Eleições 2026: o que a disputa em Pernambuco ensina sobre liderança e comunicação
Por João Cleto Alves*
A disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições de 2026 deixa uma reflexão importante para quem exerce cargos públicos e para quem pretende construir uma trajetória de liderança: ter milhões de seguidores nas redes sociais não significa, necessariamente, conquistar a confiança da maioria dos eleitores.
A vitória de Raquel Lyra (PSD), com 53,27% dos votos válidos, contra 44,82% de João Campos (PSB), mostra que a comunicação digital precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo. Popularidade nas redes, presença territorial, articulação política, percepção da gestão e relacionamento com a população são fatores que podem influenciar o resultado de uma eleição.
Gestão eficiente também precisa de comunicação
Na minha avaliação, um dos maiores desafios dos gestores públicos é transformar as entregas administrativas em benefícios percebidos pela população. Construir escolas, melhorar unidades de saúde, pavimentar ruas e ampliar serviços são ações importantes. Mas é necessário explicar como essas iniciativas impactam a vida das pessoas.
Não basta fazer uma boa gestão. É preciso comunicar com clareza, transparência e responsabilidade. Uma obra não pode ser apresentada apenas como um número ou uma fotografia de inauguração. A população precisa entender o que mudou, quais problemas foram resolvidos e como os recursos públicos estão sendo utilizados.
Isso não significa transformar a comunicação institucional em promoção pessoal. O papel da comunicação pública é prestar contas, informar e aproximar a administração das necessidades reais dos cidadãos.
A força da presença e do relacionamento
As redes sociais são ferramentas indispensáveis para qualquer liderança contemporânea. Elas ampliam o alcance das mensagens, permitem prestar contas e facilitam o diálogo. No entanto, não substituem a presença nos bairros, as conversas com moradores e a capacidade de ouvir diferentes setores da sociedade.
A eleição pernambucana também reforça a importância de analisar os resultados sem atribuí-los a um único fator. A presença digital de um candidato, por si só, não explica uma vitória ou uma derrota. É preciso considerar o conjunto de circunstâncias políticas, administrativas e sociais que influenciam as escolhas dos eleitores.
A rede social aproxima, mas não substitui o contato humano. Liderar exige conhecer os problemas, compreender as demandas e trabalhar na construção de soluções. Ser conhecido é diferente de ser reconhecido pela capacidade de fazer a diferença.
O alerta para as eleições municipais de 2028
O resultado de Pernambuco também oferece pontos de reflexão para prefeitos, vereadores e lideranças que já começam a planejar os próximos anos. A reputação pública não se constrói apenas nos meses que antecedem uma eleição. Ela é formada continuamente, a partir de decisões, compromissos cumpridos e resultados concretos.
Quem deixa para pensar na própria comunicação apenas durante a campanha perde a oportunidade de estabelecer uma relação duradoura com a população. O trabalho de uma liderança precisa incluir planejamento, transparência, escuta e avaliação permanente dos serviços oferecidos.
Também é necessário compreender que comunicação estratégica não se resume à quantidade de publicações, seguidores ou visualizações. Uma estratégia eficiente deve informar, esclarecer dúvidas, apresentar resultados e criar canais de diálogo com a sociedade.
Nenhuma estratégia de marketing consegue substituir, de forma sustentável, a ausência de resultados. Da mesma maneira, uma gestão que realiza entregas, mas não explica seu impacto, pode ter dificuldades para fazer com que a população compreenda o trabalho desenvolvido.
A principal lição que extraio dessa eleição é que gestão, comunicação e relacionamento precisam caminhar juntos. Os resultados eleitorais são influenciados por diversos fatores, mas a construção de confiança exige continuidade, coerência e responsabilidade.
No setor público, o maior patrimônio de uma liderança não está no número de seguidores que acumula, mas na credibilidade que constrói ao longo do tempo. É essa relação com a população que deve orientar o trabalho de quem pretende exercer uma liderança responsável.
Sobre o autor
*João Cleto Alves é escritor, palestrante e especialista em liderança e gestão de equipes de alta performance.
Bacharel em Direito, possui MBA em Liderança e Gestão de Equipes de Alta Performance e formação em Coaching e Mentoring pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
É autor do livro Liderança na Prática: Como se Tornar um Líder? e atua na formação, capacitação e mentoria de lideranças.
Você pode saber mais no site: www.joaocleto.com.br
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