segunda-feira, 5 outubro 2026
PROJETOS ESTUDANTIS

Alunos de Piracicaba vencem etapa regional do MPT na Escola e organizam simulação da ONU

Estudantes de duas escolas municipais foram reconhecidos por atividade de combate ao trabalho infantil; primeira edição do PiraMUN terá debates e negociações sobre desafios internacionais
Por
Paulo Eduardo Carlim

A rede municipal de ensino de Piracicaba conquistou três prêmios na etapa regional do Prêmio MPT na Escola 2026, iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) voltada à prevenção e ao combate ao trabalho infantil e à conscientização sobre os direitos de crianças e adolescentes. Os estudantes foram reconhecidos nas categorias música, desenho e poesia.

A Escola Professor Fábio de Souza Maria obteve duas das principais conquistas do município. A unidade ficou em primeiro lugar na categoria desenho, com o trabalho de Sophia de Oliveira Gonçalves, e também venceu na categoria música, com uma produção coletiva de Alice Barboza Santana, Clarice de Santana Macedo, Isaac Abrahão Ferreira, João Pedro Campacci Rocha e Miguel Mariano de Jesus.

A produção musical aborda os direitos das crianças e a importância de garantir uma infância protegida. Já o desenho de Sophia trata da realidade do trabalho infantil e da necessidade de proteger crianças e adolescentes.

Outro aluno da rede municipal também aparece entre os vencedores regionais. Enzo Gabriel Moreno Regonha, da EM Prof. Luís Cláudio Alves, conquistou o terceiro lugar na categoria poesia com o trabalho “A Vida de João”, que aborda o trabalho infantil e os impactos da atividade durante a infância.

Durante uma atividade promovida pela Secretaria Municipal de Educação, o estudante relatou ter aprendido que o trabalho infantil ainda existe e que crianças não devem ser submetidas a situações perigosas. Segundo a coordenadora da escola, Mariana Verdi, as atividades envolveram pesquisas, histórias em quadrinhos e outros materiais sobre o tema.

A proposta foi estimular o pensamento crítico dos estudantes e ampliar a compreensão sobre as desigualdades sociais e os direitos das crianças. Além dos três trabalhos classificados na etapa regional, João Lucas Caputo Lopes, da EM João Oriani, recebeu reconhecimento na fase municipal, na categoria conto, com o trabalho “Não ao Trabalho Infantil”.

Resgate à infância
O MPT na Escola integra o eixo Educação do projeto Resgate à Infância, desenvolvido pela Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância), do Ministério Público do Trabalho. Em 2026, a iniciativa recebeu trabalhos nas categorias conto, poesia, desenho e música.

O grupo destinado aos estudantes do 4º e 5º anos teve como tema o combate ao trabalho infantil. O outro grupo trabalhou questões relacionadas à profissionalização e à aprendizagem profissional. Em Piracicaba, as atividades também integraram a programação da Mostra “Olhares que Celebram Piracicaba”, realizada pela Secretaria Municipal de Educação.

A proposta do MPT é utilizar a educação, a arte e a produção cultural para estimular a reflexão sobre o trabalho infantil e fortalecer a proteção dos direitos de crianças e adolescentes. Os trabalhos classificados em primeiro lugar na etapa regional avançam para a fase nacional, cujo resultado será divulgado em outubro.

PiraMUN propõe simulação da ONU
Estudantes do ensino médio de Piracicaba e região vão trocar, por alguns dias, a rotina das salas de aula pela experiência de representar diferentes países em uma simulação da Organização das Nações Unidas (ONU). A primeira edição do PiraMUN, idealizada e organizada por alunos do Colégio CLQ, será realizada de 9 a 12 de outubro.

O evento pretende reproduzir, em ambiente escolar, parte da dinâmica dos organismos internacionais, colocando os participantes diante de situações que exigem pesquisa, argumentação, negociação e construção coletiva de propostas.

Durante o PiraMUN, os participantes serão distribuídos entre diferentes delegações e deverão representar os interesses dos países que lhes forem atribuídos. Para isso, precisarão estudar previamente a realidade política, econômica e social dessas nações e defender, nos debates, posições alinhadas à perspectiva de cada delegação.

A dinâmica exige que os estudantes apresentem argumentos, dialoguem com outros grupos, busquem pontos de convergência e participem das negociações. A proposta inclui comitês que simulam o funcionamento de estruturas da ONU e transforma o conhecimento sobre temas internacionais em uma atividade prática.

Além de estudar conceitos relacionados às relações internacionais, os alunos precisarão aplicá-los durante os debates e nas negociações com os demais participantes. O exercício também pretende desenvolver comunicação, oratória, capacidade de argumentação, pesquisa, trabalho em equipe, negociação e resolução de conflitos.

Projeto nasceu da experiência dos próprios estudantes
A criação do PiraMUN partiu de integrantes do ClubMUN, grupo formado por estudantes do ensino médio que já participam de simulações semelhantes promovidas por instituições como Harvard, Yale, FACAMP e SENAC. A partir dessa experiência, eles decidiram levar uma iniciativa semelhante para Piracicaba.

A primeira edição também foi concebida como uma oportunidade de reunir estudantes de diferentes escolas da cidade e da região. Os alunos não participarão apenas como delegados: estarão envolvidos na organização da própria simulação, em uma proposta de aprendizagem baseada em projetos.

Nesse formato, os estudantes precisam assumir responsabilidades, organizar atividades e aplicar conhecimentos em uma situação concreta. A participação em diferentes etapas do evento amplia o papel dos alunos dentro do projeto e aproxima a experiência da realidade de uma organização internacional.

Debate aproxima escola de questões do mundo real
A proposta do PiraMUN também acompanha a ampliação, no ensino médio, de atividades voltadas ao desenvolvimento de competências relacionadas à participação social e à compreensão de problemas contemporâneos.

Ao longo de quatro dias, os participantes terão contato com uma programação baseada na dinâmica das simulações diplomáticas, com momentos de debate, negociação e elaboração de propostas dentro dos comitês. Mais do que uma competição, o evento é apresentado pelos organizadores como uma experiência de diálogo e cooperação entre estudantes de diferentes escolas.

A expectativa é que os participantes terminem a experiência com maior familiaridade com temas da agenda internacional e com a vivência de situações que exigem escuta, argumentação, negociação e tomada de posição fundamentada. O PiraMUN coloca os próprios estudantes no centro da atividade: eles pesquisam, representam, argumentam, negociam e também ajudam a organizar o evento.

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