Poluição na represa do Salto Grande: MP propõe aprimorar tratamento de esgoto
O MP (Ministério Público) vai propor que seis cidades da região – Campinas, Valinhos, Paulínia, Atibaia, Vinhedo e Itatiba – adotem o sistema “terciário” de tratamento de esgoto para reduzir os níveis de poluentes na represa do Salto Grande, em Americana. Um relatório da Cetesb (Companhia Ambiental de São Paulo) aponta que esses municípios são responsáveis por 80% do fósforo e do nitrogênio despejados no reservatório. Os dois nutrientes são os principais responsáveis pela proliferação de plantas aquáticas no local.
“Apenas Campinas participou da última reunião que tivemos sobre a represa (na última semana). Vamos procurar os prefeitos e, depois, buscar uma reunião com todos”, afirma o promotor de Justiça, Ivan Carneiro Castanheiro, que investiga em inquérito civil a poluição na represa com o Gaema (Grupo de Atuação Especial na proteção ao Meio Ambiente) do MP.
Hoje, a maioria dos municípios adota o tratamento secundário dos resíduos, que tem um custo de implantação de estações cerca de 33% menor. No modelo terciário, que não tem exigência legal, são adotados processos específicos para a eliminação de poluentes.
Além do esgoto doméstico despejado, a represa recebe poluentes também da agricultura. “Adubos e fertilizantes usados em plantações de cana-de-açúcar acabam na Salto Grande por conta da chuva. É preciso fazer um manejo ou até aumentar a área de preservação para evitar isso”, completa o promotor.
SOLUÇÃO REGIONAL
No último dia 23, em reunião sobre o tema na Agemcamp (Agência Metropolitana de Campinas), o secretário de Meio Ambiente de Americana, Odair Dias, cobrou uma participação maior dos municípios que estão na área de influência da represa – e acima de Americana – nas discussões para a despoluição.
“As pessoas que mais deveriam ouvir e se engajar não estão aqui. É inadmissível o descaso que existe por parte dos outros municípios. A melhora na qualidade da água da represa é visível, necessária e as autoridades envolvidas tem conhecimento que devem se envolver e buscar resolver os problemas existentes”, disse Odair.
A represa está sob a responsabilidade da CPFL Renováveis, empresa que mantém uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica), abastecida pelo reservatório. Por conta da poluição, o grupo realiza um trabalho constante de remoção das plantas aquáticas que se acumulam no local.
Por Walter Duarte
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