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Lázaro Ramos e um Brasil que expulsa os negros

Num futuro próximo, uma ex-motorista de táxi de 84 anos caminha até o banco para receber a primeira indenização do governo brasileiro por conta dos séculos de escravidão no país
by Folhapress
Num futuro próximo, uma ex-motorista de táxi de 84 anos caminha até o banco para receber a primeira indenização do governo brasileiro por conta dos séculos de escravidão no país. O filme “Medida Provisória”, estreia na direção do ator Lázaro Ramos, começa num embalo esperançoso, mas logo puxa o tapete do espectador para construir uma distopia sombria.
O longa foi exibido nesta semana no festival SXSW, o South by Southwest, que pela segunda vez aconteceu virtualmente. O lançamento do filme no Brasil está previsto para o segundo semestre.
“Medida Provisória” traz a atriz Taís Araujo e Alfred Enoch, ator britânico com raízes brasileiras, no papel de um casal no Rio de Janeiro em meio ao caos depois de um golpe racial no Brasil. No rastro de um fracassado programa de indenização aos negros, o governo cria o projeto “Resgate-se Já”, em que passa a pagar para pessoas de “melanina acentuada” irem morar na África de maneira voluntária.
“Para vocês que querem reparações sociais pelo tempo de escravidão, o governo vai oferecer uma oportunidade única de voltar para a África”, anuncia uma propaganda na TV, com um homem branco vestido de indígena. “Estamos num país livre, com direito de ir e vir e também de voltar. Pois, então, voltem.”
Em pouco tempo, porém, o projeto se transforma numa medida provisória, e forças armadas começam a caçar nas ruas qualquer cidadão com traços africanos para o mandar à força a países africanos aleatórios. É criado até mesmo o Ministério da Devolução, cuja funcionária mais exemplar é interpretada por Adriana Esteves, num papel que a atriz equilibra entre o cômico caricato e o assustador.
“Meu desejo é que o filme tenha a mesma trajetória do meu livro e da peça ‘O Topo da Montanha'”, diz Lázaro Ramos, lembrando o livro de memórias “Na Minha Pele”, de 2017, e a peça que ele dirigiu e encenou baseado em texto de uma autora americana sobre Martin Luther King. “Quero falar sobre esse assunto [racismo] sem vomitar nenhuma verdade e sensibilizar as pessoas, emocionar. Por isso que o investimento do filme é tão grande nos seus três gêneros, na comédia, no thriller e no drama.”

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