Unicamp adquire terreno para ampliar moradia estudantil em 1,4 mil vagas
Área de 44 mil m², em Barão Geraldo, foi comprada por R$ 20 milhões**
A Unicamp formalizou nesta segunda-feira, 11, a compra de um terreno de aproximadamente 44 mil metros quadrados, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. O investimento foi de R$ 20 milhões, e o espaço será destinado à expansão do programa de habitação para alunos, que, segundo a universidade, passará pela maior ampliação desde sua criação no fim dos anos 1980.
Reitor destaca importância da expansão
O reitor da universidade, Paulo César Montagner, o Cesinha, exaltou a conclusão da compra da área e a expansão das vagas. “É um dia especial para a Unicamp. Nós já temos um programa de moradia estudantil desde o início dos anos 90, e já era um desejo da reitoria e da comunidade que nós pudéssemos ampliar esse processo, porque nós começamos essa discussão em janeiro de 2023, e estamos concluindo agora. Nós vamos iniciar rapidamente agora os projetos para que possamos fazer a construção de uma nova moradia com aproximadamente mais 1,4 mil vagas, para que a gente possa receber mais os nossos estudantes melhor.”
O terreno fica na Avenida Santa Isabel, uma das principais de Barão Geraldo, ao lado da estrutura já existente da moradia da Unicamp.
Negociação durou dois anos
O assessor docente da Reitoria, Roberto Donato, conduziu as negociações junto à empresa que era a proprietária da área, e deu mais detalhes sobre o andamento do processo. “Foi lento. Nós demoramos dois anos para fazer a aquisição, porque ele requereu uma série de etapas para o desenvolvimento. Primeiro, para a gente analisar a viabilidade da compra. Essa viabilidade é importante porque ela foi feita como uma compra direta. As condições do terreno, um terreno junto à própria moradia da Unicamp. Um terreno que tinha atividade industrial, então a gente precisava de uma série de pareceres de caráter ambiental para avaliar se estava tudo certo. E o próprio processo de convencimento da comunidade, da importância e da relevância de se adquirir esse imóvel”, explicou.
Espaço também abrigará atividades culturais
Metade do terreno será reservada para a construção das residências, e a outra metade deverá receber equipamentos para grupos artísticos de teatro, música e artes visuais, refeitório, áreas verdes para convivência, hortas comunitárias e campo de futebol.
O projeto inclui ainda um núcleo integrado de assistência ao estudante, reunindo serviços voltados à permanência universitária.
O terreno já possui algumas áreas edificadas, e o galpão existente será adaptado para as atividades culturais e de extensão previstas.
As obras da área já edificada devem ser concluídas em até 18 meses, enquanto a construção das novas residências tem prazo estimado de quatro anos.

Estudantes comemoram a iniciativa
A mestranda em Ciências Políticas, Carolina Gallina, vê a construção da nova área como um grande avanço. “Essa ampliação da nova moradia vai ajudar muito a política de permanência da universidade a ajudar os estudantes que estão chegando, e que não têm condições de estar se mantendo em Barão Geraldo a partir dos preços dos aluguéis. Então, que vêm de diversos lugares, de outras cidades, outros estados, e essa nova ampliação vai capacitar a Unicamp a distribuir ainda mais a política de permanência, a política de moradia, e diversificando ainda mais os nossos alunos aqui dentro da universidade.”
Estrutura atual e próximos investimentos
Segundo a Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (Deape), a moradia da Unicamp conta hoje com 226 residências e 27 estúdios para famílias. Além disso, 2.171 bolsas de auxílio-moradia subsidiam aluguel para estudantes sem vaga em Campinas ou matriculados em outros campi, atendendo ainda 100 famílias.
O programa é voltado a alunos em situação de vulnerabilidade social, residentes fora da Região Metropolitana de Campinas. Em 2025, a universidade destinou R$ 159 milhões para programas de inclusão e permanência estudantil.
Estudantes apontam problemas e cobram expansão em outros campi
Apesar disso, alguns dos estudantes que residem na moradia reclamam das condições estruturais do local. A reitoria afirmou que estuda realizar manutenções mais profundas no local a partir do momento em que as novas moradias forem entregues, permitindo a realocação temporária dos moradores.
Estudantes questionaram também a falta de moradias universitárias para os campi de Limeira e Piracicaba. “São coisas que estão amadurecendo por lá. Nós temos um programa de moradias lá, onde a gente oferece bolsas também, mas eles também reclamam um pouco disso. Nós também vamos iniciar estudos nessa direção”, comentou o reitor.
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