O MPF (Ministério Público Federal) pediu a absolvição do empresário Wendel dos Santos Bastos, de Americana, nas alegações finais da ação penal resultante da Operação Forja. Ele é o único dos denunciados para quem o órgão não requereu condenação. O documento foi publicado na última segunda-feira (28).
No mesmo documento, o MPF pediu a condenação dos demais réus e a manutenção ou a decretação das medidas restritivas impostas aos envolvidos no caso.

Wendel foi o único acusado que não chegou a ser preso durante a investigação. Ele continua respondendo ao processo em liberdade por meio de habeas corpus concedido pelo TRF (Tribunal Regional Federal).
Investigação e pedido de absolvição
A Operação Forja desmantelou uma estrutura clandestina de fabricação e armazenamento de fuzis e peças de armas de fogo na região de Americana e Santa Bárbara d’Oeste. Segundo as investigações, o esquema era responsável pela produção e pelo armazenamento de armamentos que teriam como destino facções criminosas do Rio de Janeiro. A apuração apontou uma estrutura organizada para fabricar fuzis e componentes usados na montagem e na manutenção das armas.
Em sua manifestação, o procurador da República Fernando José Aguiar de Oliveira destacou que, embora o imóvel tenha sido arrendado pela empresa na qual o empresário atuava como administrador, a instrução probatória não confirmou as suspeitas iniciais nem demonstrou seu envolvimento doloso com as atividades ilícitas e a organização criminosa.
O procurador destacou a falta de elementos para confirmar a suspeita inicial. “Destarte, malgrada a impressão de Wendel ao menos desconfiava de que algo de ilícito estava acontecendo na sede da Kondor Fly Parts, não sobreviveram elementos de corroboração que confirmassem a suspeita inicial, razão pela qual há de ser absolvido”, citou o procurador em trecho do documento.
O advogado do empresário, Dinael de Souza Machado Júnior, afirmou que acompanha o caso desde o início com rigor técnico e serenidade, mantendo a sustentação da inocência de seu cliente. O defensor ressaltou que, durante o processo, a defesa conseguiu afastar os pedidos de prisão preventiva e de monitoramento eletrônico formulados contra Wendel.
Dinael Jr. celebrou a manifestação do Ministério Público Federal e afirmou que o pedido de absolvição está alinhado com o conjunto de provas produzido nos autos. A defesa informou que apresentará suas alegações finais e reafirmou a confiança no Judiciário para confirmar a absolvição de Wendel.
Estrutura clandestina de armamentos
A investigação da Polícia Federal, com apoio do 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), revelou um esquema em escala industrial para a produção de fuzis da plataforma AR-15 e a montagem de componentes de uso restrito.
- Fábrica em Santa Bárbara d’Oeste: operava sob a fachada da empresa Kondor Fly Parts, arrendada em maio de 2024. No local, máquinas de usinagem CNC programadas com arquivos 3D eram usadas para confeccionar componentes essenciais de armas de fogo.
- Depósito em Americana: localizado na Rua Ibitinga, no bairro Parque Novo Mundo, o espaço era usado como ponto central de armazenamento e preparação de peças e armamentos.
- Flagrante e apreensões: em agosto de 2025, ações policiais resultaram na apreensão de mais de 31 mil peças, dezenas de fuzis, munições, silenciadores e insumos suficientes para a montagem de armamentos em larga escala.
Conexão com o crime organizado
Segundo os memoriais do MPF, a organização criminosa era liderada por um casal que manteria uma estrutura logística para importar peças, montar armas e enviá-las a facções criminosas no Rio de Janeiro. - Importação ilegal de peças: compra e recebimento de kits de armas e insumos vindos da Flórida, nos Estados Unidos, por meio de encomendas postais fraudulentas.
- Frete e abastecimento de facções: as armas montadas eram enviadas para o Rio de Janeiro e entregues em comunidades dominadas pelo crime organizado, como o Complexo do Alemão e o Complexo da Maré, na região da Vila do João.
- Ocultação e lavagem: além das armas, a operação apreendeu mais de R$ 158 mil em dinheiro e identificou veículos de luxo vinculados ao grupo.
Próximos passos
Com a entrega dos memoriais pelo MPF, o processo abre prazo para as alegações finais das defesas antes de seguir para a sentença do Juízo da 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, onde tramita o feito.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com os advogados dos outros réus.





