A Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Americana está à frente de uma investigação que resultou na apreensão de dois helicópteros avaliados em R$ 13 milhões. E continua a apurar o envolvimento de seis integrantes de uma organização criminosa que utiliza a rota de tráfico internacional de drogas Paraguai, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As aeronaves foram apreendidas nos aeroportos de Piracicaba e em Carapicuíba, na Grande São Paulo, na última segunda-feira (27). Dois homens com idades de 22 e 34 anos pilotavam as aeronaves e vão responder a inquérito policial em liberdade.
Os detalhes da operação foram revelados em coletiva de imprensa com a delegada seccional de Americana, Marta Rocha de Castro, e com o delegado titular da Dise, Luís Carlos Gazarini, na tarde desta quarta-feira (29).
COLETIVA | O delegado da Dise, Luís Carlos Gazarini, e a delegada seccional Marta Rocha (Foto: Ernesto Rodrigues | TodoDia Imagem)
Segundo a delegada seccional, as investigações sobre tráfico internacional de drogas e transporte de dinheiro partiram da Dise e envolveram o Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) do Deinter 9 (Departamento Estadual de Polícia Judiciária do Interior).
Toda a investigação começou a partir da hangaragem de uma dessas aeronaves no Aeroporto Municipal de Americana, em dezembro do ano passado. Gazarini explicou que a equipe acompanhava os planos de voos diariamente e traçou os percursos feitos no interior. Na rota estavam São Paulo, Assis e Presidente Prudente, por exemplo.
Depois de uma tentativa frustrada de abordagem do helicóptero no dia 20 de julho, os policiais tiveram sucesso em prender o piloto da aeronave modelo Robinson 66, avaliada em R$ 3 milhões, em Piracicaba, no último dia 27. O helicóptero Pelicano da Polícia Civil foi determinante para a prisão.
Com o suspeito foram apreendidos R$ 5 mil, que era parte do valor pago pelo serviço. O detido, que não tem formação de piloto, disse que foi contratado para ir para Mato Grosso pegar US$ 50 mil (R$ 258,5 mil na cotação desta quarta) em uma caixa no meio de um canavial e transportar o dinheiro até Bauru, no interior de São Paulo.
Este helicóptero foi encaminhado ao Aeroporto Municipal de Americana, onde a perícia comprovou vestígios de cocaína no banco traseiro. Esta aeronave realizou um pouso em uma fazenda antes de chegar em Piracicaba.
Na sequência, o helicóptero policial Pelicano acompanhou a segunda aeronave, que fazia voo de baixa altura, operando na região do aeroporto de Piracicaba, sem autorização. Essa aeronave, modelo Esquilo AS350B, foi localizada em um hangar particular em Carapicuíba, na Grande São Paulo, mas o piloto escapou da prisão. Contudo, a Dise tem a identificação do envolvido. A aeronave foi adquirida por R$ 10 milhões, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
DNA
Essa segunda aeronave apreendida está passando por uma perícia aprofundada. Segundo Gazarini, a suspeita é que seja usada para transportar pessoas do alto escalão da organização criminosa. Por isso, está sendo feita uma perícia minuciosa das impressões digitais e estofamento para apurar vestígios de cocaína e até mesmo exames de DNA de possíveis tripulantes e passageiros.
Aeronave apreendida na operação (Foto: Divulgação)
Dentro da segunda aeronave foi encontrada uma caixa do serviço dos correios constando como destinatário o piloto do outro helicóptero abordado e o nome de outro homem no remetente. O objeto acompanhava o comprovante de recebimento e carregadores de telefone via satélite.
Esta segunda aeronave permaneceu no hangar da Polícia Civil no Campo de Marte, na zona norte da Capital.
Investigações da Dise apontam que os aeroportos de São Pedro, Piracicaba e Americana eram usados pela quadrilha antes de seguir viagem para a capital paulista.
CONTRAVENÇÃO
Outro desdobramento do caso será junto à Anac (Agência Nacional de Aviação). Isso porque o piloto detido não tem brevê para comandar helicópteros. E isso caracteriza contravenção penal, segundo o delegado Luís Carlos Gazarini.
O acusado iniciou o curso em 2016, mas não concluiu. O piloto, que escapou da prisão, tinha brevê e será investigado porque os voos eram marcados em seu nome.
O piloto profissional também pode sofrer penalidade administrativa por parte da Anac, disse Gazarini.
INVESTIGAÇÕES AINDA ESTÃO NO INÍCIO
As investigações ainda estão no início. Os seis investigados por formação de quadrilha residem em cidades de quatro estados: São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
Uma das aeronaves estava no nome de uma empresa em São Paulo e outra em nome de uma pessoa de Minas Gerais. Segundo o delegado Luís Carlos Gazarini, um dos envolvidos tinha como profissão lavrador e outro tem sete empresas, mas consta que seria cabeleireiro.
Como as investigações são preliminares, ainda não é possível precisar a quantidade de drogas movimentada pela quadrilha.
Contudo, Gazarini acredita que era feito o transporte de cocaína pelo menos uma vez por semana em três aeroportos usados pela quadrilha.
A intenção das apurações é descobrir o destino final da droga, quais pessoas cederam seus nomes para comprar as aeronaves, quem vendeu os helicópteros e a movimentação financeira desta quadrilha.
PISTAS E LOCAIS
Outra linha de investigação será sobre a utilização de pistas de pouso e decolagem não oficiais usadas no abastecimento das aeronaves e também quais locais eram utilizados para descarregar a droga.
AEROPORTO DE AMERICANA ESTÁ NA MIRA
O Aeroporto de Americana também está na mira da Dise por estar na rota do transporte de drogas para outras regiões do Estado. Mas, segundo o delegado Luís Carlos Gazarini, os presos nos últimos anos não têm qualquer ligação com esse bando identificado agora.
Em um dos casos, em 29 de abril de 2018, a Dise apreendeu duas aeronaves suspeitas de lavagem de dinheiro no Aeroporto de Americana. O avião e o helicóptero foram localizados no Aeroporto Municipal a partir de uma investigação, após a apreensão de 458 kg de cocaína em outro avião no Amazonas, no dia 23 de abril. As aeronaves pertenciam a um empresário que tem um hangar na cidade.
Na ocasião, foram apreendidos um helicóptero modelo Robimson R44 II, prefixo PT-RGD, que havia sido adquirido por R$ 600 mil, e o avião Cessna Aircraft 402, prefixo PP- -ATT, com capacidade para transporte de seis passageiros, comprado por R$ 400 mil.
MEDIDAS
Até por causa dessa investigação, a Dise havia proposto à Prefeitura de Americana medidas para aumentar a segurança e o controle de tráfego das aeronaves. Já o aeroporto de Piracicaba foge da alçada da delegacia especializada de Americana.
Publicação atualizada às 23h para acréscimo de informações




