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Unicamp integra estudo da OMS

Trabalho coordenado pela Organização Mundial de Saúde analisa a ação de fármacos no combate ao coronavírus
by Rogério Verzignasse

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) é um dos centros brasileiros de pesquisa que fazem parte de um estudo global sobre a ação de fármacos no combate ao coronavírus.

O trabalho coordenado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) busca apurar a eficiência de medicamentos que estão sendo testados ao redor do mundo para pacientes com a Covid-19.

A ação não envolve patrocinadores privados, como por exemplo os da indústria farmacêutica. Também não haverá qualquer forma de pagamento aos profissionais e pesquisadores envolvidos, nem qualquer tipo de compensação material. A OMS vai custear todos os procedimentos e fornecer os medicamentos.

O estudo, batizado de Solidariedade (Solidarity), testa quatro fármacos. O primeiro paciente brasileiro nos testes, um carioca, foi incluído na terça-feira.

Na Unicamp, o projeto é coordenado pela infectologista e pesquisadora da FCM (Faculdade de Ciências Médicas), Mônica Jacques.

“A pesquisa envolve pesquisadores da disciplina de Moléstias Infecciosas do Departamento de Clínica Médica. Porém, vai contar com todos os profissionais responsáveis pela assistência aos pacientes internados, de especialidades diferentes”, disse a professora ao TodoDia.

No Hospital de Clínicas, os estudos serão feitos em pacientes internados com o diagnóstico de Covid-19 maiores de 18 anos. “O cuidado com os pacientes do estudo será o mesmo oferecido aos demais. Não serão feitos exames que não sejam indicados clinicamente”, explicou.

MEDICAMENTOS

“Até o momento, há alguns medicamentos promissores, mas com estudos ainda preliminares, pequenos, sem força para documentar desfechos clínicos”, disse a professora.

Os quatro medicamentos são: a cloroquina ou a hidroxicloroquina; o remdesivir; a associação lopinavir/ritonavir; e, por último, a combinação lopinavir/ritonavir com o Interferon Beta.
As drogas já são aprovadas para tratamento de outras doenças, como malária e doenças autoimunes.

A cloroquina e o derivado hidroxicloroquina foram testados com sucesso em pacientes franceses e norte-americanos, o que fez a população correr às farmácias da região e brasileiras e esgotarem o estoque, como já mostrou reportagem do TodoDia.

Os dados obtidos nos centros brasileiros de pesquisa serão sistematizados pela Fiocruz (Rio) e apresentados para a OMS.

Equipe é soberana no tratamento

No estudo global, um dos quatro medicamentos é escolhido para o paciente de forma aleatória.
A equipe médica é soberana sobre todas as decisões clínicas do tratamento do paciente, inclusive pode decidir interromper a participação do paciente no estudo, se considerar que a decisão é importante para sua saúde.

“O objetivo é saber se há vantagens em usar medicamentos específicos. No caso de haver, qual seria a melhor opção e quais não seriam úteis”, afirma a professora.

Cada centro de pesquisa poderá aprofundar seus estudos e propor sub-estudos multicêntricos. Será possível pesquisar, por exemplo, se após a alta os pacientes apresentam sequelas pulmonares, psiquiátricas, hepáticas ou outras.

A professora destaca que o estudo traz benefícios tanto para os pacientes como para a comunidade científica, reforçando os laços de cooperação internacional.

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