terça-feira, 17 fevereiro 2026

‘Zona vermelha’, RMC não deve ter seu isolamento alterado

O governo de São Paulo está classificando as regiões do Estado como zona vermelha (maior risco), amarela (risco elevado) e verde (menor risco) para determinar o ritmo da flexibilização do isolamento social, que deve ocorrer a partir do dia 11 de maio.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, as áreas metropolitanas de São Paulo, de Campinas e da Baixada Santista serão classificadas como regiões vermelhas e é muito improvável que se autorize qualquer abertura gradual na semana que vem.

“Em última instância, o comitê de especialistas, a ciência, é que vai decidir”, disse Vinholi, referindo-se aos 12 especialistas do Centro de Contingência da Covid-19, liderado pelo infectologista David Uip, que vai anunciar as mudanças na quarentena amanhã (8), ao lado do governador João Doria. “Mas na zona vermelha, é muito improvável haver alguma flexibilização”, disse.

Segundo Vinholi, os dados são inquestionáveis. “Esses locais passam por grande aceleração no número de contaminações, baixa taxa de isolamento e grande parcela da população faz parte do grupo de risco”, disse.

Na região amarela, onde o risco é um pouco mais baixo, estariam as regiões do Vale do Paraíba, Sorocaba, Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, mais distantes da Capital, e lá pode haver algum tipo de flexibilização.

Já as regiões na zona verde, que teriam risco um pouco menor e poderiam ter algum tipo de flexibilização, só serão anunciadas pelo centro de contingência amanhã (8). Talvez nenhuma região se encaixe na classificação de zona verde.

“A situação é muito preocupante no interior do Estado, há um avanço significativo da doença, o número de casos está crescendo quatro vezes mais do que na região metropolitana”, diz Vinholi. “Há 45 dias, só dez cidades paulistas haviam registrado casos; agora, são 354.”

O secretário aponta que, nos Estados Unidos, só houve flexibilização de isolamento depois de 14 dias seguidos de queda no número de contaminações pela Covid-19 e, na Nova Zelândia, após 18 dias. “Nenhuma região do Estado tem queda no número de casos”.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), cobrou empatia de Doria em relação à população que está sofrendo por causa das consequências econômicas.

Jonas, prefeito da maior cidade do interior paulista, afirmou que espera que o governador confie mais na avaliação dos prefeitos do Estado e anuncie amanhã o início da flexibilização da quarentena – do contrário, diz, será difícil manter o isolamento, porque a população já está esgotada.

“É o momento de ele (Doria) começar a ter um pouco mais de empatia com a camada da população que está sofrendo com (a quarentena); se ele chegar agora no dia 8 (amanhã) e disser que será estendido (o isolamento) até dia 30, vai ser muito complicado, vamos ter grandes dificuldades, porque a gente está vivendo em um Estado de Direito, e estamos cerceando os direitos das pessoas”, disse.

Segundo Vinholi, só existem dois métodos comprovadamente eficazes no combate à Covid-19 – isolamento social e uso de máscaras. “Em 22 de março, São Paulo respondia por 67% dos casos do País; hoje, por menos de 35%, graças ao isolamento”, diz.

DESOBEDIÊNCIA

Comerciantes de Campinas podem começar uma campanha de “desobediência civil” e abrir as portas à revelia do governo, caso Doria não anuncie o início da flexibilização do isolamento amanhã (8), diz Edvaldo de Souza Pinto, presidente do Conselho da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas).

“Será um caos se adiarem a flexibilização. Vai quebrar muita gente. Os lojistas estão cogitando partir para a desobediência civil e abrir as lojas de qualquer jeito”, diz Pinto.

Ele criticou o governador. “Havíamos ficado muito entusiasmados com o projeto de abertura apresentado pelo prefeito, todos os lojistas planejando a volta, e aí o governador jogou um balde de água fria.”

Associações da região descartam revelia

Nas associações comerciais da região, é consenso o desejo de reabertura do comércio, mas respeitando as decisões das autoridades responsáveis.

“Orientamos os associados a seguirem as autoridades. Porém, cada um tem liberdade de escolha do que deseja fazer. Preservamos ter uma conduta de seguir os caminhos legais. Seria a uma atitude reprovável se nós incitassemos a desobediência civil. Estamos na expectativa de estar entre os que poderão reabrir”, afirmou o presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), Wagner Ambruster.

João Batista de Paula Rodrigues, presidente da Acisb (Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara), afirma que a postura é de obediência.

“Vivemos a expectativa da abertura, mas não temos intenção de desobedecer, não pretendemos fazer isso. O prejuízo é muito grande, estão todos no limite, mas a princípio vamos obedecer o decreto do governo”.

Samuel Teixeira, presidente da Acino (Associação dos Comerciantes e Industriários de Nova Odessa), disse que não será tomada qualquer decisão antes do pronunciamento do governador.

“Entendemos que deveríamos respeitar a quarentena mas com os estabelecimentos abertos, com todas as medidas de segurança. Os comerciantes não têm mais como suportar essa situação”, finalizou.

A Acias (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré) respondeu que “está trabalhando para que a cidade seja elegível para reabertura”.

A reportagem não conseguiu contato com a Aciah (Associação Comercial e Industrial de Hortolândia).

Índice de isolamento na região se mantém abaixo dos 50%

O índice de isolamento social segue abaixo do necessário para flexibilização da quarentena na região. Atualização do Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo de São Paulo apontou ontem que os índices de terça-feira (5) mostram que Americana, Hortolândia, Santa Bárbara e Sumaré seguem abaixo da meta de 50%. Nova Odessa não está no levantamento do sistema, que atualiza os índices diariamente.

O governador João Doria (PSDB) declarou esta semana mais de uma vez que os municípios que não atingirem 50% de índice de isolamento social estarão automaticamente excluídos da flexibilização da quarentena.

Doria chegou a citar e alertar alguns municípios, dentre eles Americana, Santa Bárbara e Sumaré. Em todo o Estado, o índice foi o mesmo do dia anterior (segunda-feira, 4), de 47%. No domingo (3), o índice foi de 53%.

Em Americana, de domingo a terça-feira, os índices foram de 56%, 45% e 44%. Foi o único município da região que registrou queda percentual do índice, enquanto os outros manteram. Hortolândia registrou 60%, 48% e 48%. Santa Bárbara registrou 55%, 42% e 42% e Sumaré 56%, 42% e 42%.

*Com informações de Pedro Heiderich

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