Júri popular julga acusado de atropelar homem após discussão em posto de Americana
Vítima sofreu incapacidade cognitiva e motora permanente; réu responde por tentativa de homicídio duplamente qualificada
O Tribunal do Júri do Fórum da Comarca de Americana julga, em 7 de outubro, às 10h, o acusado de tentar matar Marcos Paulo Bueno ao atropelá-lo. O crime ocorreu na madrugada de 30 de março de 2022, na Avenida da Saudade, no bairro Cordenonsi, após uma discussão em um posto de combustíveis.
O réu será julgado por tentativa de homicídio duplamente qualificada, por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Discussão e atropelamento intencional
De acordo com a denúncia oferecida pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), assinada pelo promotor Fábio José Moreira dos Santos, e com o inquérito da Polícia Civil de Americana, o episódio começou por volta das 4h20. Marcos acompanhava um amigo em um estabelecimento comercial, onde consumiam bebidas com um grupo de pessoas.
Durante a madrugada, o amigo da vítima e o suspeito começaram a discutir por ciúmes das mulheres que estavam no local. Marcos tentou separar os envolvidos e, após uma troca de agressões físicas, o acusado entrou em um Ford Fiesta preto e avançou em alta velocidade contra ele, atingindo-o.
Depois do atropelamento, o acusado tentou fugir, mas foi localizado e detido pela Polícia Militar na Avenida Antônio Pinto Duarte. O laudo pericial feito no veículo apontou marcas de arraste no capô e no para-brisa, compatíveis com a colisão contra o corpo da vítima.
Laudo aponta lesões corporais gravíssimas
Marcos Paulo Bueno sobreviveu após receber atendimento médico de emergência no Hospital Municipal Waldemar Tebaldi. Ele precisou passar por uma craniotomia descompressiva, procedimento cirúrgico realizado para reduzir a pressão dentro do crânio.
O laudo do exame de corpo de delito emitido pelo IML (Instituto Médico Legal), assinado pelo médico legista João Roberto Miller Junior, concluiu que as lesões sofridas pela vítima são de natureza gravíssima. O exame clínico e pericial registrou:
Incapacidade cognitiva permanente: desorientação espacial e temporal completa, perda irreversível de memória recente e remota e incapacidade de manter raciocínio linear.
- Debilidade motora severa: cicatrizes cirúrgicas cranianas, limitação funcional acentuada nos membros inferiores e incapacidade de andar sem apoio.
- Incapacidade permanente para o trabalho.
- Família relata rotina de cuidados e cobra justiça.
Atualmente, Marcos Paulo precisa de assistência diária contínua e de tratamento médico especializado por causa de crises convulsivas de difícil controle e de complicações decorrentes do trauma.
A esposa relata dificuldades para custear medicamentos, fraldas e os cuidados diários. Segundo ela, o benefício previdenciário de um salário mínimo recebido pelo marido não é suficiente para cobrir as despesas básicas da casa. A família cobra a conclusão das ações penal e de indenização cível e critica o fato de o acusado permanecer em liberdade enquanto a vítima segue acamada.
Outro lado
O advogado Guilherme Vidotto, que representa o réu, se manifestou por meio da seguinte nota:
“Desde o início das investigações a defesa técnica afirma que o acusado agiu em legítima defesa. Em 2023, o acusado foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Entretanto, por questões técnicas apontadas pelos advogados, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou o julgamento.
Em 2025, o acusado foi novamente levado ao Tribunal do Júri, mas, no decorrer da sessão, acontecimentos levaram à dissolução do Conselho de Sentença e o ato foi interrompido. Na sessão plenária designada para o próximo mês, confiamos que o corpo de jurados decidirá pela absolvição do acusado.”
*Atualizado em 18/09.
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