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Internações sobem e acendem alerta

DRS-Campinas tem alta de 19% em internação por Covid-19; médico vê possibilidade de novo avanço do vírus
by Pedro Heiderich

O atraso na atualização dos dados referentes à Covid-19 no Estado entre 6 e 9 de novembro fez com que a taxa de novos casos na RMC (Região Metropolitana de Campinas) avançasse 384% na 46ª Semana Epidemiológica (de 8 a 14 de novembro), segundo nota técnica do Observatório PUC Campinas divulgada ontem.

Apesar das distorções causadas pelos números represados, os aumentos de 18% nas internações no Estado de São Paulo, e de 19% nas cidades ligadas à DRS-Campinas (Departamento Regional de Saúde de Campinas) sugerem mudanças no cenário da pandemia na região nas próximas semanas, aponta o estudo.

Os dados do Estado mostram que o aumento de 384,5% na RMC, resultante de 2,8 mil novas infecções no período, foi também evidenciado no DRS-Campinas, que teve alta de 350,8% depois de contabilizar 3.859 contaminações na semana passada (46ª Semana Epidemiológica). Campinas, com 764 casos, exibiu acréscimo de 255,3%.

Para o infectologista da PUC-Campinas André Giglio Bueno, a criação de uma base de dados municipal com estatísticas de atendimentos diários a sintomáticos respiratórios, e de internações, ajudaria. Ele diz que não há como ignorar o crescimento das hospitalizações em todo o Estado, levantando indícios sobre o avanço do vírus nos próximos meses.

“Devemos, portanto, seguir recomendando o máximo rigor na adesão às medidas de prevenção, como distanciamento físico, utilização de máscaras, higiene adequada das mãos e de superfícies, além de evitar exposição em ambientes fechados e com pouca ventilação”, reforçou o médico.

De acordo com o economista Paulo Oliveira, que coordena as análises referentes ao coronavírus pelo Observatório PUC-Campinas, o possível avanço da pandemia assusta trabalhadores acometidos pelo fechamento de vagas e diminuição da oferta de postos de trabalho no decorrer do ano.

Apesar da geração positiva nos últimos três meses, o saldo de emprego na RMC em 2020 segue negativo em 19,4 mil postos, segundo os últimos dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

“Os dados do mercado de trabalho preocupam e indicam a dificuldade de uma recuperação da economia que dependa do consumo das famílias, especialmente diante da possibilidade do fim ou redução dos programas de transferência de renda, como o auxílio emergencial”, diz Oliveira, reforçando que a retomada também depende da política de gastos públicos e da recuperação da economia internacional.

Taxa de ocupação de leitos ainda é baixa

A atualização da tarde de segunda-feira (16) do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) mostrou que o DRS Campinas tem 121.020 casos, com queda na variação mensal de 14,4%, sendo 3.727 óbitos, que tiveram queda na variação mensal de 55,7%.

Sobre internações, foram 57 novas na segunda-feira, apresentando queda de variação mensal de 24,5%. A taxa de ocupação de leitos Covid é baixa. De 33,8% nas UTIs e 25,3% nas enfermarias. A média é de 11 leitos de UTI de Covid por 100 mil habitantes.

Na região, as prefeituras informaram que não houve aumento nas internações por coronavírus.

A Prefeitura de Americana respondeu que, segundo os últimos levantamentos, “o número de internações em todos os hospitais do município tem permanecido baixo, variando entre cinco e sete pacientes em leitos de UTI e entre dez e 15 pacientes em leitos de internação, semanalmente. As medidas continuam sendo as mesmas em relação aos meses anteriores”.

A Prefeitura de Nova Odessa informou que até a tarde desta terça (17), a Unidade Respiratória do Jardim Alvorada operava com um paciente sob cuidados. O Executivo de Sumaré respondeu apenas que não houve aumento até o momento.

A Secretaria de Saúde de Santa Bárbara informou que as internações se mantêm estáveis. A ocupação de leitos de Covid ontem era de 38% dos leitos com respiradores e 54% dos leitos sem respiradores.

A secretaria diz que segue trabalhando “ininterruptamente” para reduzir o número de casos, internações e óbitos.

A Prefeitura de Hortolândia não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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