Ponte que diminui de 3 horas para 1 minuto acesso do Acre ao restante do país é inaugurada
Inaugurada nesta sexta-feira (7) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a ponte do Abunã está inteira em Rondônia, mas a expectativa da sua abertura é maior no Acre. Com a obra, o estado mais ocidental do Brasil passa a ter uma ligação rodoviária com o restante do país sem a necessidade de balsa.
“É um sonho de todo acreano, que sentiu na pele o que é um estado isolado. Você lembra o que foi a cheia de 2014. Até ovos de galinhas vieram de avião”, disse à reportagem o governador Gladson Cameli (PP).
Naquele ano, a rodovia BR-364 ficou intransitável por algumas semanas, provocando desabastecimento no Acre. Os mantimentos só chegavam via área e por balsas.
A inundação atingiu a área projetada para ser o início da ponte. Com isso, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) refez o projeto da obra, que havia sido iniciada no ano anterior. Ao todo, a ponte levou sete anos e três presidentes para ficar pronta, a um custo de cerca de R$ 160 milhões, valor 25% maior do que o orçamento inicial.
Agora, a travessia sobre o rio Madeira, que demorava até três horas por causa das filas e custava de R$ 20 a R$ 190, leva cerca de 1 minuto. Com 1,5 km de extensão, trata-se da segunda maior ponte fluvial do país, menor apenas do que a ponte sobre o rio Negro, em Manaus, com 3,6 km.
Para Cameli, a ponte ampliará o uso da estrada do Pacífico, que une o Acre ao oceano Pacífico peruano. Inaugurada há dez anos, a via é subtilizada e ainda entrou no epicentro da “Lava Jato” peruana, que envolveu quatro ex-presidentes e provocou o suicídio de um deles, Alan García.
Como sinal de mudanças, o governador acreano menciona a recente compra da ZPE (Zona de Processamento de Exportação), vendida por R$ 25,8 milhões para a empresa China Haiying Brasil.
Trata-se de um parque industrial vazio de 130 hectares, criado há dez anos. A ideia é atrair para ali empresas exportadoras por meio de incentivos fiscais estaduais. “Só compraram porque viram todo o cenário do momento, da conclusão da ponte”, afirma Cameli.
Em 2010, ano em que a rodovia interoceânica foi inaugurada, as exportações do Acre representavam 0,4% do PIB estadual. Em 2018, último dado disponível, esse percentual subiu apenas para 0,7%. Os dados são do Ministério da Economia e do IBGE.
O Acre é o estado menos exportador do Norte. Em 2019, as vendas aos exterior somaram US$ 31,5 milhões –somente 0,2% das exportações da região.
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