 18 Estados, no Distrito Federal e no Chile, em operação deflagrada na manhã desta segunda-feira (31). Todos os mandados foram expedidos pela 2ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte (MG).
A PF mineira investigou tráfico de drogas e lavagem de dinheiro praticados pela organização criminosa com atuação em todo o território nacional. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 252 milhões do grupo. Foram identificadas contas onde eram feitos os pagamentos.
Como de praxe, a PF não detalhou o envolvimento das mulheres no grupo – se eram laranjas que emprestaram as contas bancárias para esquentar o dinheiro do tráfico ou se tinham cargos de liderança na facção, sob alegação de sigilo das investigações.
Esta operação foi realizada em conjunto com a FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado). Segundo a PF, os dados obtidos na Operação Caixa Forte fase 1 identificaram os responsáveis pelo “Setor do Progresso” da facção, que se dedica à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.
As investigações revelaram que os valores obtidos com o comércio de drogas eram, em parte, canalizados para outras contas bancárias da facção, inclusive para as contas do “Setor da Ajuda”, responsável por recompensar membros da facção criminosa, recolhidos em presídios.
A PF apurou, ainda, que 210 suspeitos desempenham as funções no alto escalão da facção criminosa, como a execução de servidores públicos. Todos cumprem penas em presídios federais. Os presos deverão responder por crimes de participação em organização criminosa, associação com o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas podem chegar a 28 anos de prisão.
ESCALONAMENTO
Em coletiva de imprensa, via Instagram, o coordenador da operação, delegado Alexander Castro, informou que havia um escalonamento na distribuição da mesada entre os integrantes da facção presos. Uma parte recebia “X”, os ocupantes de cargos de relevo, “2X”, e aqueles que cumpriram missões, como matar servidores públicos, policiais e juízes, recebiam “3X” de mesada.
Para garantir o recebimento do “auxílio”, os integrantes do grupo indicavam contas de terceiros não pertencentes à facção para que os valores, provenientes de atividades criminosas, ficassem ocultos e supostamente fora do alcance do sistema de justiça criminal.
Familiares desses integrantes também são investigados porque emprestavam as contas para depósito de quantias provenientes do tráfico para pagamento desses valores. Serão indiciados por lavagem de dinheiro, informou o delegado Castro. A PF e a Polícia Civil de Belo Horizonte têm comprovantes do início dos depósitos em janeiro de 2018.
A atuação da Polícia Federal é para desarticular a organização criminosa através da descapitalização, para enfrentamento do crime organizado por meio da abordagem patrimonial, além da prisão de lideranças. A ação envolveu cerca de 1,1 mil policiais federais.
Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 28 anos de prisão.
Os principais alvos foram no Paraná (100), Mato Grosso do Sul (90) e São Paulo (50). Mas a operação foi realizada ao mesmo tempo nos estados de Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, parte dos mandados também foi cumprida no Chile, mas este tentáculo da organização criminosa no exterior não foi detalhado, por estar sob sigilo.
BALANÇO
No final da tarde desta segunda, a força tarefa divulgou o balanço parcial da operação. Até as 18h foram cumpridos 305 dos 422 mandados de prisão e 202 mandados de busca e apreensão, e apreendidos quatro armas de fogo, R$ 2,17 milhões e US$ 730 mil, o equivalente a R$ 6 milhões, em Santos.
O coordenador da operação, Alexander Castro, informou que as forças policiais do País estão em alerta, para enfrentar possíveis retaliações da organização criminosa, para evitar o que ocorreu em 2006 em São Paulo, quando membros da facção mataram policiais, incendiaram ônibus e causaram pânico na capital e no interior, inclusive na Região Metropolitana de Campinas, em retaliação a transferência dos líderes da facção para presídios de alta segurança. “Estamos atentos à movimentação e realizando trabalho de inteligência em busca de pistas se algo vier a ocorrer”, informou o delegado.




