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Padrasto e mãe são presos por morte de Henry

Vereador Jairinho é acusado de ter assassinado menino há um mês e Monique Medeiros, de ter se omitido
by Folhapress

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta quinta-feira (8) o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), e a namorada dele, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, 4, morto no dia 8 de março na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca. Os mandados de prisão temporária, com duração de 30 dias, foram expedidos pelo 2º Tribunal do Júri da Capital. Eles foram detidos pelo delegado responsável Henrique Damasceno e outros agentes em uma casa em Bangu, também na zona oeste, e recebidos com gritos de “assassinos” na porta da delegacia.

O delegado titular da 16ª Delegacia de Polícia Henrique Damasceno disse em entrevista que Jairinho assassinou Henry. Segundo o delegado, a investigação continua, mas já existem provas suficientes para assegurar que a morte do garoto não foi um acidente, e sim um crime duplamente qualificado com emprego de tortura e sem possibilidade de defesa da vítima.

De acordo com o delegado, até o momento, não há possibilidade de garantir que a mãe da criança participou das torturas, mas Damasceno acrescentou que Monique foi omissa em não procurar a polícia para relatar uma agressão ocorrida no dia 12 de fevereiro, dentro do apartamento do casal. Conforme o delegado, a agressão ficou evidente em troca de mensagens entre Monique e a babá de Henry, Thayná, recuperadas pela polícia com a utilização do software israelense Cellebrite Premium (Veja trechos da conversa ao lado).

A suspeita é de que o casal teria tentado atrapalhar as investigações após assassinar a criança, que já teria sido submetida a torturas antes, no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto desde janeiro.

As mensagens foram fundamentais para determinar a prisão do casal nesta quinta-feira. A aquisição do software vinha sendo pedida pela polícia há dois anos e foi autorizada pelo governador em exercício Cláudio Castro (PSC) durante as investigações.

MENSAGENS

Nas mensagens, que tinham sido apagadas do celular de Monique, a babá informou que o menino foi trancado no quarto por Dr. Jairinho e naquele momento sofria agressões. A mãe então pediu para que ela entrasse no quarto, o tirasse de lá e desse um banho para ele ficar mais calmo. A babá contou ainda que o menino relatou que levou “uma banda” do padrasto e que pediu para que a sua cabeça não fosse lavada, porque sentia dor. Henry falou ainda que tinha dores no joelho.

Jairinho ligou para diversas autoridades depois da morte. Uma delas foi o próprio governador em exercício Cláudio Castro, que diz apenas ter respondido que a polícia cuidaria do caso. Naquela madrugada, o vereador contatou um alto executivo da área de saúde para tentar impedir que o corpo fosse encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal), como publicou o jornal O Globo.

PAI

Após as prisões, a reportagem procurou o pai de Henry, Leniel Borel, mas seu advogado disse que ele “não tem condições [de falar]”. À TV Globo o engenheiro disse que estava passando mal e afirmou: “Essa infeliz matou meu filho. Meu filhinho deve ter sofrido muito”.

Na madrugada desta quinta, antes de saber da prisão, Leniel publicou um vídeo do menino nas redes sociais. “Desculpe o papai por não ter feito mais, lutado mais e protegido você muito mais. Confiamos que Deus fará sobressair tua Justiça como a luz”, escreveu.

DEFESA

O advogado do casal, André França Barreto, afirmou que os clientes não têm nada a esconder sobre a morte do menino e que reafirmam inocência. “Sempre reafirmaram a inocência, acham uma injustiça”, disse.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro informou que Jairinho teve sua remuneração imediatamente suspensa. O regimento interno da Casa prevê que o vereador que tiver decretada sua prisão ficará automaticamente afastado do exercício do mandato a partir do trigésimo primeiro dia.

O Conselho de Ética da Câmara vai se reunir para tratar do caso e deve pedir o afastamento de Jairinho do grupo. O vereador suplente Luiz Ramos Filho (PMN) vai assumir sua cadeira. “O caso é extremamente grave e o Conselho de Ética da Câmara precisa dar uma resposta imediata, Mas temos que agir com imparcialidade, com firmeza e amparados pela lei”, disse ele em nota divulgada ontem.

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