Home Opinião Enem seriado vai substituir Saeb com tecnologia e acessibilidade

Enem seriado vai substituir Saeb com tecnologia e acessibilidade

by tododia

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou, em setembro, os resultados da edição de 2019 do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que apresentou melhora no desempenho para o ensino médio. Juntamente com as notas foi anunciado seu novo formato, a partir de 2021, que pretende aplicar provas em todas as séries da educação básica, a partir do 2º ano do ensino fundamental. Em 2021, já será aplicado o novo Saeb para a 1ª série do ensino médio, intitulada de “Enem seriado”. 

A proposta pretende reformular o modelo de vestibular tradicional, aplicado atualmente apenas para estudantes da 3ª série, e passa a incorporar provas do Saeb, que, além de auxiliar o estabelecimento de políticas públicas, passarão a ajudar os alunos a ingressar no ensino superior. E quais serão os benefícios? 

Em primeiro lugar, os estudantes ganharão uma nova alternativa para ingressar nas universidades que adotarem esse meio, uma vez as notas do Enem seriado não serão compatíveis, nem complementares, ao Enem tradicional, que continuará existindo paralelamente. Dessa forma, os candidatos terão mais alternativas para ingressar no ensino superior. Além das vagas diretas, o coeficiente de aproveitamento de cada aluno também poderá ser utilizado para inscrições em programas como o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), o Fies (Financiamento Estudantil) e o Prouni (Universidade para Todos), conferindo um ganho em acessibilidade que o Saeb não oferece atualmente. Outro ponto interessante que chega com a prova é a inclusão da tecnologia. A avaliação será aplicada, já para a 1ª série do ensino médio em 2021, em todas as escolas públicas e privadas brasileiras, por meio de tablets, pelo Inep na própria escola. A partir de 2022 ou 2023, o Inep prevê a aplicação dessas provas, já com questões com itens adaptativos. 

Isso significa que o estudante inicia a prova com questões fáceis, e, progressivamente, pode ir recebendo questões mais complexas, a depender do seu desempenho. Ao chegar a um nível com maior frequência de erros, o sistema interrompe a prova e informa a proficiência do aluno. 

Por fim, a forma em que o conteúdo será apresentado, alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular e do Novo Ensino Médio, também deve facilitar a preparação do estudante. Ainda que, até o momento, não haja definição das matrizes referenciais da prova, que devem ser divulgadas até fevereiro de 2021, o MEC propõe a aplicação da prova na 1.ª série, com o uso da Teoria de Resposta ao Item (TRI), similar ao Enem, apenas em língua portuguesa e matemática. Essas são mudanças previstas pelas autoridades, mas não temos garantia de que todas as universidades aceitarão o novo formato, uma vez que são autônomas. 

O exame, com aplicação nos três anos, reduz a pressão sobre o aluno. Agora, fica o desafio para o MEC de entender como interpretar os resultados dessa avaliação em duas dimensões, com objetivos distintos: aprovar o ingresso no ensino superior e ajudar na tomada constante de decisões de políticas públicas para as escolas brasileiras. 

 

Escrito por: Ademar Celedônio | Diretor de Ensino da SAS Plataforma de Educação  

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