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TODODIA 8 de novembro de 2026
Opinião

Será que dá jogo?

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No mesmo fim de semana em que o Brasil ultrapassou a triste marca de 100 mil mortes pela Covid-19, aconteceu a estreia do Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão 2020. No entanto, mesmo com normas de cuidados estabelecidas pela CBF, como partidas sem torcedores nos estádios, testes regulares para jogadores, árbitros e técnicos ou o veto à execução de hinos e cumprimentos entre os atletas, uma das partidas de estreia da série A (marcada para 09/08) foi adiada porque uma das equipes teve 9 jogadores testados positivo antes do jogo. A partida seria entre Goiás e São Paulo e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva decidiu, minutos antes do horário marcado para o enfrentamento, que este seria adiado – o time rival (visitante) já estava em campo.

Somente até a primeira semana do Brasileirão, mais de 150 atletas das equipes da série A testaram positivo para o coronavírus. Em apenas quatro dias de competição, foram 40 atletas entre as séries A, B e C. Corinthians e Goiás são os times que tiveram o maior número de jogadores contaminados até o momento, sendo que o Goiás teve 10 atletas diagnosticados com a doença no intervalo de 10 dias.

O calendário da competição – com previsão de encerramento para 24 de fevereiro de 2021 – corre o risco de virar uma grande confusão com os possíveis adiamentos que teremos pela frente e, o mais importante: há muitas vidas colocadas em risco com esse retorno. Além dos atletas, técnicos, árbitros, entre outros envolvidos em uma única partida, todas estas pessoas têm familiares.

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Estas são provas indiscutíveis de que o retorno do futebol no Brasil foi uma decisão apressada. Ao contrário das principais ligas europeias, que aguardaram a redução das mortes para o retorno de suas competições, o Brasileirão teve início em pleno pico da pandemia no país. Na realidade, o ideal era não haver competições em meio a uma pandemia, visando, principalmente, à preservação da saúde e da integridade física (e também psicológica) dos envolvidos, mas também a proporcionar um maior equilíbrio no que se refere à competição entre as equipes, já que estas sofrem com os desfalques devidos à doença.

Tentando reparar seus erros, a CBF divulgou mudanças no protocolo de testagem nas competições nacionais logo depois da estreia do Campeonato Brasileiro de 2020 – a testagem foi ampliada para todo o elenco a cada rodada, não sendo mais exigida apenas para os 23 jogadores relacionados para a partida, os clubes poderão realizar exames em laboratórios locais, descentralizando a responsabilidade do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e os resultados deverão ser enviados à CBF 24 horas antes da partida pelos clubes mandantes e 12 horas antes da viagem pelos clubes visitantes.

No entanto, chegamos ao ponto de termos, em nosso país, atletas liberados para jogar mesmo sendo diagnosticados com a Covid-19. Isso mesmo sabendo que não há embasamento científico para se afirmar que pessoas que já foram infectadas estejam imunes ao vírus, entre tantas outras incertezas que ainda há quando o assunto é essa doença. De qualquer forma, não há como realizar o Campeonato Brasileiro de Futebol – ou qualquer outra competição esportiva – em 2020, de forma justa, com igualdade de condições a todas as equipes e sem colocar vidas em risco.

Nos resta saber se dirigentes (os sensatos), sindicatos e atletas se calarão perante toda essa confusão. Será que dá jogo?

Escrito por: Katiuscia M. Figuerôa

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Redação TODODIA TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba

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