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Quem somos nós para atirar pedra no Robinho, diz presidente do Santos

O jogador recorre em liberdade da condenação por violência sexual, sofrida na Itália
by Folhapress

O presidente do Santos, Orlando Rollo, se pronunciou neste domingo (11) pela primeira vez sobre a contratação de Robinho, em entrevista à Folha de S.Paulo quando chegava à Vila Belmiro para o jogo diante do Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro. 

Antes mesmo do anúncio do reforço e principalmente depois dele, na noite de sábado (10), parte da torcida tem cobrado uma posição do clube a respeito da condenação sofrida pelo atleta na Itália, em 2017, a nove anos de prisão por violência sexual. O jogador recorre em liberdade da decisão em primeira instância. 

Rollo disse que os santistas adoraram a contratação, e que a reação negativa era apenas de outras torcidas, que teriam ficado com “dor de cotovelo”. Questionado se realmente não viu críticas dos torcedores alvinegros, afirmou que elas são prematuras, já que a sentença não é definitiva. 

“Robinho não está condenado com trânsito em julgado. Quem somos nós para atirar pedra no Robinho? Atire a primeira pedra quem nunca pecou. E será que ele pecou? Vamos esperar o desfecho do processo”, afirmou. 

Parte da torcida lembrou campanhas que o clube fez nos últimos tempos, de conscientização no combate da violência contra a mulher, e considerou hipócrita a agremiação por ignorar o assunto quando da contratação do ídolo santista. 

“Respeito a opinião de todas [as mulheres]. Inclusive, eu acho que esse crime do qual ele é acusado é muito grave, já investiguei muito esse tipo [na carreira de policial civil], mas têm muitas mulheres apoiando, também. É aquilo que eu falei, não acabou o processo dele na Itália” disse. 

A sentença de 2017 saiu quando o atleta já havia deixado o país europeu e defendia o Atlético-MG. De acordo com a investigação, o caso ocorreu em 22 de janeiro de 2013, em Milão. A vítima seria uma mulher albanesa que tinha 22 anos na época. 

Segundo a denúncia, Robinho e cinco amigos a intoxicaram com álcool até ela ficar incapaz de recusar o ato sexual. Ele também foi condenado a pagar 60 mil euros (R$ 233 mil) para a mulher. 

A advogada do atleta, Marisa Alija, publicou um vídeo em suas redes sociais no fim da noite deste sábado em que diz que o processo está “na primeira fase, subindo para a segunda fase”. “Existem pelo menos três, até quatro graus de recurso, como é o caso da Justiça italiana”, afirmou. 

De acordo com ela, como não existe uma sentença de prisão, não há nenhum impedimento para que ele deixe o Brasil para jogar com a equipe santista, por exemplo. 

O acordo entre Robinho e Santos foi oficializado neste sábado (10), no CT Rei Pelé, com duração de cinco meses, até o fim do Campeonato Brasileiro, em fevereiro de 2021. 

O salário, segundo o clube, será simbólico de R$ 1.500, mas envolve também outros ativos de performance, prevendo bônus de R$ 300 mil após dez partidas jogadas e outros R$ 300 mil depois de 15 jogos. Os valores, no entanto, só serão pagos no próximo ano. 

Além disso, o Santos renegociou o parcelamento da dívida com o jogador, estimada em R$ 1,3 milhão. “Houve um acordo, sim [para a dívida]. Faremos um parcelamento, agora, com pagamento a partir do ano que vem. Será uma entrada e depois dividiremos em parcelas, ficou muito bom para o clube”, disse Rollo. 

Para contar com atacante no Nacional, o time da Vila Belmiro terá de inscrevê-lo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até segunda-feira (12), mesmo sendo feriado. 

A pressa se deve ao fato de que, a partir de terça (13), entrará em vigor uma punição que o clube sofreu da Fifa, que o impedirá de contratar jogadores por causa de uma dívida de US$ 3,4 milhões (R$ 18 milhões) com o Huachipato, do Chile, pela contratação do atacante venezuelano Soteldo. 

De acordo com o presidente, já há conversas adiantadas com representantes da Federação Paulista de Futebol (FPF) e com a CBF para um expediente extra que viabilizará a inscrição. O Santos também aguarda um documento que será enviado pela federação turca de futebol, país do último clube do atleta. 

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