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Vereadoras eleitas em Americana comemoram aumento da representatividade feminina

O Legislativo americanense atualmente tem apenas Maria Giovana (PDT) como vereadora
by Pedro Heiderich

As três vereadoras eleitas em Americana comemoram a maior representatividade feminina na Câmara a partir do ano que vem. O Legislativo americanense atualmente tem apenas Maria Giovana (PDT) como vereadora. Nas eleições passadas, em 2016, foram eleitas duas vereadores. Além de Giovana, à época no PCdoB, foi eleita Judith Batista, pelo PDT, que faleceu em fevereiro de 2019, vítima de câncer. 

A partir de 2021, Nathália Camargo (Avante), Leonora (PDT) e Professora Juliana (PT) estarão entre os 19 vereadores de Americana. “Antes da eleição eu falei que gostaria de ver cinco mulheres, mas fiquei feliz que temos mais que a última. É importante essa representatividade”, disse Giovana, segundo lugar na disputa para Prefeitura de Americana, perdendo para Chico Sardelli (PV). 

Giovana comentou as expectativas. “Espero que elas façam uma política diferente à que está posta. Essa é a riqueza da diversidade, que a gente traga a pauta com outro olhar. Às vezes, eu sinto que o tempo faz as pessoas se adaptarem lá dentro, então a dica que eu dou é que elas se mantenham firmes”, afirmou. 

DE VOLTA 

A recepcionista Leonora da Silva Perico, ou Leonora do Postinho, já fez história no Legislativo de Americana. Em 2008, foi eleita pela primeira vez, quebrando um hiato de 16 anos. A última vez que mulheres haviam sido eleitas para o Legislativo tinha sido nas eleições de 1992, com Maria Inês da Silva e Maria Solange Ferreira Xavier. 

Em 2012, Leonora foi reeleita, sendo a única mulher a conseguir tal feito na Casa, segundo a assessoria da Câmara, que informou ainda que nenhuma outra vereadora teve dois mandatos. 

Nas eleições de 2016, Eleonora teve 755 votos e perdeu o lugar na Câmara. Depois de quatro anos, voltou, agora pelo PDT, sendo eleita com 979 votos. 

“Mesmo não sendo mais vereadora, as pessoas continuaram a me procurar. Com erros e acertos nós construímos uma linha de trabalho, e a população depositou sua confiança”, disse. Sobre ser eleita pela terceira vez, disse que é “motivo de muita honra e alegria, mostra que ainda acreditam no meu trabalho”. 

Leonora comemorou o aumento de vereadoras em Americana e na região e se vê como exemplo. “Espero que meu retorno possa incentivar cada vez mais mulheres a participarem da vida política. Vi que uma mulher de 21 anos foi eleita em Santa Bárbara. Eu tinha 37 quando entrei pela primeira vez, estava amamentando minha filha enquanto fazia campanha, então sei da força das mulheres”. 

AGORA FOI 

A advogada Nathália Camargo (Avante), bateu na trave nas eleições de 2016. Candidata pelo DEM, teve 1.595 votos, sendo a mulher mais votada, mas não foi eleita vereadora por conta do quociente eleitoral. Quatro anos depois, foi outra vez a mais votada entre as mulheres, com 1.350 votos, e, agora pelo Avante, foi eleita. 

Nathália já declarou interesse em disputar a presidência da Câmara, afirmando que é momento de uma mulher ocupar o cargo. A vereadora já está em conversas com os futuros colegas em busca de apoio. 

Ao TODODIA, comparou as diferenças do resultado destas eleições com a anterior. “Hoje estou no Avante, um partido mais estruturado, e durante os 45 dias de campanha andei por todos os bairros”, contou. 

Nathália disse estar realizando um sonho e honrada por ser a mais votada de novo. “Estou também muito feliz e lisonjeada em poder dividir a Câmara com duas mulheres”, afirmou. 

A vereadora eleita comentou o aumento de vereadoras. “A mulher tem uma visão diferente e uma sensibilidade que o eleitor procura para representá-la. Tenho certeza que juntas vamos poder contribuir muito para o desenvolvimento e bem-estar das pessoas em nossa cidade”. 

PROFESSORA 

Professora Juliana, eleita com 1.131 votos, manteve o PT na Câmara. Atualmente o partido tem como vereador Padre Sérgio, que tentou reeleição, mas não conseguiu. Juliana se diz orgulhosa de representar os professores na Casa. “Sou filha das políticas públicas que democratizaram o ensino superior, elas fizeram a filha da faxineira e do mecânico de fábrica virar socióloga, e agora, vereadora. Tenho orgulho disso”, afirmou. 

Juliana vê como fundamental a presença das mulheres na Câmara e em outros espaços de poder. “As mulheres têm mais dificuldade de participar nos partidos e nos movimentos sociais, temos uma cultura machista que diz que devemos ficar em casa, ser discretas, contidas e delicadas, e que a rua é lugar de homem, que devemos temer os espaços públicos, além de fazermos jornada dupla ou tripla de trabalho”. 

A professora destaca que o resultado é a baixa presença das mulheres na política: são 13% nos parlamentos, aponta Juliana. “Mas estamos caminhando para a mudança, para chegar num cenário menos desigual”. 

Juliana destaca a importância do compromisso das vereadoras com a democracia, com a redução de desigualdades sociais, com as pautas feministas, a luta antirracista. “Não basta ser mulher, é preciso defender políticas públicas que garantam as mulheres direitos fundamentais e que sejam capazes de construir igualdade entre homens e mulheres”. 

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