Um jovem de 18 anos foi esfaqueado dentro de sala de aula na noite de quarta-feira (19), na Escola Estadual Heitor Penteado, em Americana. O autor da agressão, de 36 anos, foi preso e a vítima está hospitalizada em estado estável. O incidente causou pânico entre estudantes e o clima de insegurança toma conta de um dos mais tradicionais colégios da história de Americana, ainda mais por ocorrências recentes no local.
A tentativa de homicídio se junta a outras ocorrências recentes na escola. Em setembro do ano passado, um menino de 11 anos foi furado no pescoço com a agulha de uma seringa durante uma aula. Em maio de 2019, um aluno foi preso por tráfico de drogas dentro da escola.
Estudantes entrevistados pela reportagem relatam sentir medo. “Não tem como não se preocupar, né? A gente vem aqui para estudar, para aprender. O medo toma conta”, relata aluna de 19 anos.
Segundo a estudante, toda a escola está chocada com o ocorrido. “Foi assustador ontem. Agora a insegurança é total, todos estão com muito medo”.
Outro estudante, de 22 anos, revela que muita gente foi embora correndo e que pensou em nem vir para a aula.
“Se aconteceu uma vez, pode acontecer de novo. Estamos tensos, alunos e professores”. Por questões de segurança, os estudantes não quiseram se identificar.
Os dois alunos envolvidos no crime estão no segundo ano do ensino médio do EJA (Ensino para Jovens e Adultos).
O CASO
O homem de 36 anos esfaqueou outro aluno de 18 anos nas costas no momento em que este se levantou da carteira, no meio de uma aula, às 20h40.
Ele ainda correu atrás da vítima, que tentou fugir após ser atingida. Um professor conseguiu deter o agressor e encontrou uma segunda faca na bolsa dele.
De acordo com a polícia, a vítima teria gravado um vídeo de teor homofóbico com cenas íntimas do autor, o que teria motivado o crime. Ele assumiu a autoria para o professor na escola, e depois na delegacia.
A vítima foi levada pelo Corpo de Bombeiros por volta das 20h para o Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. O paciente foi atendido pela equipe da emergência, recebeu todos os cuidados necessários e foi transferido para a ala de observação. Seu estado de saúde é estável e ele não corre risco de morte.
Na delegacia, após assumir o crime, o homem foi preso em flagrante por tentativa de homicídio. Ele alegou ter sofrido bullying da vítima, que teria publicado um vídeo íntimo dele nas redes sociais. A polícia destacou no registro que o crime foi premeditado, pois o autor levou duas facas para a escola.
AGRESSOR É MANTIDO PRESO
O estudante que esfaqueou o aluno passou ontem por audiência de custódia na Justiça, que decidiu que ele permanecerá preso. A defesa do acusado pediu a liberdade provisória, alegando que ele sofre de crises graves de epilepsia que acarretam em transtorno de ansiedade e fobia social.
Os advogados pediram a instauração de incidente de sanidade mental para atestar sua higidez mental e consequentemente sua internação clínica, “baseando-se em documentos comprovando que faz uso de medicamentos contínuos e acompanhamento com médicos especialistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)”.
O juiz converteu a prisão para preventiva e acolheu o requerimento alternativo formulado para defesa para perícia.
O homem foi levado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana e será mantido em local distinto dos demais presos.
Ainda em nota, os advogados disseram não concordar com a decisão “em razão da ausência dos requisitos da prisão preventiva e da inexistência de local adequado dentro do sistema penitenciário”.
SURPRESO, DIRETOR VÊ CASO ISOLADO
O diretor regional de ensino de Americana, Haroldo Ramos Teixeira, considerou uma grande surpresa a tentativa de homicídio ocorrido dentro de uma sala de aula na noite de quarta-feira (19), na Escola Estadual Heitor Penteado, em Americana.
“O aluno que agrediu é novo, um adulto, estava havia poucos dias na escola. Ninguém imaginava, não teve um sinal, de briga, ameaça”.
O diretor relatou que a PM (Polícia Militar) esteve na escola pela manhã e que deve fazer patrulhas através da ronda escolar, que passa diariamente na escola.
Outras medidas segundo Teixeira são de prevenção à violência. “Temos um trabalho de construção da cultura da paz, de prevenção, que registramos acontecimentos para melhorar a convivência e proteger a comunidade escolar, para aprendermos a lidar com diferenças, intolerância, com o bullying”.
Segundo Teixeira, o Heitor Penteado tem um conselho escolar, composto por pais, professores, alunos e gestores, que decidirá se o aluno pode voltar à escola caso seja solto. “O conselho tem autonomia para decidir esta questão. Vão se reunir e esperar o que vai acontecer”.
O diretor de ensino considerou o incidente como um alerta. “Ainda não sabemos ao certo o que aconteceu, mas EJA ter caso de bullying foi outra surpresa para a gente. Precisamos de medidas preventivas. Mas é um caso isolado”.
Teixeira diz que todos, pais, professores e alunos estão com medo. “Foi um choque para todo mundo. Contamos com o apoio das famílias e dos pais”.
‘INIMAGINÁVEL’, DIZ EX-ALUNO DO KENNEDY
Aluno de outros tempos, quando o Heitor Penteado era o Instituto de Educação Estadual Presidente Kennedy, o radialista e locutor Edmilson Barbosa, 58, diz que em sua época a escola não era palco de crimes, medo e insegurança.
“Na minha época era tudo diferente. Várias gerações da cidade de Americana passaram por lá, uma escola muito boa. O que está acontecendo é inimaginável. Está tudo abandonado, não só no Heitor. É só ver o que aconteceu. Imagina só, facada dentro da escola?”, questiona o ex-aluno.
ALUNA É AGREDIDA POR DUPLA EM SUMARÉ
Também na quarta–feira (19), mas durante a tarde, uma adolescente de 15 anos foi agredida por duas irmãs de um colega na Escola Estadual Wadih Jorge Maluf, no Santa Clara, em Sumaré.
Segundo a polícia, a família da vítima relatou que ela foi assediada por um estudante dentro da escola. A vítima gritou com o jovem. As irmãs dele souberam e agrediram a adolescente no pátio da escola.
A vítima levou socos na cabeça e puxões de cabelo, sofreu ferimentos nas costas e nariz, mas passa bem Em nota através da Secretaria Estadual de Educação, a Diretoria Regional de Ensino de Sumaré declarou que repudia “toda e qualquer forma de agressão e violência, principalmente dentro do ambiente escolar”.
Um supervisor foi encaminhado à unidade para acompanhar o caso. Os responsáveis pelo aluno já foram até a escola e os responsáveis pela aluna também foram chamados, assim como o Conselho Tutelar. O Conselho Escolar tomará as medidas cabíveis.
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