
O ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal Ricardo Salles (Novo) renunciou à candidatura ao Senado por São Paulo a uma semana das eleições deste domingo (4). A decisão foi anunciada no dia 28 de setembro, após uma disputa acirrada com outros quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas.
A saída do ex-ministro do governo Jair Bolsonaro ocorreu depois que o sistema eleitoral já havia sido preparado. Por isso, o nome e a foto do ex-candidato aparecerão normalmente para os eleitores no momento da votação.
Além disso, a campanha de Salles já havia recebido cerca de R$ 3 milhões em recursos públicos antes de ele informar a desistência. Ao abrir mão da candidatura, ele declarou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), que estavam à sua frente nas pesquisas e também são apoiados pelo governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A decisão foi anunciada em uma entrevista coletiva realizada em São Paulo, com a presença de Tarcísio, Derrite e Prado. O governador agradeceu ao agora ex-candidato por abrir mão da própria campanha para fortalecer os dois nomes da direita. “Muitas vezes a gente vê pessoas lutando por posições, lutando por cargos, lutando por destaque. E quando isso não ocorre, quando uma pessoa resolve abrir mão de uma posição, a gente tem que enaltecer. E hoje a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda a legitimidade para continuar na sua caminhada, tem trajetória, tem bagagem, tem história, dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar. Então, nesse momento, é o momento de somar, não é o momento de dividir”, afirmou Tarcísio.
Apoio a candidaturas de direita
Durante a coletiva, Tarcísio classificou a desistência de Salles como uma forma de reforçar as candidaturas de direita com maiores chances de vitória na disputa pelas duas vagas disponíveis para o Senado por São Paulo.
Segundo as pesquisas mencionadas no evento, as principais adversárias de Prado e Derrite eram Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), representantes do campo político oposto.
“É o momento da gente pensar um objetivo maior, que é vencer as eleições, que é ter dois representantes no Senado, que é entender o papel que o Senado vai ter, o papel moderador, o papel de restabelecer aquela missão de funcionar com um sistema de freios e contrapesos. Um papel que hoje foi perdido e a gente precisa realmente refigurar. E para isso nós precisamos da melhor representação. São Paulo precisa estar bem representado no Senado. Seria muito ruim que São Paulo tivesse candidaturas da esquerda chegando ao Senado Federal. E a gente precisa, então, unir em torno daquelas candidaturas que vão poder ser vitoriosas. A gente dá um passo muito importante, um passo fundamental, que é essa abertura de mão do Ricardo Salles e o apoio, agora, às candidaturas de Guilherme Derrite e André do Prado”, justificou o governador e candidato à reeleição.

Justificativa de Salles
Ao explicar a desistência, Ricardo Salles adotou argumento semelhante ao de Tarcísio e relacionou a disputa pelo Senado em São Paulo ao cenário da eleição para a Presidência da República. “Olha, nós estamos diante de um momento muito difícil para o país. Um risco enorme de nós continuarmos nesse projeto extremamente equivocado que está nos levando para o buraco. Aqui em São Paulo, graças à liderança do governador Tarcísio, nós estamos relativamente confortáveis com uma grande possibilidade, creio eu, de vencermos no primeiro turno. Então é importante (dar) sinais para a sociedade para a gente entender que o momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes têm que ser deixadas de lado justamente porque o risco de uma catástrofe numa reeleição do presidente Lula é muito grande. E o país não merece isso. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, enfim, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, justificou Ricardo Salles.
Ministro ficou conhecido por frase sobre meio ambiente
Ricardo Salles se tornou amplamente conhecido em abril de 2020, após a divulgação de um vídeo de reunião ministerial do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o então ministro do Meio Ambiente sugeriu acelerar a apresentação, a tramitação e a aprovação de leis ambientais mais brandas durante a pandemia de Covid-19.
Uma frase dita por Salles durante a reunião ganhou repercussão. Ele defendeu que fosse preciso “ir passando a boiada” para alterar regras do setor durante o lockdown, período em que haveria menor reação de entidades de defesa ambiental. “Então pra isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas. De Iphan, de Ministério da Agricultura, de Ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo. Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos”, afirmou Salles na reunião.
Salles pediu demissão do cargo de ministro em junho de 2021, dias depois de ser alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal. A ação fazia parte de um inquérito que investigava suspeitas de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando envolvendo agentes públicos e empresários do setor madeireiro.





