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Passado sombrio

“Antebellum”, que estreia aqui como “A Escolhida”, tem fervor de “Corra!”, mas não se equipara ao fenômeno
by Folhapress

O filme “Antebellum”, que no Brasil recebeu o nome de “A Escolhida” e estreia em 29 de outubro, é todo embasado em torno de uma reviravolta inesperada, e é uma boa reviravolta. E uma que não pode virar spoiler, nem deixar uma pista dele, ou o longa perde o propósito.

Mas uma vez que se dá a tal revelação, o roteiro acaba ficando menos inspirado e distinto, exibindo a tentativa de aproveitar o zeitgeist que fez de “Corra!” um fenômeno, mas sem a mesma habilidade de criar uma narrativa realmente singular.

A produção marca a estreia da dupla Gerard Bush e Christopher Renz na direção e no roteiro, que já eram conhecidos por incluir a justiça social em seus trabalhos como publicitários. A abertura mostra uma frase do escritor americano William Faulkner, cujo sentido vai ficar claro ao longo da trama -“o passado nunca morre, não é nem passado”.

A história começa numa antiga fazenda sulista dos Estados Unidos, ainda com trabalho escravo, onde os supervisores punem severamente os trabalhadores do campo. Alguns deles tentaram fugir recentemente, liderados por Veronica, interpretada por Janelle Monáe, e pagam um preço alto pelo ato, o que não faz com que desistam da ideia de escapar daquele horror.

Mas o enredo demora demais para mostrar o que deveria tornar “A Escolhida” especial. O meio da trama -um trecho no qual é difícil entender exatamente o que está acontecendo- é a parte mais marcante (e até o trailer expõe coisas demais, então o quanto menos o espectador souber, melhor).

O trecho final, ao contrário, entra num território de thriller mais familiar, e parece começar a acelerar quanto mais se aproxima do desfecho, deixando sem respostas uma série de enigmas. Isso é um pouco irritante, e é exatamente o que distancia o longa de outros mais bem resolvidos como “Corra!”.

“A Escolhida” tem a pretensão de forçar a audiência a encarar os horrores do racismo da vida real por meio das lentes de um filme de terror. Mas não chega a provocar tamanho impacto.

Esse é o primeiro trabalho da cantora, modelo e atriz Janelle Monáe como protagonista, e ela se sai muito bem, carrega o filme nas costas. O resto do elenco é todo subaproveitado, nenhum outro personagem parece ter características especiais, ou qualquer distinção que seja.

“A Escolhida” tem seu valor, não só pelo que tem a dizer sobre o passado e o presente dos Estados Unidos, mas também como um lembrete de como uma ideia intrigante não garante um produto bem-acabado.

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