Caism desenvolve projeto pioneiro de prevenção

Divulgação| Néder Piagentini | Unicamp
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O Hospital da Mulher (Caism) está oferecendo assistência de modo pioneiro a um grupo de mulheres da RMC (Região Metropolitana de Campinas). Elas são saudáveis, mas podem ter em sua genética alto risco para câncer ginecológico e mamário. Essas mulheres estão sendo atendidas preventivamente no Ambulatório de Alto Risco para Câncer de Mama e de Ovários, que investiga uma provável mutação genética para essas doenças.
Segundo César Cabello dos Santos, professor do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas e coordenador da Área de Mastologia da Divisão de Oncologia, esse é um atendimento diferenciado, visto que o hospital somente recebe casos de maior complexidade, de nível terciário. “Nesta situação, porém, também estamos atuando na atenção primária e secundária, pelo grande risco de vida à mulher, inclusive para aquela que está aparentemente bem.”
De acordo com ele, essas mulheres já vêm ao ambulatório com algum antecedente familiar para câncer de mama de primeiro grau, na pré-menopausa, ou seja, mães, irmãs ou filhas com histórico desses cânceres antes dos 50 anos. “Cerca de 40% dos casos novos do câncer de mama atendidos pelo Caism ocorrem abaixo dessa idade, fenômeno típico de um país em desenvolvimento como o Brasil.”
Se a mãe teve câncer de mama jovem, a filha já pode ser inserida nesse ambulatório, onde são atendidas situações de maior gravidade ainda: da avó com câncer de mama aos 45 anos, da mãe aos 40 e da irmã aos 30. Estas combinações têm aumentado o risco dessas doenças, conforme Cabello.
Por isso, as mulheres com antecedente familiar de alto risco devem passar por abordagem minuciosa, que inclui, por exemplo, visitas mais frequentes ao mastologista e ginecologista. Elas necessitam de um maior acompanhamento e de receber orientações sobre rastreamento, anticoncepção, reposição hormonal. “Muitas não são mães e, por essa causa, é preciso discutir a preservação da sua fertilidade e, quando é esse o caso, avaliar quais os métodos contraceptivos mais seguros, isso porque nem todas podem ingerir pílula ou tomar hormônios”, explica o médico.
EXAMES
As pacientes que chegam ao ambulatório são rastreadas através de diagnóstico por imagem. Ocorre que os programas de rastreamento atuais praticamente se restringem à mamografia e ao ultrassom no Sistema Único de Saúde. A ressonância magnética das mamas é indicada quando existe risco para câncer de mama acima de 20%.
“O programa de prevenção que integra essas três ferramentas produz um impacto muito positivo na saúde”, esclarece o mastologista. “Ainda que não sejam capazes de desvendar o câncer em 100% dos casos, diminuem o risco de morte em 90% deles. E isso tem gerado curiosidade tanto na comunidade científica como na população.”
Para Cabello, mamografia, ultrassom e ressonância magnética de mama podem ser, no entanto, insuficientes e só são usados por um período até que se opte pela cirurgia. No caso das mastectomias, como elas são invasivas, no Caism recomenda-se a reconstrução com próteses adequadas a cada paciente e com as melhores técnicas de cirurgia plástica (oncoplastia).

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