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TODODIA 3 de novembro de 2026
Cultura

Literatura: Anos de aflição

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Enquanto a Amazon se consolida como principal vendedor de livros do mundo, livrarias gigantes no Brasil pedem recuperação judicial. Desde 2010, o mercado de livros passou por profundas transformações, incluindo crises em editoras e livrarias, o fim da Cosac Naify e o surgimento de maneiras alternativas de leitura, como ebooks e audiolivros. A saga “Harry Potter” também chegou ao fim, e hoje pipocam poetas no Instagram. 

REVOLUÇÃO 

Nascida nos anos 1990, o conglomerado da Amazon se consolida como um dos principais pontos de venda de livros do mundo e chega ao Brasil em 2012, pondo em xeque o modelo de negócios das livrarias. 

CRISE 

Livrarias entram em colapso. A face mais visível é a recuperação judicial das duas principais redes, Cultura e Saraiva. Mas o IBGE aponta que apenas 17,7% das cidades brasileiras tinham livrarias em 2018 (em 2001, eram 42,7%). 

A crise também respingou nas editoras, que veem o número de livros vendidos despencar ano após ano. Até novembro de 2019, o faturamento encolheu 8,31% se comparado com o mesmo período de 2018. 

GIGANTES 

A Companhia das Letras se consolidou como o principal conglomerado editorial brasileiro, com 17 selos e uma série de fusões (a última delas com a Zahar, em outubro). Em 2018, a Penguin Random House assumiu o controle acionário majoritário do grupo. 

ALTERNATIVAS 

Outras formas de leitura surgiram, mas ainda sem resultados expressivos no Brasil. Nos Estados Unidos, os audiolivros geraram quase US$ 1 bilhão em 2018 e crescem a taxas de 25% ao ano (no Brasil, o formato começou a decolar em 2019). Já os ebooks se estabilizaram ao redor do planeta, mas aqui nunca atingiram vendas expressivas. 

INSTAGRAM 

As redes sociais criaram uma nova figura: os instapoetas, que escrevem na internet, mobilizam fãs e criam conteúdos para marcas. Com uma base consolidada de leitores, eles atingem resultados expressivos quando lançam livros. A indiana Rupi Kaur, por exemplo, vendeu 400 mil exemplares no Brasil, somando seus dois livros. 

AUTOPUBLICAÇÃO 

Com livrarias e editoras em crise e possibilidade tecnológica de editar e imprimir seu próprio livro em casa, a década foi de autores que mudaram a intermediação na relação com o mercado editorial e passaram a se autopublicar e a carregar suas obras embaixo do braço. Nunca se ouviu tanto aquela famosa frase: “Oi, você gosta de poesia?”. 

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Folhapress TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
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