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Fernando de Noronha

Como se dar bem em uma ilha mais cheia e mais cara a cada ano

Divulgação

A Noronha que faz sucesso nas redes sociais, com fotos de celebridades, pousadas-butique e piscinas de borda infinita, é bem diferente da Noronha dos moradores -e da maioria dos turistas.

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A Vila dos Remédios, centro da ilha e antiga sede da administração militar que geriu o local até 1988, tem casas simples, prédios em ruínas, chão de pedra e bugues que parecem precisar de manutenção.

As opções de hospedagem vão além das pousadas luxuosas com spa e diárias que ultrapassam R$ 1.000. Há estabelecimentos familiares e hostels que cobram cerca de R$ 400 por um quarto. É o caso do hostel Casa Swell, onde a diária do quarto triplo custa R$ 638, e da pousada Magia, que cobra entre R$ 460 e R$ 610 pela diária.

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As acomodações de luxo chegaram em peso nos últimos 15 anos. Isso contribuiu para aumentar os preços de outros serviços no arquipélago. Daniela Garcia Mesquita, 44, dona da pousada Magia e que vive em Fernando de Noronha desde 1988, sente essa mudança no dia a dia.

Daniela conta que alguns lugares que antes eram frequentados por ela agora têm outro público. “Não é mais o meu mundo, nem sei como sentar lá”, diz, sobre o restaurante Mergulhão, que hoje serve, por exemplo, um prato individual ao preço de R$ 149, como o arroz do amado, com polvo, queijo coalho, castanhas-de-caju, tomates e banana grelhada.

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Outro fator que encarece o custo de vida na ilha é a logística: quase tudo o que é consumido lá chega de fora, o que significa de 24 a 48 horas de barco desde o continente.

Mas não faltam pessoas dispostas a pagar o preço de estar naquele cenário. O número de turistas que visitaram o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha cresceu 11% de 2017 para 2018, chegando a 100.402, o que ultrapassa o limite proposto no plano de manejo da unidade: até 89 mil visitantes por ano.

O aumento no número de visitantes ainda não resulta em praias cheias como as de Porto de Galinhas (PE), mas pode dar dor de cabeça em quem planejou uma viagem curta, de quatro ou cinco dias.

 

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ENTRADA CONTROLADA

Para preservar a biodiversidade da região, algumas praias e trilhas dentro do parque nacional têm controle de entrada e a visita precisa ser agendada.

É no parque que está a praia do Sancho, eleita três vezes a mais bonita do mundo pelo site Tripadvisor. Para chegar até ela é preciso descer uma escada de ferro presa na fenda de uma rocha. Há horários para subir e para descer, das 6h30 às 18h30.

Na piscina natural do Atalaia só é permitida a entrada de 96 pessoas por dia, em turmas de 16 visitantes. O local é um berçário de peixes e outros animais marinhos.

Outro passeio com restrição de entrada é a trilha e a visita às piscinas naturais na Enseada dos Abreus, que recebe apenas 24 pessoas por dia.

As atrações só podem ser reservadas presencialmente, com até seis dias de antecedência, das 17h às 22h, na bilheteria do Centro de Visitantes. As senhas para o agendamento começam a ser distribuídas às 15h30.

Os visitantes que vão à Noronha também pagam uma taxa de preservação ambiental, que começa em R$ 73,52 ao dia. Veja a tabela de valores em noronha.pe.gov.tur.

INDO ALÉM

 

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Mas se não der para agendar um passeio, ainda há o que fazer no arquipélago. As praias dos Americanos -antigo ponto de nudismo- Cacimba do Padre, Boldró, Conceição e Porto não estão na área do parque e têm acesso livre. A praia do Porto é um dos pontos de mergulho da ilha, que é reconhecida como lugar ideal para praticar essa atividade, por ter vida marinha abundante e boa visibilidade na água.

É do Porto também que saem os passeios de barco. Logo no começo do trajeto os turistas avistam golfinhos rotadores, um dos símbolos locais. Os barcos circulam pelo “mar de dentro”, que vai do Porto até a Ponta da Sapata.

O mar de dentro é a parte da ilha virada para o litoral brasileiro, que tem dez praias. As águas são calmas durante o período que vai de agosto a dezembro, quando são tiradas as melhores fotos do lugar, e mais agitadas entre janeiro e março, época boa para a prática do surfe.

Já o lado de fora, virado para a África, tem mar mexido durante todo o ano. São três praias, Leão, Sueste e Atalaia, que sofrem mais com as correntes marítimas e exigem atenção de banhistas e mergulhadores.

O passeio de barco inclui parada para snorkel na praia do Sancho, onde dá para ver corais, peixes coloridos e até tubarões. As embarcações se revezam na alta temporada, porque só cinco delas podem ficar paradas na baía por vez.

Os tubarões estão nas águas de Noronha e também na conversa dos guias que acompanham os passeios, mas não há motivo para pânico: o habitat na ilha é equilibrado e por isso eles não têm a intenção de atacar humanos.

Outra forma de ver a vida marinha de Noronha é no passeio de prancha VIP, modalidade inventada ali mesmo. O turista segura uma prancha pequena, presa a um barco, e é puxado sobre a água.

Durante o passeio, feito pela reportagem, na praia do Porto, foi possível ver tartarugas, pedaços de um navio cargueiro que afundou em 1937 e um grupo de mergulhadores com cilindro, que acenou do fundo do mar.

O arquipélago é acessível apenas por voos. A Gol e a Azul operam rotas para Noronha de duas a cinco vezes por dia, a partir de Recife. A Azul também faz voos de Natal, duas vezes por semana. As viagens duram cerca de uma hora e 15 minutos.

 

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Arte/Folhapress

 

TERRITÓRIO ESTRATÉGICO

Se hoje Fernando de Noronha é um destino que chama a atenção por suas belezas naturais, no passado, sua principal qualidade era a posição geográfica.

Em tempos de guerra, era um “porta-aviões em pleno oceano Atlântico, estratégica demais para ficar desocupada”, explica a historiadora noronhense Grazielle Rodrigues, 42.

A ilha foi descoberta em 1503 por Américo Vespúcio e doada em 1504 como capitania hereditária a Fernan de Loronha, explorador de pau-brasil que financiava expedições marítimas. Ficou abandonada por décadas e foi invadida por holandeses e franceses.

Em 1737, para não perder aquele território, Portugal iniciou a construção do sistema de defesa da ilha, com dez fortes. Há vestígios deles pela região, com canhões pelo caminho, como no mirante São João Baptista dos Dois Irmãos, que dá vista para a Baía dos Porcos.

 

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A Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios, de 1737, é a que está em melhor estado de conservação, porque passa por uma restauração feita pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O ponto permite ver, ao mesmo tempo, os morros do Pico e Dois Irmãos.

Em 1738, a ilha foi transformada em colônia carcerária, e recebia os condenados do continente.

Havia celas solitárias, como as da Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios, e um espaço para pernoite dos prisioneiros com mau comportamento, a Aldeia dos Sentenciados -suas ruínas podem ser vistas na Vila dos Remédios.

Os presos que não apresentavam riscos viviam em casas e faziam trabalhos forçados durante o dia. Eles podiam levar as famílias para acompanhá-los durante a pena. “Quando o presídio foi desativado, alguns ficaram aqui. Tem cinco famílias na ilha que descendem deles”, diz Grazielle.

A colônia carcerária recebeu de ladrões de cavalos até falsificadores de dinheiro, passando por presos políticos no início do Estado Novo. Foi encerrada em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, e a ilha foi ocupada por 3.000 militares dos Exércitos brasileiro e americano.

Boa parte da população mais antiga que vive hoje ali chegou nessa época, para trabalhar no Exército ou prestar serviços aos militares. Na ditadura militar, entre 1964 e 1967, Noronha voltou a ser presídio político. Entre os presos da época estava Miguel Arraes (1916-2005), então governador pernambucano.

 

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