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O show não pode parar

Artistas que perderam fonte de renda com a quarentena se viram como podem para pagar as contas
by Gisele

O show não pode parar. Mas sobreviver no mercado das artes é muito difícil nestes tempos de pandemia. Cantores, músicos, atores e bailarinos, por exemplo, tiveram de deixar os palcos, por conta das regras decretadas de isolamento social. Sem contratos de trabalho, muita gente perdeu a principal fonte de renda e precisa ser criativa para pagar as contas no final do mês.

Ainda que o governo federal tenha anunciado na quarta-feira a liberação de recursos emergenciais para o setor, que serão distribuídos entre estados e municípios, as pessoas não podem esperar: cada um se vira como pode e sobrevive com dignidade, mesmo que em atividades diferentes.

DONUTS

Gabriel Cordeiro de Oliveira, por exemplo, dj e produtor de eventos. Americanense, ele animava a noite na região toda. Sobrevivia da arte e até fazia a abertura para os shows de bandas badaladas. Colocava fogo nas pistas lotadas. Mas o coronavírus acabou com os contratos.

Hoje, ele e a estudante Laís Mendes prepararam donuts para vender. Foi a moça quem teve a ideia do novo empreendimento. E eles estão adorando a empreitada. O dote culinário de antes virou ganha-pão, até que a situação mude. Mas o rapaz é garoto de tudo – 22 anos – e nem pensa em deixar a antiga profissão. Por enquanto, ele se diverte lidando com as panelas.

TEATRO FECHADO

Carlos Justi fundou o Fábrica das Artes há 19 anos. O teatro é mantido basicamente pelo trabalho voluntário dos próprios artistas, que se revezam nos serviços de manutenção, por exemplo. O que ninguém esperava era que a agenda lotada, com 12 peças definidas, fosse parar na gaveta por tempo indeterminado. O espaço precisa de dinheiro para pagar sete funcionários contratados, como os professores do curso de teatro, que segue de maneira virtual. O que não continua é a participação dos alunos, que despencou pela metade.

De acordo com Justi, a Fábrica sobrevive, bravamente, dos recursos que ainda tem em caixa, decorrentes de financiamentos públicos para projetos culturais. Não se sabe por quanto tempo. A classe artística reza para a pandemia passar. Hoje, as portas do teatro estão fechadas.

SILÊNCIO

Rodrigo Barros já foi cozinheiro de hotel. Tinha emprego e situação tranquila, quando resolveu jogar tudo para o alto e viver do que gostava: tocar guitarra. Começou a fazer parte de bandas e se apresentar por todo canto, principalmente em bares. Por sorte, nestes tempos de coronavírus, ele consegue ganhar um dinheirinho alugando o estúdio que tem em casa para a produção de jingles comerciais.

Ah, sim, a ajuda emergencial o governo seria bem-vinda. Mas ele é cético. Fala da dificuldade histórica do poder público em fiscalizar a distribuição dos recursos, e dos empecilhos burocráticos de um projeto que não deve contemplar as pessoas que mais precisam, aquelas com contrato informal, que não conseguem comprovar a atividade.

FORMAÇÃO

O Teatro da Quebrada nasceu no Conjunto Habitacional Roberto Romano, em Santa Bárbara d’Oeste, para revelar talentos. Mas o grupo suspendeu as atividades de formação com a pandemia. E o ator Jotapê Antunes, de 29 anos, só consegue sobreviver porque firmou contrato no começo do ano para trabalhar como arte-educador em um colégio privado. Há dez anos ele lecionava na rede pública e se apresentava nos palcos. Para ele, as lives devem se tornar mais comuns a cada dia, ainda que as pessoas estejam afastadas do calor da plateia. Por enquanto, ele explica que os grupos precisam dos recursos públicos para a manutenção dos projetos.

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