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Emoção marca início das assinaturas de contrato na Vila Soma

Moradores começam a formalizar a compra de lotes, última etapa da regularização da antiga ocupação
by Leon Botão
Os moradores do Residencial Vila Soma começaram a assinar os contratos de compra e venda dos lotes, último passo da regularização da área ocupada em 2012 e que, após nove anos, se tornará um bairro da cidade de Sumaré. Diante do longo período de espera e mobilização, a emoção tomou conta das famílias que já fizeram a assinatura.
A Vila Soma tem cerca de 10 mil moradores e é uma das maiores ocupações de moradia do Estado de São Paulo. Em 2019, após anos de embate judicial, as famílias assinaram um acordo com a empresa Fema4, que havia arrematado a área da massa falida da empresa Soma. No ano passado, diante do acordo, a ação judicial que pedia a remoção das famílias foi extinta no STF (Supremo Tribunal Federal), dando fim à batalha jurídica.
Na prática, agora, as famílias estão comprando a área, já dividida em lotes, sem envolvimento de verbas do município, Estado ou Governo Federal.
Nas ruas, o clima é de conquista da casa própria, segundo o coordenador da ocupação, Edson Gordiano.
“Estamos indo de casa em casa, convocando as pessoas que já estão com os documentos certinho, pra não ficar ninguém para trás. O pessoal está ficando muito emocionado, agradecem por tudo que a gente está fazendo, a luta e o sofrimento que a gente teve. Até arrepia a gente falar, a gente passou muitas coisas aqui para chegar num momento desses, reta final, ver a regularização acontecendo. A gente ter nossa moradia digna, certa, é a realização de um sonho”, relatou o coordenador, que é morador da Vila Soma desde 2012.

CARA E CORAGEM

A primeira moradora a assinar o contrato de compra e venda, que é o último documento a ser enviado para o cartório para a conclusão da regularização, foi Vanessa Fortunato Lino, de 35 anos, que vive na ocupação com o marido Willians e os três filhos. Sem conseguir pagar aluguel, ela se mudou para o local em 2014 com a família, quando a ocupação vivia períodos de tensão em meio a pedidos de reintegração de posse.
“Viemos com a cara e a coragem. Enfrentamos todas as dificuldades. Nessa época a gente ia para a passeata com as crianças, entendemos que naquele momento era necessário fazer essa luta. Desde pequenos, eles aprenderam que, se quisessem algo na vida, teriam que lutar”, contou Vanessa.
A moradora relatou que um dos filhos é cadeirante e que participou da maior passeata feita pelo movimento, uma marcha de 22 quilômetros pelas avenidas da cidade. “Meu marido foi empurrando ele e participamos do ato inteiro. A gente tem que agradecer quem estava no movimento, a gente às vezes não sabia os nossos direitos, mas eles faziam o extraordinário, de colocar no papel e fazer a lei se tornar realidade”, disse.
Por “eles”, Vanessa se refere a dois principais nomes: Willian Souza (apoiador do movimento e que hoje é vereador pelo PT e presidente da Câmara de Sumaré) e Alexandre Mandl, que é advogado das famílias. “Eu falo sempre para meus filhos se espelharem no Willian e no Dr. Alexandre, porque o estudo é tudo na vida”, resumiu.
Vanessa contou que, na assinatura do contrato, passou um filme em sua mente, relembrando toda as assembleias, e que sentiu muita emoção.
“A gente está muito feliz. Ainda tem um tempo pagando essas parcelas para ser nosso, mas eu já considero nosso, porque o tempo vai passar rápido. Minha casa ainda está nas paredes de madeira, mas já é o meu castelo. Agora a gente começou a fazer o alicerce. Estamos indo devagar porque está tudo caro, mas a emoção de assinar esse contrato foi muito grande.
Porque devido à pandemia, muita gente perdeu emprego, ficou sem trabalhar, mas graças a Deus conseguimos esse objetivo de pagar nossas parcelas sem atrasar”, contou a moradora.

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