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Com o sentimento de dever cumprido

Omar faz um balanço de seus seis anos à frente da prefeitura e lamenta não ter terminado as obras do HM
by Pedro Heiderich

Depois de seis anos, Omar Najar (MDB) deixou a Prefeitura de Americana. Ele conversou com o TODODIA a três dias do fim do seu mandato e fez um balanço do que foi feito em suas administrações, recordando da situação crítica financeira do Executivo e das dívidas herdadas por outras administrações. O ex-prefeito fala em “dever cumprido” em relação à quitação de dívidas e em entregar a administração municipal melhor do que recebeu. Confira os principais trechos da entrevista.

As dificuldades

“Achávamos que a dívida da prefeitura era de R$ 700 milhões. Quando assumimos, descobrimos que era de R$ 1,2 bilhão e aí ficamos muito preocupados. Porque o município não tinha dinheiro nem para pagar gasolina da viatura da Gama. Tive de tirar do bolso para abastecer os veículos da Gama”, conta Omar.

Ele ainda citou a greve dos funcionários públicos, que já durava mais de mês. “Quando assumi, dia 9 de janeiro, tinha manifestação na frente da prefeitura. Reclamaram dos salários de dezembro, 13º, não tinham recebido nada. Era uma situação realmente de calamidade pública. Com lixo nas ruas, cobrança da CPFL que não tinha pago dívida de R$ 9 milhões de conta de energia, de captação de água do DAE (Departamento de Água e Esgoto)”, listou.

Arrumando a casa

Omar relatou que “devagarinho fomos negociando, fazendo”. Primeiro, se reuniu com os servidores. “Conversamos com a diretoria do sindicato e assumimos o compromisso de que até 30 de janeiro (em três semanas como prefeito), a gente ia quitar as dívidas e deixar os salários deles em dia. A gente sabe que o primeiro trimestre é a época que entra mais recurso pro município, devido a IPVA, IPTU, uma série de coisas”, explicou.

O ex-prefeito conta que por dois anos seguidos, o Executivo pagava a folha de pagamento dentro do mês, mas sempre com atraso.

“Fomos analisando e fazendo os cortes necessários. Tivemos que tomar medidas drásticas, inclusive com dispensa de funcionalismo. Nossa folha de pagamento era 73% da arrecadação, imagine só. Sobrava muito pouco para fazer os ajustes, pagar 25% da educação, 15% de saúde, enfim, manter a máquina em funcionamento”, relembrou.

“Tivemos que tomar essas decisões, que afetaram muita gente, muita gente achou que estávamos perseguindo ou alguma coisa. Encontramos a prefeitura super inchada, verificamos casos de funcionários fantasmas, tivemos que abrir sindicância. E foi essa nossa luta logo no início”, completou.

O Hospital Municipal

 Omar lamentou não ter terminado as obras do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. “Era um dos nossos objetivos, terminar o HM. Fizemos o pronto- -socorro, inauguramos a ala 1 e a ala 2. A ala 3 já existe previsão para o próximo prefeito seguir em curso. Infelizmente, devido a essa situação toda, mais a pandemia, não conseguimos entregar. Foi um ano muito difícil para o município”, lamentou.

Dever cumprido

O ex-prefeito destacou os investimentos de mais de R$ 100 milhões feito por sua gestão no DAE (Departamento de Água e Esgoto). E se disse satisfeito e com a sensação de dever cumprido após abater diversas dívidas do Executivo. “Acho que nunca existiu isso em Americana, vou passar a prefeitura com caixa de pouco mais de R$ 50 milhões graças à economia que foi feita”.

Omar disse que todos fornecedores foram pagos até terça-feira (29) e que o Executivo teve de pagar segunda (28) mais uma parcela de precatórios, de R$ 18,4 milhões.

“São dívidas de processos que estavam em andamento e foram suspensos na pandemia pela Justiça, mas exigiram que até o fim do ano fossem pagas. Se não, ia deixar R$ 70 milhões no caixa da prefeitura. E agora tem mais essas dívidas que vão recair sobre o novo governo, que terá que fazer um acerto com o chamado Depre”.

O chefe do Executivo disse estar com sentimento de dever cumprido. “Evidente que a gente queria fazer mais, mas não deu tempo.

Omar, que recebeu o TodoDia a três dias do fim do mandato, quer descansar Passamos por fases difíceis aqui na prefeitura. Teve a cassação da Dilma (Rousseff, presidente), por exemplo, com projetos em andamento. A gente tinha o financiamento da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Carioba quando cassaram a Dilma. O (Michel) Temer assumiu, mandou refazer tudo, estava na reta final e aí foi eleito o Bolsonaro, que suspendeu os projetos. O pedido está lá registrado para quem quiser verificar, insistimos para fazer a ETE”.

Omar ressaltou que “pelo menos fizemos a Estação de Tratamento da Balsa”, e que outros projetos foram conquistados com emendas parlamentares, com ajuda de deputados. Depois, falou de recuperações feitas.

“Tivemos a sorte, e isso vem de insistir, com deputados, amigos, até com o Temer quando era presidente, que Americana precisava de um Refis. Graças a Deus conseguimos aquele Refis de 200 meses e conseguimos acertar a vida da prefeitura”, recorda.

O ex-prefeito explicou. “Só com desencargos, Ameriprev, eram R$ 800 milhões que não tinham sido pagos pelo governo anterior e a gente estava em situação de inadimplência, sem nada para receber, recuso estadual e federal. Foi quase um ano e meio para deixar em ordem as certidões negativas de débitos”, contou.

“Quando pegamos a prefeitura, o Ameriprev tinha R$ 20 milhões em caixa e devia R$ 250 milhões para o INSS. Assumimos a dívida. Dos 200 meses para pagar, pagamos aproximadamente 40, tudo religiosamente em dia”, afirmou.

Omar ressaltou os feitos. “Satisfação muito grande de deixar a Ameriprev com R$ 100 milhões no caixa, e o DAE com R$ 40 milhões, com dinheiro para os investimentos necessários. Pegamos o DAE com dívida de R$ 35 milhões e uma série de problemas. O DAE tinha virado praticamente um banco da prefeitura, teve administração que chegou a sacar R$ 80 milhões quase, sem devolução. Eu peguei dinheiro do DAE, mas devolvi dentro do combinado, com juros e correção. Conseguimos sanar estes problemas e hoje a prefeitura cumpriu com a nossa obrigação, de pagar as dívidas contraídas”.

A equipe de Chico

Pouco depois das eleições, o ainda prefeito eleito, Chico Sardelli (PV), que teve apoio de Omar, declarou que ia mudar o secretariado. “Governo novo, equipe nova”, disse. Na semana passada, Chico anunciou os 19 nomes que vão compor o primeiro escalão da equipe e a lista tem seis secretários de Omar e nomes como os do ex-prefeito Erich Hetzl Júnior e do presidente da Câmara, Luiz da Rodaben (Cidadania).

Cinco destes seis nomes ficaram no mesmo cargo: Fernando Giuliani (Cultura), Adriano Camargo Neves (Obras), Angelo Marton (Secretaria de Planejamento), Carlos Zappia (diretor do DAE) e José Carlos Marzochi (Fusame). Vinicius Ghizini, atual secretário de Governo, será secretário de Educação.

Omar disse que não houve indicação e não quis avaliar os nomes escolhidos. “Foi tudo escolha dele. Não houve conversa, não falei nada. Foi decisão pessoal dele e da equipe dele. É direito dele escolher, não interferi em nada”, garantiu.

“Faço vozes para que ele e o Odir façam um bom governo, que sei que vão fazer. Porque Americana precisa de continuidade com todo este trabalho que nós fizemos. Ele (Chico) tem uma situação bem melhor do que encontrei quando assumi a prefeitura, mas não interferi em nada (sobre as escolhas para secretários)”.

Infraestrutura

Omar disse que, além da Saúde, por conta da pandemia, o setor que terá “mais trabalho” para o ano que vem é o de infraestrutura. “Temos um problema sério que é a troca de tubulação. Investimos no DAE, mas tem que investir muito dinheiro para trocar essas tubulações embaixo da terra e que causa desperdício de água. O Chico sabe disso e está preparado para fazer isso, fazendo um trabalho junto ao governo federal”.

Segundo o ex-prefeito, “existem hoje alguns projetos que podem ser feitos no fundo perdido do governo federal para infraestrutura, inclusive com troca de tubulação e saneamento básico”. “Isso é importante, tenho certeza que o Chico lutando ele vai conseguir vencer esta batalha da falta de água, que é um mal de Americana”, afirmou Omar.

Futuro político

 Depois de ter declarado recentemente que, “se precisar”, voltará a disputar o cargo para prefeito, Omar desconversou sobre o futuro político e disse que é hora de descansar.

“Não tenho nenhuma ideia do que vai ser feito. Lógico que eu tenho um carinho especial pela minha cidade, onde nasci, onde tem minha família, meus filhos, meus netos. Vou procurar ajudar com a maior seriedade, honestidade. No que eu puder ajudar, eu vou. Mas agora, não tem nada assim pensando em futuro na área política, não”, garantiu

“Estou no aguardo do que vai acontecer. Mas agora preciso descansar um pouco. Foram seis anos difíceis, mas graças a Deus conseguimos, com dificuldades, cumprir nossos objetivos”, completou

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