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TODODIA 7 de novembro de 2026
Opinião

Entre Deus e o Diabo

Por André Luís Pereira, teólogo e psicanalista

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Foto: Divulgação

Há alguns dias ouvi a seguinte afirmação: “Não tenho medo do diabo, tenho medo de Deus, pois reconheço o seu poder e a força da sua ira”. Essa afirmação me fez lembrar de um livro clássico do protestantismo: “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, do evangelista Jonathan Edwards.

Tanto a afirmação quanto o tema do livro me causaram repulsa. Fiquei indagando, quando ouvi a frase e quando me apresentaram o livro: “medo de Deus? Ira de Deus? Deus irado?”

Fiquei pensando que, conforme bem pontuou o teólogo José Maria Mardones, é urgente e necessário “limpar” a imagem de Deus construída por diversas vertentes do cristianismo. Que imagem mais distorcida! É como se, na narrativa bíblica, a cruz fosse mera teatralização do divino para se tornar o coitado ou o bonzinho da história. Mas, a grande verdade é que, mesmo que fosse isso, ele não seria nem o coitado e nem o bonzinho, pois, pra muitos, “Deus se agradou em moer seu filho na cruz”.

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Essas construções equivocadas acerca da pessoa de Deus, me parece, ter seu ancoradouro numa teologia sistemática produzida com pouquíssima ética, empobrecendo a imagem de Deus, fazendo sobressair a desgraça humana, e inserindo a figura diabólica apenas para carregar a tiraneidade do único tirano nesse tipo de teologia, a saber, Deus.

Que Deus é este que, mesmo sendo revelado na pessoa de Jesus, reconhecido como a encarnação do amor, tem espaço em si mesmo para a ira e para o amedrontamento? O apóstolo que define Jesus como sendo amor é o mesmo que afirma que o amor lança fora o medo. Então, como ter mais medo de Deus do que do diabo? Não deveríamos ter medo de nenhum dos dois. Não deveríamos temer o Maligno porque somos filhos amados de Deus; não deveríamos temer a Deus pela mesma razão.

Deus nos ama, e ponto final. O seu amor é uma decisão pessoal, ou seja, não é baseado em qualquer relação ou ação meritocrática de nossa parte. Ele ama, por decisão espontânea.

Talvez alguém diga: “mas e os massacres realizados em nome de Deus nos diversos livros do Antigo Testamento?” Respondo que no Novo Testamento, no qual Jesus revela a imagem Deus ao mundo, é dito que Jesus “é a imagem do Deus invisível, a exata expressão de Deus Pai”; é dito, pelos lábios de Jesus que: “Quem vê a mim vê aquele que me enviou. Eu e o Pai somos um”; nas páginas do Novo Testamento é afirmado ainda que: “o Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser”.

Portanto, na minha perspectiva teológica, o que se vê em Jesus é o que o Deus Pai é. No passado, infelizmente, os homens não tiveram condições de percebê-lo, muito embora, mesmo num tempo no qual a Lei imperava, a graça também tenha se manifestado generosamente. O problema é que, como aconteceu em toda a história das religiões, guerras santas foram convocadas em nome de Deus e, por isso, quando da revelação de Jesus, o seu povo não o reconheceu. O povo apenas reconhecia o Senhor dos Exércitos e não um Deus vulnerabilizado na forma humana.

É necessário resgatar a real imagem de Deus, caso contrário, ele continuará a ser mais temido do que o Diabo.

Deus é amor. Em Jesus ele é exatamente revelado. Que alívio! Que graça irresistível! Que amor incondicional! A Ele a glória para sempre. Amém.

Tema Deus

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Por André Luís Pereira TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba

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