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Pela 1ª vez, região na fase amarela

A partir de hoje, passa a ser permitido, com restrições, o funcionamento de restaurantes, academias e salões
by Pedro Heiderich

A região de Campinas avançou pela primeira vez para a fase amarela do Plano São Paulo, a partir de hoje. A fase permite a reabertura com restrições de academias, barbearias e salões de beleza, além de atendimento presencial em bares e restaurantes. O anúncio foi feito ontem pelo governador João Doria (PSDB).

“Nas últimas duas semanas houve queda no número de óbitos e internações no interior, que mais preocupava. Isso permitiu que 15 milhões de pessoas, de nove regiões, avancem para a fase amarela, menos restritiva: Araçatuba, Bauru, Campinas, Marília, Piracicaba, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Sorocaba e Taubaté”, afirmou o governador.

Segundo ele, a nova quarentena vai até o próximo dia 23. Doria pregou cuidado. “Não é momento de relaxar. Qualquer cuidado pode ser fatal”, afirmou.

Na fase amarela, o comércio terá 6h de funcionamento por dia com até 40% da capacidade. Bares e restaurantes só poderão funcionar em locais abertos ou arejados e com as atividades presenciais até as 17h. Academias poderão funcionar com até 30% da capacidade e sem aulas coletivas. Barbearias e salões de beleza só poderão funcionar via agendamento.

Com o avanço da pandemia do coronavírus, no fim de março, o Estado decretou quarentena, só podendo funcionar serviços e comércios essenciais, previsto na fase vermelha.

Em 1° de junho, a região avançou para a fase laranja, que permitiu a reabertura de comércios de rua e shoppings, concessionárias, imobiliárias e escritórios, com 20% da capacidade e quatro horas diárias.

No dia 6 de julho, com o aumento de internações e mortes, a região voltou para a fase vermelha, onde ficou por três semanas, até retornar à fase laranja no dia 27 de julho, onde permaneceu até ontem.

As prefeituras de Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré (que definiu horário das 10h às 16h para o comércio e das 15h às 21h para os shoppings) informaram que o decreto entra em vigor sábado (8).

Em Hortolândia, a prefeitura publica decreto e a fase amarela começa a valer amanhã.

A Prefeitura de Nova Odessa já permitirá a reabertura hoje, das 9h às 15h. Prefeitura e Acino (Associação Comercial e Industrial de Nova Odessa) se reúnem segunda (10), antes da publicação do decreto, para definir os horários das lojas.

Com o avanço à fase amarela, Nova Odessa, que era a única cidade da região que não abriria o cemitério no Dia dos Pais, vai reabri-lo amanhã, das 7h às 17h.

Academias vão seguir regras já definidas

“A sensação é igual ao dia que inauguramos a academia. Muitas expectativas e incertezas. Vejo um cenário positivo, as pessoas estão descobrindo o valor da atividade física e a importância dela. Que uma pessoa saudável é mais resistente, está mais protegida e se recupera mais rápido”.

A declaração é de Márcio Rogério da Silva, dono da Academia Acqua Fitness, na Vila Jones, em Americana, há 23 anos

A retomada será feita com base em manual de procedimento de reabertura para academias, feito pelo Conselho Regional de Educação Física de São Paulo junto com a Associação das Academias do Brasil.

O manual segue orientações da OMS e toma como exemplo experiência de países onde o pico da pandemia já passou.

“Nos orienta sobre a limpeza geral, utilização de álcool gel e outros produtos, o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), aferição da temperatura corporal, higienização dos calçados, limitação de clientes de acordo com o espaço, renovação de todo ar do ambiente, treinamento dos colaboradores e itens que asseguram um ambiente realmente seguro”, explicou Márcio.

Ele diz ser incalculável o prejuízo causado nos quase cinco meses fechados. “Muitas demissões, falências e cancelamento de planos. Agora é que vamos conseguir mensurar, não sabemos quem continua, quem espera e quem vai cancelar. Muitos perderam o emprego. Teremos dias difíceis pela frente”, explicou.

Bares relatam incerteza sobre a reabertura

Rafael Locali, 38, dono do Boi Que Mia Grill Bar, no Jardim Nossa Senhora de Fátima, se diz aliviado. “Por termos uma perspectiva, de poder planejar os próximos passos. Porém como nosso bar é noturno, ainda teremos que aguardar mais 14 dias”, explicou.

Ele optou por não reabrir imediatamente. “Não iremos. Temos uma estrutura robusta que não nos permite uma mudança rápida dessa. Vamos estudar melhor a semana que vem sobre a viabilidade de abrir no horário permitido”.

Rafael relembra os momentos difíceis. “Tivemos perda de produtos, queda de faturamento, sem falar no desgaste emocional. Porém graças a Deus toda equipe e familiares estão com saúde, e isso é o que devemos comemorar neste momento”, disse.

Para Otto da Costa Baumeyer, 40, dono do Bar Brasil Beer, na Avenida Brasil, pode ser tarde demais. “Uma sensação complicada, tanto tempo fechado. As contas estão atrasadas, não quiseram negociar o aluguel, agora não sei se vou conseguir reabrir”. Otto calculou um prejuízo de R$ 250 mil pelo tempo fechado.

Associações comemoram o avanço

Wagner Armbruster, presidente da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana), disse que os comerciantes estão prontos para reabrir. “Estão sim muito alegres, positivos, disponíveis, dispostos e preparados para atender todos”, afirmou.

João Batista de Paula Rodrigues, presidente da Acisb (Associação Comercial e Industrial de Santa Bárbara d’Oeste), adotou o mesmo discurso. “Expectativa muito grande, todos super animados. Seis horas por dia dá um reforço grande e ainda tem os segmentos parados que vão voltar a funcionar”.

A Aciah (Associação Comercial e Industrial de Hortolândia) informou que os comerciantes estão prontos para reabrirem assim que puderem.

“O comerciante vinha se adequando para buscar melhor forma de atender o cliente, respeitando as regras. E vamos manter a mesma postura. Estamos prontos para funcionar assim que puder”, disse Samuel Teixeira, presidente da Acino (Associação de Comércio e Indústria de Nova Odessa).

CUIDADOS

Na avaliação do presidente da Acias (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré), Juarez da Silva, a reclassificação é resultado do empenho e conscientização dos comerciantes. “Mas não podemos relaxar com as normas sanitárias e distanciamento para evitar um novo recuo”.

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