Brasil & Mundo
AGU pede ao STF para Pazuello poder ficar em silêncio na CPI
A AGU (Advocacia-Geral da União) apresentou habeas corpus ao STF (Supremo Tribunal Federal) em que pede autorização para o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello se manter em silêncio na CPI da Covid. O depoimento dele na comissão está marcado para o próximo dia 19.
O órgão que faz a defesa judicial do governo federal também pede que Pazuello possa ser acompanhado de um advogado no dia que for à CPI. De acordo com a AGU, “tem sido divulgada pela imprensa uma série de declarações de alguns membros da CPI da Pandemia, que, caso confirmadas por ocasião do depoimento do impetrante/paciente [Pazuello], configurariam verdadeiro constrangimento ilegal, inclusive antecipando um inadequado juízo de valor sobre culpabilidade”. Os advogados da União afirmaram que o habeas corpus apresentado ao Supremo se justifica em razão de os atos praticados por senadores estarem sujeitos diretamente à jurisdição do tribunal.
Argumentaram também que o recurso tem respaldo na Constituição, “para a defesa do direito fundamental à liberdade de locomoção, diante de ilegalidade ou abuso de poder”.
“[Pazuello] possui justo receio de sofrer constrangimentos quando de seu depoimento à CPI, em razão do exercício de direitos fundamentais que são assegurados em ampla jurisprudência desse Supremo Tribunal Federal, razão pela qual postula seja concedido em seu favor salvo conduto neste habeas corpus preventivo”, disse a AGU.
Após os depoimentos do ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten e do presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, o Palácio do Planalto considera fundamental garantir uma salvaguarda a Pazuello. Wajngarten e Barra Torres foram considerados os depoimentos que mais desgaste causaram ao governo do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia da Covid.
A AGU afirmou que o receio do ex-ministro de sofrer constrangimentos pode ser corroborado por “ocorrência recente na ocasião do depoimento da testemunha Fabio Wajngarten”.
Na sessão desta quarta-feira (12) da CPI, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) chegou a pedir a prisão de Wajngarten, acusando-o de mentir. Houve bate-boca com o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, que chamou Renan de vagabundo.
Mais tarde, em uma rede social, o presidente publicou trecho de vídeo com a discussão dos senadores. “Com mais de 10 inquéritos no STF, Renan tem moral para querer prender alguém?”, escreveu Bolsonaro. Atualmente, há oito processos na corte contra o senador alagoano. O Planalto avaliou o depoimento de Wajngarten como negativo, devido ao clima tenso. Mas auxiliares de Bolsonaro ficaram satisfeitos com o fato de o ex-secretário ter preservado o presidente. No entanto, assessores ficaram incomodados com a fala em que Wajngarten admite que uma carta da Pfizer com oferta de vacinas ficou ao menos dois meses sem resposta.
Continua após a publicidade
Esta matéria foi útil para você?
Folhapress
TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
ver matérias ›
Newsletter TODODIA
As mais lidas do dia, direto no seu e-mail. Grátis.
Veja também
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Lula diz querer transformar o Brasil em país desenvolvido em quatro anos
Presidente destaca potencial em energia renovável e minerais críticos e defende atrair investimentos para acelerar o desenvolvimento
RANKING INTERNACIONAL
Brasil mantém maior juro real entre 40 países, aponta ranking
Taxa chegou a 9,05%, mais de sete vezes a média de 1,27% registrada no levantamento da consultoria Moneyou
VENDAS AO EXTERIOR
Balança comercial tem maior superávit para outubro desde 1989
As exportações somaram US$ 31,51 bilhões, alta de 20% em relação a outubro de 2025, e impulsionaram o resultado