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Vereador Macris também repassou verbas ao posto do irmão, Cauê

Assim como o pai e o irmão, Rafael descontou 69 cheques na empresa que o atual presidente a Alesp é sócio
by Folhapress

José Marques/Folhapress SP

Extratos da campanha de 2016 colocam em xeque a versão dada pela família do deputado estadual Cauê Macris (PSDB) – que tenta a reeleição à presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo – para justificar a destinação de recursos eleitorais.

Cauê e seu pai, deputado federal Vanderlei Macris (PSDB), repassaram R$ 881 mil na eleição de 2018, por meio de cheques, a um posto da própria família, em Limeira (SP). Os recursos incluem verbas públicas do fundo partidário.

Os dois vinham argumentando que só fizeram isso para facilitar os pagamentos de cabos eleitorais dessa região que não têm conta bancária, permitindo que eles recebessem por lá – assim, evitariam a necessidade de eles se deslocarem até a Capital, onde estão as agências bancárias em que foram abertas as contas de campanha.

Mas documentos apresentados à Justiça Eleitoral pelo vereador Rafael Macris (PSDB), 26, irmão de Cauê e filho de Vanderlei, indicam que a estratégia de compensar cheques no posto já tinha sido usada pela família mesmo quando a conta de campanha foi aberta na própria cidade de Americana.

A campanha de Rafael Macris compensou 69 cheques em 2016 no Posto União de Limeira, no qual Cauê tem 50% da sociedade.

O valor é de R$ 22,5 mil, mais da metade do custo da campanha do vereador, que gastou R$ 42 mil para se eleger.

Por ser uma eleição municipal, não haveria motivo para deslocar cabos eleitorais até São Paulo para que eles compensassem os cheques.

As contas de campanha de Rafael Macris foram abertas em uma agência do Bradesco, no Centro de Americana. Mesmo assim, os cheques foram compensados no posto de Limeira.

A revelação de que a empresa de Cauê foi usada para compensar os cheques foi publicada, primeiramente, na semana passada no jornal “O Estado de S. Paulo”, que apontou a prática como suspeita de irregularidades.

À época, tanto Cauê como seu pai, Vanderlei, foram às redes sociais para se justificar.

Disseram que os pagamentos seriam feitos a cabos eleitorais da região que não têm conta bancária.

“Por que fiz isso? Essa é a grande questão. Porque a maior parte dos nossos colaboradores e cabos eleitorais da campanha estava no Interior. Como os cheques são nominais e quem não possuía conta em banco só poderia sacar esse dinheiro vindo a São Paulo, onde foi aberta nossa conta de campanha, como poderemos resolver esse problema?”, questionou Vanderlei.

“Para não prejudicar os trabalhadores e agilizar os pagamentos, descontamos os cheques na empresa e pagamos os funcionários”, afirmou.

O Posto União de Limeira aparece como recebedor de recursos eleitorais, mas não é fornecedor de serviços em nenhuma das campanhas da família.

Tanto Cauê como Vanderlei receberam recursos públicos do fundo eleitoral no ano passado.

Em nota, a assessoria dos Macris reafirmou que os descontos foram feitos para agilizar os pagamentos dos cabos eleitorais e diz que o deputado estadual sofre perseguição.

Cauê Macris preside a Assembleia Legislativa desde 2017 e tenta se reeleger no próximo dia 15.

Aliado do governador João Doria (PSDB) e favorito na disputa, o tucano tem como principal adversária a deputada eleita Janaina Paschoal (PSL).

Futuro líder do PSL na Assembleia, o deputado eleito Gil Diniz disse que irá pedir investigação das contas de Cauê.

FAMÍLIA NEGA E ACUSA PSL POR DENÚNCIAS

Vice-presidente do PSDB de Americana, o vereador Rafael Macris negou ontem irregularidade na emissão dos cheques compensados no posto do irmão, Cauê, em Limeira. Rafael manteve as versões do pai, Vanderlei Macris, e do irmão, que repassaram R$ 881 mil em cheques ao estabelecimento em Limeira – segundo eles, uma forma de pagar cabos eleitorais.

O vereador ainda responsabilizou uma ex-assessora do senador Major Olímpio (PSL) pela divulgação de “denúncias infundadas”. “Os descontos dos cheques foram feitos para agilizar o pagamento dos cabos eleitorais, conforme os recibos eleitorais assinados e declarados na campanha. Se houvesse ilegalidade, os instrumentos de fiscalização não aprovariam as contas”, justificou. As contas de Cauê foram aprovadas e as de Vanderlei, rejeitadas pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral.

Em nota à Folhapress, a família Macris afirma que há uma “tentativa infantil de desestabilizar a candidatura de Cauê Macris”. Segundo a assessoria dos Macris, uma assessora do senador tem espalhados essas “denúncias infundadas disparadas por Whatsapp”.

 

 

 

 

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