Campineira transforma pesquisa em coleção sobre imigração e legado italiano
Moradora de Pisa, Caroline Nunes lança o primeiro de 12 volumes sobre os desafios dos imigrantes e a influência de suas tradições no Brasil
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Nascida em Campinas, a jornalista e escritora Caroline Nunes vive em Pisa, na Itália. Após anos de pesquisa, ela publicou um livro sobre a imigração italiana no Brasil, com histórias de quem deixou a Europa em busca de melhores condições e da influência dessa comunidade na cultura e nos costumes brasileiros.
O primeiro volume integra uma coleção planejada em 12 livros e será lançado na semana do Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro. A proposta é abordar diferentes aspectos da presença italiana no país, das dificuldades enfrentadas pelos imigrantes às tradições transmitidas entre gerações.

Antes de publicar a obra, Caroline já pesquisava a história de imigrantes e de personagens que deram nome a ruas de Sousas, onde cresceu em contato com a comunidade italiana. Depois, a investigação sobre as próprias origens e o trabalho com processos de reconhecimento da cidadania ampliaram seu contato com relatos e documentos de várias famílias. “Faz muitos anos que eu estou envolvida e eu vi que eu tinha conteúdo e material suficiente para escrever um livro sobre a imigração italiana para o Brasil e essa influência que a gente tem no dia a dia, independentemente de ser descendente ou não de italiano”, afirma.
Promessas e dificuldades na chegada ao Brasil
A publicação aborda as condições encontradas pelos italianos que vieram ao Brasil em busca de trabalho e de uma vida melhor. Segundo Caroline, muitos chegaram com a promessa de receber terras, mas enfrentaram dificuldades nas fazendas e relações de trabalho que podiam mantê-los presos a dívidas. “Eles foram para o Brasil com uma promessa de ter terras, de ter trabalho, porque eles estavam passando por fome lá e, na verdade, eles foram para substituir os escravos”, relata.
Com a expansão da imigração, muitos italianos foram trabalhar nas lavouras, principalmente nas fazendas de café, durante a transição das relações de trabalho após a abolição da escravidão. As condições variavam, mas parte dos trabalhadores enfrentou exploração e dificuldade para conquistar autonomia financeira.
Com o avanço da industrialização, muitos deixaram o campo e buscaram oportunidades nas cidades, inclusive como operários. Outros conseguiram abrir negócios e construir novas condições de vida. Ao avaliar a dimensão dessa trajetória, Caroline concluiu que um único livro não seria suficiente para abordar a herança italiana no Brasil. “E aí, eu vi que um livro só não ia ser suficiente para contar toda essa história, que é muito rica”, explica.
Entre os temas previstos para os próximos volumes estão gastronomia, arquitetura, patrimônio histórico, moda, religião, vinho e linguagem. A coleção também terá uma publicação dedicada à história de Sousas e Joaquim Egídio. A escritora pretende lançar um novo livro a cada seis meses.
Pesquisa revelou histórias da família
Durante a investigação, Caroline encontrou informações que desconhecia sobre os próprios antepassados. A pesquisa identificou 12 variações do sobrenome da família nos registros consultados e revelou histórias que ajudaram a reconstruir trajetórias familiares.
O processo também trouxe episódios difíceis e experiências vividas por gerações anteriores. Reconstruir essas histórias exigiu envolvimento emocional da autora durante a pesquisa e a escrita. “E daí, cada um vem me contando um pedaço das histórias, e, assim, foi complicado, foi bem difícil, em alguns momentos, reconstruir tudo isso e aceitar”, conta.
Para Caroline, o maior desafio não foi apenas reunir documentos, mas lidar com o impacto dos relatos encontrados. A autora diz que se emocionou ao longo do processo de escrita e revisão do livro. “Eu me emocionei muito durante todo o processo de escrever, reler e corrigir e tudo mais, porque a gente acaba se emocionando. Tem muitas histórias muito tristes também”, afirma.
A busca pelas origens
Além de recuperar o passado, a obra relaciona a imigração de outras épocas ao movimento atual de brasileiros que buscam o reconhecimento da cidadania italiana. Caroline chama de “ponte invertida” o caminho de descendentes que procuram oportunidades de trabalho e estudo na Itália e em outros países da União Europeia. “Sim, eu cito isso no livro, que é a ponte invertida, né? Que é o que nós fizemos também e muitos estão fazendo, buscando esse reconhecimento da cidadania italiana para poder ter oportunidades diferentes, não só na Itália, mas na União Europeia”, explica.
Para acompanhar o trabalho da escritora e conhecer novidades sobre os próximos volumes, o público pode seguir o perfil @carolantunes.legadoitaliano no Instagram.
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