domingo, 4 outubro 2026
CARREIRA NO AMADOR

Campeão pelo Santos e pela Seleção, Renato volta aos gramados no Gigantão

Aos 47 anos, ex-volante defende o Unidos do Mathiensen e mantém a rotina no futebol amador de Americana
Por
Diego Rodrigues

O Gigantão conta com um nome conhecido do futebol brasileiro nesta temporada. Aos 47 anos, o volante Renato, bicampeão brasileiro pelo Santos e campeão pela Seleção Brasileira, veste a camisa 8 do Unidos do Mathiensen no campeonato amador de Americana.

Revelado pelo Guarani, Renato construiu uma carreira profissional de 23 anos, com passagens por Santos, Sevilla e Seleção Brasileira. Depois de deixar os gramados profissionais, porém, ele não se afastou do futebol. Os jogos amadores passaram a fazer parte da rotina para manter a atividade física, cuidar da saúde e continuar praticando o esporte de que sempre gostou. “Depois que eu parei, acabei não parando também com o futebol. Tenho 23 anos de profissional. Para manter a forma, eu continuo brincando, tenho joguinhos que a gente faz”, contou.

Da segunda divisão ao Gigantão
A experiência em competições amadoras começou no ano passado, quando Renato aceitou o convite para defender o São Miguel, de Hortolândia. A equipe disputava a segunda divisão e conquistou o acesso à primeira divisão do campeonato municipal. O convite para atuar em Americana surgiu por meio de pessoas ligadas ao São Miguel. Renato diz que ficou feliz com a oportunidade e destaca a importância de dar visibilidade às competições para jogadores que ainda buscam espaço no futebol.

Segundo o ex-jogador, as transmissões de emissoras locais e canais do YouTube ampliaram o alcance dos campeonatos e podem abrir portas para novos atletas. “Hoje em dia, principalmente com as TVs locais e o YouTube, estão divulgando mais o que a gente fala da várzea, dando oportunidade para mais garotos, tendo visibilidade também”, afirmou.

Uma volta às raízes
A presença nos campos do futebol amador também desperta lembranças do início da carreira. Renato conta que começou a jogar em estádios mais simples e acredita que as condições encontradas naquela época contribuíram para o desenvolvimento de sua habilidade. “Voltar a esses campos remete à minha infância. Fico feliz, a gente passa um filme na cabeça”, disse.

Aos 47 anos, Renato reconhece que já não tem a mesma vitalidade de quando era mais jovem. Ainda assim, afirma que a satisfação de voltar a jogar compensa o esforço.

Além da disputa em campo, o ex-volante quer ajudar a aproximar o público das partidas. Ele destaca a presença de familiares e amigos dos jogadores e defende que a torcida acompanhe os jogos com respeito aos adversários. “Fico feliz de voltar aos gramados, que a gente sabe que é a raiz, e que o povo possa comparecer, possa torcer. O mais importante é ter o respeito”, afirmou.

Conselhos para quem sonha
A experiência acumulada no futebol profissional também se tornou uma ferramenta para orientar os jogadores mais jovens do Mathiensen. Para quem ainda sonha em chegar a um clube profissional, o conselho de Renato é não desistir.

Ele acredita que a maior exposição dos campeonatos amadores, principalmente com as transmissões pela internet, pode ajudar a revelar jogadores que ainda não tiveram uma oportunidade. “Se tem um sonho, acreditar no sonho e que possa ser uma realidade”, disse.

Renato também ressalta que não existe uma idade determinada para uma oportunidade aparecer. Na avaliação dele, jogadores que não se destacaram na infância podem encontrar espaço mais tarde. “Acho que no futebol nada é impossível. O mais importante é acreditar em si e correr para que esse sonho possa ser realizado”, afirmou.

O estilo de jogo no Gigantão
Quem acompanha o Mathiensen pode esperar do veterano algumas das características que marcaram sua carreira. Renato se define como um jogador de toque e lançamento e afirma que procura simplificar as jogadas. “O futebol é o simples, e às vezes para você fazer o simples é mais difícil. Então eu procuro sempre fazer o simples, sou um jogador de toque, de lançamento, não sou do drible”, explicou.

A estreia pelo Mathiensen terminou com vitória por 3 a 1 sobre o Faixa Preta.

A seleção de Renato
Durante a entrevista, o ex-volante também montou uma seleção particular com alguns dos jogadores que foram seus companheiros ao longo da carreira.

No gol, escolheu Fábio Costa. Cafu ficou na lateral direita, enquanto a dupla de zaga foi formada por Alex e pelo francês Julien Escudé. Para a lateral esquerda, o escolhido foi Léo.

O meio-campo teve Paulo Almeida como primeiro volante e Elano na segunda função. Mais à frente, Ronaldinho Gaúcho apareceu como responsável pela armação.

No ataque, Renato escolheu Robinho pela direita e Ronaldo Fenômeno entre os homens de frente. Luiz Fabiano e Ricardo Oliveira também foram citados como opções para atuar ao lado do ex-companheiro de Seleção.

Ao falar sobre Ronaldo, Renato relembrou os treinamentos com o Fenômeno e confirmou a fama do atacante como um jogador difícil de marcar. “Era assustador. Ele arrancava, treino contra a defesa era difícil de marcá-lo. É um cara muito diferente”, contou.

A conversa também trouxe lembranças do futebol de Campinas nos anos 1990. Revelado pelo Guarani, Renato destacou o papel do clube e da Ponte Preta na formação de jogadores naquele período.

Décadas depois do início da carreira, ele volta a um futebol mais próximo de suas origens. No Gigantão, o ex-volante troca os grandes estádios pelos gramados de Americana, mas mantém a ligação com a bola que o acompanha desde os primeiros passos no esporte.

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