sexta-feira, 19 julho 2024

Abertura do comércio antes do dia 10 é descartada pelo Estado

O coordenador do Centro de Contingência do Estado de São Paulo no combate ao coronavírus, o infectologista David Uip, afirmou durante entrevista coletiva ontem que não haverá flexibilização do comércio em lugar algum do Estado até o dia 10 de maio, fim da quarentena.

“Tem ficado claríssima a posição do governo Estado de São Paulo. Não tem qualquer possibilidade de plano, de qualquer lugar, antes do dia 10 de maio”, disse.

A declaração acontece em meio a ações em cidades do Estado solicitando a antecipação da reabertura gradual do comércio. Outras cidades estão elaborando um planejamento para dividir a reabertura em etapas.

Campinas era umas da cidades que pretendia antecipar a reabertura. Na segunda-feira, o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou um plano gradual para a retomada do comércio e serviços a partir da próxima segunda (4). O material foi enviado para análise do governo estadual.

O plano conta com três fases, cada uma com 14 dias. A mudança de fase só será autorizada de acordo com a análise do comitê da prefeitura, que analisará a situação da doença na cidade e capacidade de leitos hospitalares. Na primeira fase serão realizados apenas atendimentos individuais e de pequena aglomeração.

Jonas declarou na ocasião que ia tentar fazer o governador João Doria (PSDB) entender que Campinas poderia servir de modelo no Estado. Ontem, Uip ressaltou a importância de Campinas participar do isolamento até o fim da quarentena.
A Prefeitura de Hortolândia informou segunda-feira (27) que estudava retomar o comércio gradualmente, uma semana antes do fim da quarentena estadual, também a partir do dia 4.

Segundo a administração, o comitê multidisciplinar formado por integrantes do Governo, Desenvolvimento Econômico, Saúde, Inclusão e Jurídico, cogitava a possibilidade.

“Os detalhes são confidenciais. Cada nova medida tomada será divulgado em nossas redes de comunicação oficiais”, informou, em nota, a prefeitura.

O prefeito Angelo Perugini (PDT) já declarou que não passará por cima do governo do Estado, mas revelou que o comitê já faz plano de reabertura do comércio e se prepara para a ocasião, podendo antecipá-la.

Em Nova Odessa, a prefeitura já prepara o plano de reabertura gradual. O plano vem sendo realizado por integrantes de diversas secretarias, como Governo, Desenvolvimento Econômico, Saúde e Assuntos Jurídicos, levando em conta aspectos como a situação de momento em relação ao coronavírus no município, e só será colocado em prática após o fim do decreto estadual.

A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste não se pronunciou, mas nas últimas declarações sobre o tema tem afirmado que seguirá o decreto estadual.

 

Americana tem manifesto em conjunto

 
A Prefeitura de Americana e entidades representativas da sociedade civil – como associações de classe e sindicatos empresariais – divulgaram ontem o teor de um manifesto encaminhado ao governado João Doria, reivindicando participar dos debates sobre medidas necessárias para a retomada das atividades econômicas na cidade, dentro do contexto de enfrentamento ao coronavírus.

No documento, os signatários reconhecem que a Covid-19 é uma doença gravíssima e que a prevenção, no momento, é a maneira mais eficaz de conter o crescimento desenfreado das ocorrências. Mas entende que existe um equívoco, por parte do governo, na forma com que a crise vem sendo tratada, sobretudo no Interior.

Tomando por base dados da Capital, diz o manifesto, o governo do Estado faz determinações restritivas para todos os municípios, sem levar em consideração caraterísticas específicas e números de cada cidade.

Em relação a Americana, informa o manifesto, a cidade conta com uma ala exclusiva para pacientes de Covid-19 no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, além de estrutura para hospital de campanha e 68 leitos com respiradores.

“Sob o risco do agravamento do desemprego, queda de receitas e danos irreparáveis à economia, a cidade vem sendo submetida a um regime de paralisia desproporcional aos problemas que enfrenta na saúde pública”, enfatiza o texto.
“Não faz sentido esvaziar os corredores comerciais, enquanto também os hospitais do município estão esvaziados”, continua.

O grupo solicita a interlocução com autoridades de saúde do Estado, com vistas a encontrar um meio termo que permita a retomada dos trabalhos com segurança. e que garanta, ao mesmo tempo, equilíbrio financeiro e saúde pública.

Assinam o documento o prefeito de Americana, Omar Najar (MDB), e representantes da Fiesp/Ciesp, Sinditec, Acia, Associação ação dos Engenheiros e Arquitetos de Americana e os sindicatos regionais dos contabilistas e dos comerciantes.

Acias leva plano à prefeitura

 
A Acias (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré) protocolou ontem, na Prefeitura de Sumaré, proposta que solicita oficialmente a abertura gradual do comércio da cidade. A sugestão é que a retomada das atividades ocorra em três fases, “respeitando as recomendações de segurança”.

Segundo a associação, caso a proposta seja aceita pela prefeitura, o início seria imediato. O documento contém 42 páginas e lista uma série de recomendações para a volta gradual das atividades comerciais.

O presidente da Acias, Juarez Pereira da Silva, explica que as fases podem ser suspensas ou retomadas de acordo com os índices da pandemia no município.

Na primeira fase, para atender ao público, o comércio em geral deverá: reduzir o horário de funcionamento e o quadro de colaboradores, mediante rodízio; obrigar o uso de máscaras de clientes e funcionários; controlar o acesso, com levantamento do nome completo, CPF e telefone; dispensar funcionários em grupo de risco; manter distância mínima de dois metros; um cliente por vez dentro da loja; proteção no caixa de pagamento; e demarcação de fila.

O plano prevê recomendações especiais para setores como academias, salões de beleza, clubes e restaurantes. É indicada ainda a criação de calçadões temporários, interrupção do trânsito nas vias principais do comércio ou redução do número de faixas para alargar as calçadas, além da prorrogação do vencimento dos impostos e isenção de taxas de funcionamento e publicidade.

Juarez reforça que o documento foi elaborado com base nas informações sanitárias da Prefeitura de Sumaré. “A intenção não é desrespeitar o Estado, mas propor algo diferente. Temos recebido manifestações favoráveis à reabertura do comércio e elaboramos um plano para garantir a flexibilização com segurança”, disse.

No Estado de São Paulo, a quarentena começou no dia 24 de março, foi prorrogada duas vezes e segue até o dia 10 de maio. Em Sumaré, decreto municipal determinando a quarentena foi assinado no dia 20 de março.

A prefeitura declarou ontem que segue o decreto estadual, conforme determinado pelo Ministério Público, e aguarda as orientações do Estado. “Novas informações serão divulgadas assim que disponíveis”, disse.

O prefeito Luiz Dalben (PPS) disse neste mês que estava elaborando um plano de reabertura do comércio para enviar ao governo do Estado e sinalizou que tem interesse em reabrir o comércio no município o mais rápido possível, mas que não quer passar por cima da autoridade estadual.

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