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Cada um com seus cabelos – Parte 3

Hoje finalizamos o texto do amigo e cliente Marcelo Vieitz. Confira!

“É incrível como seu cabelo pode dizer muito sobre o mundo (porque ele reage). 44 anos. Já não tinha como atenuante a imaturidade, muito menos qualquer motivo pertinente à juventude. Há mais de 15 anos com o mesmo cabelo, acompanhado da mesma estética, sem incômodos, afrontas ou novidades. Não fui ingênuo, ponderei sobre o aceitável, verifiquei os modismos, procurando suprir minha necessidade sem “causar”, como dizem.

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Mesmo assim, o único coque samurai no meio de 150 pessoas gerou comentários, porém, muito mais eloquentes foram os silêncios e os olhares, as tentativas vãs de esconderem o riso, a reprovação ou qualquer negatividade. Numa fração de segundo isso era percebido. Aqui e ali alguma admiração verbal, inveja pela quantidade de cabelo ou pela quantidade de coragem. Vejam só, coragem. Isso denota que não estou sozinho em admitir que a questão não seja simplória. 

Precisamos de coragem para mudar o corte de cabelo, tamanha a pressão social, sorrateiramente camuflada por jargões do tipo “você é livre, seja como quiser”. 

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Seria cômico se não fosse frustrante. “Cuidado você aí. Se divertir com seu cabelo pode ser uma afronta aos bons costumes!”. É claro que para os “normais” às vezes isso parece invenção, a coisa toda fica mais nítida para os dissonantes. Numa sociedade cheia de véus, preconceitos, julgamentos e condenações, às vezes não são tão fáceis ter a devida cautela e suficiente coragem para lidar com o mundo. Mas há caminhos legais. 

Por exemplo, eu tenho a sorte de ter um cabeleireiro, que por acaso se tornou um amigo, que não por acaso é um excelente profissional. Ninguém melhor para me ajudar nesse diálogo, acrescentar ideias e sugestões, e esclarecer implicações, tanto estéticas como sociais, que só alguém com essa carga especializada de conhecimento e envolvimento com a área pode ter. 

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Ir até ele não é simplesmente cortar o cabelo. É algo divertido, é deliberar através de um complexo detalhe (o corte) que tipo de pessoa eu gostaria de ser nas próximas semanas. Se fosse possível sintetizar sua a sua ajuda (através de tantas conversas descontraídas) eu resumiria tudo neste fictício diálogo: 

Eu: “Então, eu queria fazer uma mudança radical no meu cabelo, mas tem um problema.” 

Marcelo Rodrigo: “Qual?” 

Eu: “O mundo.”

Marcelo Rodrigo: “De boa. Diga o que realmente quer e faremos de um jeito que o mundo perceba que o seu bem-estar é o melhor para ele.”

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