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Moro no Terramérica aqui em Americana. Meu vizinho tem um “trinca-ferro” que canta o dia inteiro. E aí, não há como não me lembrar de minha cidade natal, Ipanema, em Minas Gerais. Lá também é muito comum aos moradores a posse de “trinca-ferro”. E, mais comum ainda, ouvir o canto do tal pássaro nas calmas ruas de Ipanema. A saudade, presença de uma ausência, bate à porta com intensidade.
No Leste de Minas, devido a uma intensa campanha de conscientização, cresceu, maravilhosamente, a presença de canários da terra. Em Ipanema, é comum ver e ouvir canários cantando nos fios de energia e nos postes espalhados rua afora. No Terramérica, onde moro, já é possível também ouvir canários cantando nas ruas. E a saudade, presença de uma ausência, bate à porta com intensidade.
É comum, nesses dias repletos de saudade, lembrar da canção “Saudade de minha terra”, gravada pela primeira vez em 1966, pelo paulista Belmonte, de Barra Bonita, juntamente com Amaraí. A música, escrita em conjunto com o mineiro Gerson Coutinho da Silva, o Goiá, de Coromandel, na doce Minas Gerais. “Saudades de minha terra”, talvez seja uma das músicas mais cantadas nos churrascos das famílias brasileiras.
O fato é que os pássaros e a música me fazem lembrar da terra natal. Saudade, presença de uma ausência…
A memória é invadida por lembranças várias. Viajamos no tempo e no espaço. A alma chora e ri de alegria com um tempo que não volta mais. Só volta nas doces lembranças que os cantos dos pássaros, teimosamente, trazem à tona. Saudade… presença de uma ausência…
Que os pássaros continuem a cantar. Que seus cantos possam provocar em nós doces e boas lembranças.